Durante alguns anos, após a inauguração do metro do sul do
tejo na região de Almada, a ex-presidente da Câmara criou uma zona pedonal numa
área nobre da cidade, nomeadamente, o eixo central desde a praça S. João
Baptista até, aproximadamente, metade da
Av. D. Afonso Henriques. Na verdade não era totalmente reservada a peões, havia
via aberta para algumas carreiras de autocarros, táxis, veículos em marcha de
urgência e os chamados veículos autorizados. Aqui d’El Rey, gritaram os
comerciantes e alguns outros que não tendo nada a ver com o comércio, faziam
coro ideológico contra a Câmara Municipal de Almada (CMA). E Aqui d’El Rey que
as alterações feitas tiravam a frequência dos clientes às lojas por ausência de
estacionamento e de passagem pelas montras, etc. e tal e mais um par de botas e
um conjunto de imbecilidades, perdoem-me a franqueza. Não sei por que razão, se
tática ou se de falta de coragem ou mesmo falta de convicção numa solução que
fazia parte integrante da mobilidade reconhecida internacionalmente, vejam os
prémios recebidos, caraterística da cidade de Almada. Hoje o “canal está aberto”,
a circulação pedonal é um perigo e uma aventura para corajosos, misturam-se
zonas de passeio com faixas viárias (já assim era, na verdade, mas com um
número muito reduzido de veículos) e um estacionamento anárquico. Vou desde já
pedir ao Exmo. Presidente Dr. Joaquim Judas, pessoa por quem nutro estima, para
que arrepie o caminho entretanto traçado e volte à fórmula antiga dos veículos
prioritários. Porque o comércio no centro de Almada continua às moscas, é
penoso o número de lojas fechadas e os que gritavam por esta solução hoje
parecem bem mais calados porque se calhar ainda estão a engolir a própria
gritaria. Deem uma voltinha pelo centro de Almada e confirmem. É que enquanto
houverem zaras e pulls e outras âncoras
espanholas em grandes superfícies comerciais, só se safam as lojas de chineses
no chamado comércio tradicional. E não me venham com o tratamento personalizado
e de proximidade que eu já não ganho para isso.
terça-feira, novembro 05, 2013
sexta-feira, setembro 27, 2013
1622. Eu vou votar
Antes que comece o período de reflexão, tenho de mandar cá
para fora as minhas mágoas. Estou num pentalema ou mais, porque isto já não é
dilema, nem trilema nem o raio que o parta. Já recebi na minha caixa do correio
as listas de todos os principais partidos em jornais, brochuras ou flyers e dos que não recebi vou olhando para os
outdoors e para os mupis. Oiço dizer que
nas Autárquicas o que interessa são as pessoas, normalmente dito pelos partidos
que estão à rasca. Tenho de vos dizer que nem nas listas da CM, nem nas da AM nem
mesmo, estas que deviam ser das pessoas mais pertinho de mim, da Junta de Freguesia,
não conheço uma única pessoa. É obra. Bem sei que o Concelho tem mas de 180 mil
habitantes, mas eu conheço pelo menos 3 mil deles. Nenhum nas listas? Bolas!
Bom, tendo em conta que o PCP mais uma vez ganhou estas
eleições, que o PS mostrou aos portugueses que este governo não tem futuro, que
o PSD vai dizer que esta votação não pode ser confundida com o mandato que
recebeu dos portugueses para governar, que o CDS vai dizer que onde há lavoura,
as pessoas não esquecem quem lhes quer bem, apesar de não estar muito
satisfeito com Ponte de Lima, que o BE vai dizer que Salvaterra de Magos é o
exemplo da justeza da sua política anti-piropos e quiçá anti-touradas, que o
MRPP voltará a dizer que se não fosse as pessoas confundirem a foice e o
martelo no símbolo da CDU teria ganho muitas câmaras, principalmente no
Alentejo, vejo-me na obrigação de declarar que não voto em independentes. Eles
são independentes de quem? E se correr bem para eles mas mal para as populações
vamos penaliza-los como? Não votando no partindo independente?
Ufa! Isto já não é um pentalema. Isto é uma confusão do
caraças. Mas uma coisa é certa. Vou votar. Não dou a chance a ninguém me dizer,
“não faz mal, eu votei por ti”.
