Ontem ao assistir a um jogo de futebol reparei que Acassiete jogava pela seleção do Perú e não pelo PC como muitos ainda nos querem fazer querer.
O comentador disse por duas vezes - pede-se uma mão dentro da área - e eu percebi pede-se o mamão dentro da área. No meu tempo de miúdo dizia-se que o gajo que não saía da área para receber a bola e marcar golos, estava à mama. Era portanto o mamão. Ou seria que o comentador acha que, como aquilo se joga nos países onde no futebol se distribui fruta a toda a hora que era preciso começar por algum lado?
Não é só nos países tropicais que se distribui fruta quando há futebol. Consta que determinado clube em Portugal também faz o mesmo.
Hoje é só linguajar.
terça-feira, julho 05, 2011
domingo, julho 03, 2011
1568. Apontamentos
Todos os dias acordo numa ansiedade de ler os jornais desportivos e ver se há mais algum jogador apontado ao Benfica. Esta época ainda só vai em 132.
sábado, julho 02, 2011
1567. Normalidades
Num dos corredores de um centro comercial, uma senhora para de repente para conferir a conta do supermercado. Um casal, mais atrás, em passo acelerado conversava animado. O homem do casal caminhava a olhar para o lado e acabou a dar um valente encontrão à senhora que tinha travado. Esta ficou com cara de estúpida sem perceber porque é que estava a ser abalroada. O tipo ficou com cara de estúpido a pedir desculpa, com um sorriso meu parvo, sem perceber como é que tinha chocado com a outra. E eu fiquei com cara de estúpido a interrogar-me se tudo isto seria normal.
1566. Declaração
Declaro por minha honra (e assumo as minhas responsabilidades, tal como dizem os políticos) de que não cortarei metade do subsídio de Natal à minha empregada doméstica. Pode ficar descansada, D. Fátima.
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Eu é que sou o presidente da Junta
sexta-feira, julho 01, 2011
1565. Recomeço e não só.
A última vez que comprei carro corria o mês de Março de 2002. É um utilitário familiar de gama média, está muito mas muto longe mesmo de ter as performances dos carros oficiais dos senhores ministros. Mandei fazer uma casita na terra, já lá vão mais de 15 anos e está todinha paga, graças a Deus. O apartamento onde vivo estreei-o em 1980, comprei-o com empréstimo bancário, consegui pagar todas as prestações, também já está paga. Sim, fui viajar ao estrangeiro. Fui a um país com a minha mulher para ela fazer um tratamento que em Portugal não lhe facultam. Fui também ao estrangeiro, visitar o meu filho que teve de emigrar porque se arriscava a ser mais um dos 3000 licenciados que ainda hoje, dia em que estou a escrever e a publicar esta nota, foram mandados para o desemprego. Fui também várias vezes a Espanha, que fica ali mesmo ao lado da terrinha, para encher o depósito para a volta, já que é muito mais barata do que cá no burgo. E fui a outro país, com a viagem paga com dinheirinho na mão, porque acho que tenho direito. Compro de três em três anos um par de sapatos e nos últimos dez anos comprei dois fatos, um dos quais para o casamento da minha filha. Não devo dinheiro aos bancos, nem fiz nenhum crédito pessoal à Cofidis, Onix, Barclays ou outra dessas empresas que oferecem o dinheiro que você quiser. É verdade que tenho cartão de crédito, mas como o demo pode-se esconder atrás da porta, pelo sim, pelo não, assinei um contrato de débito direto pela totalidade no final de cada mês. Acham que isto é viver acima das minhas possibilidades? Não votei no PSD (aliás, pelo que tenho ouvido por aí, ninguém votou), nem no CDS, nem no PS pelo que não me sinto moralmente vinculado ao acordo com a troika. Porque é que hei-de ficar sem o subsídio de Natal?