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Eu é que sou o presidente da Junta
sexta-feira, setembro 13, 2013
1621. Eles andam literalmente a cavar a sua própria sepultura
Hoje vou-vos
contar uma coisa que sei que ninguém vai acreditar em mim. Vão todos dizer, “pode
lá ser, estás a pintar, a ZON não trabalha assim, etc e tal”. Pois eu juro por
tudo quanto é sagrado que isto é verdade. A ZON tem um produto que se chama SPORTV
Multiscreen que permite a um cliente ver a Sportv em duas boxes em sua casa. Eu
tenho a Sportv há muitíssimos anos e pago por isso 26,79 € por mês. Segundo a
ZON isto é porque eu beneficio de um voucher que me permite pagar este preço e
não 29,35€ que é o custo normal. Seja como for eu solicitei que me ativassem a
segunda box, tendo dado quer o número de série da box, quer o do cartão. Mas
eles ainda não ativaram porque dizem que têm um problema informático por causa
do tal voucher. E é aqui que eu acho que vocês não vão acreditar em mim. É que
eu pedi a ativação da Sportv Multiscreen no dia 24 de Agosto. Há portanto 21
dias ou seja 3 semanas! Alguém acredita que a ZON ainda não o tenha feito? Só
posso estar a mentir não é? Eu acho que a ZON está a querer, com o meu caso,
bater o record das listas de espera dos hospitais. Acho, sim.
sexta-feira, junho 14, 2013
1620. A descapitalização previsível da Segurança Social
O senhor F. foi, em meados dos anos 90, contratado
para exercer determinadas funções na empresa E. Na altura negociou o seu
salário, enfim, as partes estavam de acordo, estava na média para as funções
exercidas numa empresa da dimensão da referida. O que iria auferir era composto
por duas partes. Um salário que constaria como oficial, sobre o qual recairiam
os descontos para a Segurança Social e o IRS à tabela, recalculado anualmente
como ainda hoje se faz. O patrão pagaria, sobre esse salário, a sua quota-parte
para a Segurança Social. A segunda parcela da sua remuneração era constituída
por um conjunto de mordomias que segundo soube constaria de subsídio de almoço,
subsídio para telefone fixo (na verdade a conta telefónica), subsídio de
combustível, cartão de crédito com um determinado plafond, telemóvel, automóvel
de serviço com todas as despesas pagas (seguros, manutenção, parqueamentos) e
uma panóplia de ajudas de custo quando das deslocações em serviço (viagens, hotéis,
refeições, etc). Não sei se havia mais, o caso é antigo e não me recordo de
tudo quanto soube. Tudo isto que aqui relato era e parece-me que ainda é,
absolutamente legal. Mas também tanto
quanto soube estes valores de mordomia aproximavam-se do montante do salário
oficial.
Sendo assim o empregado tinha uma vantagem, mas
corria dois riscos. A vantagem era a de que pagaria apenas impostos e taxas
sobre o salário oficial. O primeiro risco era a arbitrariedade que ficava na
mão da entidade patronal de, quando lhe aprouvesse, eliminar alguns ou todos
estes complementos remuneratórios. O segundo era o de, no futuro, quando este
trabalhador se reformasse, o cálculo da sua pensão seria feito na base oficial
declarada e não sobre os outros montantes que não constituíam salário. A
entidade patronal, que atuava estritamente dentro da legalidade, não corria
nenhum risco, antes pelo contrário tinha uma vantagem. A sua contribuição para
a Segurança Social era cerca de metade daquela que teria de fazer se toda a
componente de mordomias fizesse parte do salário.
Mais tarde, vim a saber que a empresa e o
trabalhador, fazendo os ajustes necessários devido ao acréscimo de IRS de taxa
para Seg. Social que recairiam sobre o trabalhador, acordaram no englobamento de algumas daquelas mordomias no salário. Ficaram a ganhar o empregado que embora
possa ter perdido algum rendimento no imediato passou a ter uma perspetiva de
uma velhice com uma pensão condigna e o Estado que passou a receber mais
Impostos e mais contribuições para a Seg. Social. Quanto à empresa uma vez que
a sua contribuição ao nível de TSU aumentou deve ter tido outras vantagens que
desconheço ao ter acordado neste processo de integração.
Hoje em dia, este Governo ao confiscar
descaradamente as pensões e reformas, reduzindo-as a seu bel-prazer e ao da
troika que nos asfixia, está a dizer aos novos trabalhadores que o melhor é
tirarem o cavalinho da chuva em relação às pensões que pensem vir auferir no
futuro. O que o Governo está a dizer é para que os empregados e os patrões
utilizem o estratagema que eu relatei no início. Está a promover a
descapitalização da Segurança Social e a potenciar a diminuição de receita no
IRS. E segundo percebi do que ouvi hoje da Senhora Presidente do Conselho de
Finanças Públicas, Dra. Teodora Cardoso, isto irá começar em breve, se é que
não está já em marcha. Este governo está a destruir Portugal.
domingo, maio 05, 2013
1619. Dia da mãe
Hoje estou feliz, Mãe.
Estou muito feliz.
Eu que te ouvi (e ainda oiço)
Chorares a tua,
Eu que hoje ouvi (e ontem também)
O meu amigo chorar a sua,
A minha amiga chorar a dela,
Mãe, tenho medo
(muito medo)
De um dia me juntar a eles
Para te chorar também.
Hoje estou feliz, Mãe.
Muito feliz
Porque te tenho
E te quero ter,
Sempre, Mãe.
Vítor Fernandes
05.05.2013
terça-feira, março 26, 2013
1618. Quero lá saber
(foto i-online)
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Eu é que sou o presidente da Junta
quarta-feira, fevereiro 20, 2013
1617. Vá lá, não custa nada
O Parque da Paz em Almada é, para mim, um dos locais mais
agradáveis da Cidade de Almada. Um parque que tem manutenção diária
(infelizmente pouca vigilância) é rico em variedades vegetais, várias centenas,
bem acompanhada por fauna de penas que é um regalo admirar. Pais e filhos, avós
e netos, gente de todas as idades, etnias e naturalmente credos, creches
infantis, caminhantes, corredores, ciclistas, todos desfrutam de local fresco
e, acima de tudo, despoluído. Infelizmente no melhor pano cai a nódoa e é com
pesar que noto que os detritos que vêm da correnteza passam semanas sem serem
recolhidos. Para quem faz um trabalho de tanto mérito na manutenção poderia, de
vez em quando, fugir ao “trabalho programado” e limpar toda esta porcaria
acumulada. Nós, os utentes, os que gostamos de Almada, agradecemos.
domingo, fevereiro 03, 2013
1616. Não me perguntaram o nome do gato
Vivemos num país de robots atrasados mentais. Alguns deles com licenciatura e outros com mestrado ou PHDs. O nosso primeiro-ministro àqueles que não consegue fazer emigrar, envia-os para os Call Centers. E é assim que, seguindo as normas e procedimentos escritos por inteligências americanizadas, desenraizadas culturalmente, que para simples operações telefónicas nos fazem vomitar toda a identificação pessoal desde o nome, morada, código postal, BI, NIF,telemóvel, telefone fixo, nome dos progenitores, dos avós e dos bisavós, número de sócio do Benfica ou de outra coisa qualquer, cor do cabelo, dos olhos, das cuecas até oa tamanho do sutiã da vizinha do oitavo direito, lá nos dão a informação que pretendemos. Vá lá, não me perguntaram o nome do gato. Hoje quase que ia tendo uma congestão, mal empregadinho almoço que me caiu tão bem. Ao ligar para ativar a renovação do cartão de crédito de uma certa instituição bancária cujo nome nem digo por pudor e da qual sou possuidor de cartão de crédito há mais de 9 anos, sempre com os mesmos dados, inclusivé a cor das cuecas e já DEPOIS de me terem ativado o novo cartão, o operador do call center saiu-se com uma destas «Sr. Vítor vou ter que lhe desativar de novo o cartão, até que nos mande um comprovativo de morada porque quando lhe perguntei os dados o senhor disse-me que morava em CORROIOS e eu tenho aqui CORROLOS". Só não me desatei a rir porque não sei se o gajo estava a usar uma bola vermelha do nariz e a testa pintada de branco. Aliás é Carnaval e eu não devia levar a mal. Então os gajos digitam CORROLOS há mais de 9 anos e querem que eu vá corrigir o ERRO DELES sob pena de me desativarem o cartão? Mas esta gente acha que os procedimentos americanos escritos por uma qualquer troika com "escurinhos" ou não, são mais importantes do que a Bíblia? Dei-lhes logo com o Novo Testamento na cara: «Meu amigo, isso vai-me dar uma grande trabalheira. Vou ter de lhe mandar um certificado de residência, para si, para o Banco de Portugal, para a Deco, vou ter de vos denunciar na Internet com nome de banco e tudo e no fim desisto do vosso cartão. Ou em alternativa e uma vez que me avisaram que a conversa está a ser gravada vou exigir que me passe ao seu diretor». Ao fim de alguns momentos o assunto estava ultrapassado. O mentecapto que me atendeu, não sei doutorado em quê porque não lhe perguntei, ainda teve o descaramento de no fim disto tudo me tentar "vender" dinheiro a 19 virgula tal porcento de juro ao ano. Mas também vos digo. Se o gajo me tivesse perguntado o nome do gato eu tinha-o mandado levar na cloaca.
quinta-feira, janeiro 03, 2013
1615. Sete facadas e carapaus de escabeche
A não perder.