PS. Uma pequena desgraça abateu-se sobre o blog PreDatado. O seu autor já não está acostumado a estas coisas e fez o chamado grande disparate. Pensava que estava a testar layouts e alterou o layout. Perdeu todos os links, perdeu as estatísticas e perdeu os comentários. Como este blog tem mais de 8 anos, o Pre nem sabe já sequer qual era o sistema de comentários e nem se lembra sequer do user / password do sistema de contagens e estatísticas. Tenho alguma pena mas como disse acima é apenas uma pequena desgraça. Fica assim, paciência… Entretanto como não há mal que sempre dure, o Pre vai recomeçar a publicar. Vamos ver até quando…
quarta-feira, dezembro 08, 2010
1564. O Ómega
Existu uma fase, não sei se depois veio uma segunda ou uma terceira vaga, em que vai não vai se discutia o porquê de ter um blog. Normalmente, alheei-me desse(s) debate(s), eu tinha um blog porque sim. Se no início o blog serviu-me para coisas, mais tarde foi-me servindo para mais coisas. Houve contos e poemas, reflexões e intervenções, sabores e aromas, piadas e cores, brincadeiras e intimidades e partilhas q.b. porque o blog é meu não é da Joana. Teve também uma função catalizadora, se não mobilizadora, da minha vontade de escrever ou da minha vontade de dizer algo. Foi também um divulgador e um desabafador mas nunca um muro de lamentações. Não lamento ter criado este blog e muito menos lamentarei acabá-lo. E da discussão dos porquês de ter um blog, é o de gostar de ser lido. Não vale a pena negá-lo seria até desonesto, ou melhor, intelectualmente desonesto não o admitir. Isto é, se fosse só para mim, seria privado, serviria de bloco de apontamentos e ponto final. Se o abri ao público é porque, obviamente, gosto de ser lido. Só que isso, há muito que não acontece, salvo os poucos, a quem agradeço publicamente e mais uma vez, que têm o prazer de aqui vir dar uma espiadela quase diária. Tenho muitissima consideração por eles mas este pequeno membro blogosférico murcha hoje. Eu ando por aí e vou dizendo umas e ameaçando outras no facebook. Sete anos e tal por aqui, blá, blá, blá... ósculos e amplexos para todas as minhas amigas leitoras e todos os meus amigos leitores.
PS. o Schubert miou, deu meia volta e voltou a adormecer.
terça-feira, dezembro 07, 2010
1563. Quando o frio passar
Cheira-me a âmbar e jasmim,
fragâncias que emanam do teu corpo.
És a minha primavera.
Foto e texto PreDatado
sexta-feira, dezembro 03, 2010
1562. Fumos
Tirou o último cigarro do maço e deve ter exclamado, bolas. Provavelmente por não ter mais cigarros ou, talvez, zangado com ele próprio por estar já a esvaziar o segundo maço do dia. Mas era noite e não tinha onde comprar mais. Iria fumar apenas metade e deixar o resto para quando lhe fizesse mais falta. De resto o livro estava à beira do fim, este seria um best-seller, ele já o imaginava nos escaparates com o um dístico redondo com o número 1. Foram mais de dois meses de escrita e de algumas pesquisas, poucas porque, a verdade seja dita, era rapaz de muita cultura e, se a uma personagem lhe queria dar um corpo de um Modigliani ele sabia exactamente como o descrever ou se outro tocava trombone então era um potencial Glenn Miller. Para não falar que era quase formado em botânica. Daria umas boas 350 páginas em Sabon/12 A5, a editora iria ficar satisfeita. A Rosália sorriu, um pobre e desmaiado sorriso quando a imagem de Jaime lhe veio à memória. E de tantos anos de mágoa apenas uma a fustigava naquele momento. Nunca ter dormido em lençois de linho. Levantou-se e foi espevitar o lume que, àquela hora, já morria na lareira. Ponto final, estava pronto. Retirou a folha da máquina, ajeitou a resma e foi para a janela olhar a estrelas. Deu duas baforadas na outra metade do cigarro.
Foto e texto PreDatado 2010
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Micro pequenos e médios contos
quarta-feira, dezembro 01, 2010
1561. Ciúme
segunda-feira, novembro 29, 2010
1560. Como eu gostaria de ser poeta

Ritmo e som. Ah sim, ritmo e som. Sobe Luísa, Luísa sobe, sobe que sobe sobe a calçada. Ritmo e som. Teu nome antes mesmo do caderno teu nome na negra lousa eu escrevi eu o escrevi e apaguei e se perdeu e renasceu. Ritmo e som, sonoridade e fonética, alma e coração, faísca que se acende ou água que se espelha entre os corpos. Ai Gedeão, Ai Alegre, ai Urbano, ai Pessoa como eu gostaria de ter este ritmo, como eu gostaria de acender a faísca, como simularia a dor que deveras sinto, como eu subiria a calçada. E escreveria, por toda a parte eu escreveria o nome dela.
Foto e texto PreDatado 2010
sexta-feira, novembro 26, 2010
1559. Outonos
Era matemático! Àquela hora, lá estava ele, de livro debaixo do braço, sobretudo e chapéu se fosse inverno, mangas de camisa, usava sempre camisas de manga comprida e boné, pois claro, se fosse verão. Conheciam-no como o homém dos mil chapéus. Era coisa que não dispensava fosse por moda, por cultura ou por habituação. E também não falhava nenhum dia da semana, a sua chegada era pontual. De um rigor matemático. Tinha até um chapéu especial para os domingos, não lhe sei dizer o nome mas era assim a modos como que uma cartola. A garotada gostava de se sentar ao lado dele e disfrutar dos caramelos espanhois que sempre trazia no bolso. A senhora que passava a empurrar o carrinho de bebé (devem ter sido muitas, pois uma delas lembro-me de a ter visto, mais tarde, passar com o pequenote pela mão e, mais tarde ainda, ter visto o garoto aos pontapés numa bola e, se a memória me não falha, vi-o mesmo passar com a sacola da escola), em troca de um sorriso recebia uma vénia de chapéu na mão e de corpo, alguns anos depois, já curvado. A moça do vestido às flores sentava-se ao lado dele e passavam largos minutos a conversarem. Não eram poucas as vezes em que se ouviam sonoras gargalhadas. A moça deixou de vestir vestidos com flores e os cabelos começaram a ficar mais curtos mas, ainda assim, se sentava ao lado do velho fazendo reluzir uma aliança de ouro. Já não soltava tão grandes gargalhadas mas ainda se ouvia rir. Os miúdos cresceram, não lhe pediam mais rebuçados. Àquela hora, todos os dias, o homem dos mil chapéus, o último que se lhe viu era um chapéu de coco que não lhe assentava particularmente bem com a gabardinha beje, chegava com um livro na mão e sentava-ve à espera de alguém a quem tirar o chapéu. Quando deixou de apararecer soube-se que todos os dias, rigorosamente à mesma hora, recebia sobre a campa uma flor. Flores de mil cores, como os seus mil chapéus chegavam-lhe à mesma hora. Era matemático.
Foto e texto PreDatado 2010
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Micro pequenos e médios contos
quarta-feira, novembro 24, 2010
1558. Introspecção
Coloco os auscultadores nos ouvidos. Hoje não estou cá. Estou longe de tudo e de todos mas pior do que isso sou eu que quero estar longe de tudo e de todos. Tenho dias assim, quero ficar comigo só, mas não é mau, não é mau ficarmos só conosco nem que seja por umas horas, por uns minutos, por ligeiros momentos. Nestes momentos passam-nos tantos anos pela cabeça, passam-nos tantos minutos pela cabeça, passam-nos até alguns instantes pela cabeça. Um encontrão aqui, outro ali e, de repente, abro os olhos entretanto semi-cerrados e fico a pensar que um valium me ajudará a passar esta pancada. E depois digo eih meu, vai dar uma voltinha, vai. Retiro os ascultadores dos ouvidos e desligo o Lou Reed da minha cabeça.
Foto e texto PreDatado 2010
segunda-feira, novembro 22, 2010
1557. Doces e outras iguarias
Hoje foi dia de saborear. Bem sei que te empenhaste, puseste tudo o que é teu de sabedoria culinária só para me agradares e eu fico feliz quando estás com a colher de pau em riste e com um sorriso nos lábios. Sei que algo de muito delicioso me vai ser presenteado, sei que os sabores dos nosso avós, mesmo se já não nos lembramos deles, nos vão ser servidos à mesa. Sabes como sou bom de mesa, um bom garfo como me costumas dizer. Tiveste até o cuidado de ires à minha garrafeira particular e escolher o vinho, Não é que sejas uma enófila nata mas, provavelmente, porque confias na minha garrafeira particular. Mas sabes também que eu, por mais maravilhosos que sejam os teus cozinhados, por mais cheirosos que sejam os teus temperos e por mais subtileza que tenhas em escolher um dos meus tintos preferidos só fico feliz quando te tenho por sobremesa. Tu, sim, és a minha verdadeira mousse de chocolate.
Foto e texto PreDatado 2010
sábado, novembro 20, 2010
1556. Estados de alma
Estou alegre hoje. Quando estou alegre gosto de escrever. Mas tenho de ter cuidado pois se começo para aqui a debitar frases atrás de frases ou nunca mais paro ou quem me veja escrever acha que estou numa de digito-suicidio. Por isso vou-me conter, vou dar uma sonora gargalhada, vou tomar um abafadinho, vou ver um desenho animado do bip-bip e do coyote, vou ler um bocadinho do Mário Zambujal, vou ouvir cantar uma desgarrada brejeira, depois vejo um tube (ou dois) dos Monty Phyton. Saio para a varanda, respiro uma lufada deste ar fresco que o outono manda e dou, sim dou, ofereço, partilho, sem querer nada em troca, uma sonora gargalhada.
Foto e texto PreDatado 2010
sexta-feira, novembro 19, 2010
1555. A minha cimeira

Um a um fui-os alinhando à minha frente. Fiz um risco no chão, o mais direito que fui capaz com a ponta de uma cana apanhada ali mesmo, no valado. Depois joguei fora a cana (não me lembro bem desta parte, se a joguei fora ou se a pus de lado). Continuei a alinhá-los, todos da mesma cor, camisa azul e calça cinzenta. Peguei na cana de novo (já sei, não a tinha jogado fora pois voltei a usá-la) e fiz um risco em frente ao outro. Mais tarde aprendi que se chamava paralelo. E alinhei os outros. As camisas eram vermelhas, tinham umas correias cruzadas em diagonal, brancas, sobre as camisas vermelhas. Alinhei-os em frente aos azuis. Todos tinham uma arma, alguns em riste, outros alinhada paralelamente, cá está, paralelamente, ao corpo. Mentira, não eram todos, um deles tinha um tamborzinho e outro, com umas bochechas gordas, tocava uma corneta. Atrás de cada fila alinhei os que montavam a cavalo. Também tinha cavaleiros com camisas vermelhas e outros com camisas azuis. Só que os que andavam a cavalo tinham espadas, não eram como os que andavam a pé. Da outra caixa tirei os canhões. Eram quatro e pu-los em cada uma das pontas das filas da frente. Não sei se eram aqueles os lugares deles mas também não me importei. Deixei ali mesmo os soldadinhos de chumbo e fui jogar à bola. Não gosto de guerra.
Foto e texto PreDatado 2010
quinta-feira, novembro 18, 2010
1554. Outono
Por razões editoriais o poema foi retirado do blog e figurará na coletânea Palavras Nossas, Esfera do Caos, a editar em Novembro de 2012.
Vítor Fernandes (aka PreDatado)
quarta-feira, novembro 17, 2010
1553. Propriedade
Pediste-me para te fazer um poema e eu respondi-te que não se faz um poema sem acreditar no que o Eugéneo disse uma vez. A mão certeira, a intimidade, o coração. Pareceu-me, quando me viraste as costas, ter visto uma lágrima correr no teu rosto. Não te menti apenas acho que não me entendeste. Não posso escrever um poema se não estou certo que o que escrevo é o que é quero escrever, se a mão me treme. Não posso escrever se não te vejo cúmplice dele, se não és a terra que a água precisa de regar e muito menos se não és o coração em que me empenho. Os meus poemas são propriedade privada e ela sabe-o.
Foto e texto PreDatado 2010
terça-feira, novembro 16, 2010
1552. Vagueando nos teus sonhos
Sorris, vejo-te sorrir e tu nem imaginas que te estou a ver sorrir. Ou talvez imagines pois, mesmo sem esperar que nos vigiam, ficamos de alerta. E tu mais do que eu. És mulher, dizem que tens um sexto sentido. E sorris. Gosto de te ver sorrir. E eu sorrio também. E sem sairmos deste poema de sorrisos, viras-me as costas e eu abraço-te. Oiço-te murmurar mas não quero perturbar-te o sono. Nem o sonho. Continua a sorrir.
Texto e Foto de PreDatado - 2010
segunda-feira, novembro 15, 2010
1551. Liberdades

Sobre a almofada, entre o sono e o madrugar oiço uma música de fundo que me perturba e que ao mesmo tempo me comove. Sons de outros tempos e de outros lugares e sons que me soam tão actuais. Quero ficar assim no limbo apesar do sol teimar em invadir-me pela frincha da janela. Os partigiani estão lá longe, e as pálpebras essas continuam teimosamente a não se querer abrir. Não, não há invasores é só o Sol. Bella ciao, bella ciao, bella ciao, ciao, ciao. Cobri o rosto com os rubros lençois de cambraia. E abracei-te como se fosses a minha bandiera rossa, a minha liberdade.
Foto e Texto PreDatado 2010
sábado, novembro 13, 2010
1550. Nú
E ali estava eu, nu, sem muito bem saber o que fazer, sem muito bem saber se ir se ficar. Mas é assim que eu gosto de estar, despido de obrigações e à margem dos mandamentos da vida e da sociedade. Sozinho com os meus pensamentos e nem com os botões para partilhar. E ali sim, monto no cavalo da fantasia, o meu pégaso mais-que-tgv e deixo o pensamento tomar as rédeas da liberdade. Não sei se divago se me afago em deliciosos momentos. Que são meus.
Foto e texto de Vítor Fernandes a.k.a. PreDatado
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