É já amanhã, dia 4 pelas 21h00 na Popular FM em 90.9MHz que será entrevistado o autor de Sete facadas e carapaus de escabeche. Quem não conseguir sintonizar pode escutar em direto no site da Popular FM.
http://www.popularfm.com/
sexta-feira, novembro 16, 2012
quarta-feira, novembro 14, 2012
1613. Foto
sexta-feira, outubro 05, 2012
1612. Desafio - Acrescenta-me um ponto
1 - O texto, constituído por vinte parágrafos, terá início no blogue "O Sabor da Palavra" (http://osabordapalavra.blogspot.com), segundo o seu autor Gonçalo Cardoso.
2 - Cada bloguista terá direito a um parágrafo do texto com o máximo de cinco linhas. Não é taxativo, tanto pode ser mais ou menos, mas sem exageros.
3 - Após a realização do parágrafo respectivo, cada bloguista terá que selecionar outro bloguista que cumpra a continuidade do texto, segundo as regras mencionadas.
4 - Cada bloguista terá o limite máximo de três dias para realização do parágrafo, estando sujeito a desclassificação da rubrica e seleção de novo bloguista por parte do seu autor.
5 - Cada bloguista assinará o seu nome e respectivo blogue na lista dos participantes.
6 - O último participante ou autor do vigésimo parágrafo, finalizará o texto e partilhará com o autor do blogue "O Sabor da Palavra" para a sua divulgação no blogue inicial.
7 - Sejam criativos.
Lista de Participantes:
1 - Gonçalo Cardoso (O Sabor da Palavra)
2 - Buxexinhas (Pedacinhos de mim...)
3 - Karochinha (O Meu Eu)
4 - A Minha Essência (Roupa Prática)
5 - Olívia Palito (Olívia Palito no País das Maravilhas)
6 - L'Enfant Terrible (L'Enfant Terrible Lx)
7 - Utena (Os meus idealismos)
8 - Alexandra Martinho (Ouso Escrever)
9 - AC ( nadadecoisanenhuma)
10 - Poppy (Apontamentos de Luz)
11 - Briseis (do meu pedestal)
12 - Teté (Quiproquó)
13 - Vitor (PreDatado)
14 -
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19 -
20 -
E começa assim:
"Já tinha dobrado as duas da manhã. Estava a sair da emissão de rádio, incomodado com um ouvinte que alegava a minha falta de isenção jornalística. Segundo ele, apenas dava voz aos ouvintes do sexo feminino e os temas escolhidos revelavam uma tremenda homofobia. Estapafúrdio, dizia para mim! Mas para o exterior resolvi o problema com a introdução de uma música de intervenção social. E assim fechei o programa. Peguei na mala, desci as escadas em direcção ao parque subterrâneo e ao chegar junto do carro encontrei um segredo envenenado..."
“No seu vestido vermelho delineado na pele, ela olhava-me intensamente recostada no capô do meu carro, como um lince que espera a sua presa. Por momentos o meu coração parou de bater. ‘Voltou…’, pensei angustiantemente. Fantasmas do passado e segredos escondidos no recanto mais negro do meu ser… Renascidos da minha cinza. Em passos lentos, dirigi-me a ela. As palavras silenciosas do seu olhar disseram-me para onde ela me levaria. Entrámos no carro seguindo para o local temido…”
"...por ambos.
Aquela falésia onde, alguns anos antes, a tragédia se abatera sobre as suas vidas alterou os seus futuros para sempre. E todos os anos, no mesmo dia, encontravam-se antes do amanhecer, naquela pedaço de rocha que se erguia sobre o mar, numa esperança vã de expiarem os seus pecados mais profundos. Chegados ao local, saíram do carro e mais uma vez, as suas mãos encontraram-se e uniram-se, os seus corpos aproximaram-se e ela disse-lhe:"
"... Com a voz tremida, sussurrada, gélida, com a postura hirta e consciente do momento, Amanda começa a debitar desenfreadamente como tudo aconteceu, naquela fatídica noite...
... "Não tive culpa! Não tive! Acredita em mim, por favor! Foi um acidente. Foi ele que escorregou da falésia, ele!" - Sedutora mas ao mesmo tempo frágil, ela sabia exactamente como emaranhar um homem na sua teia. Sabia exactamente a palavra certa a ser usada, o gesto proveniente, o olhar mais assertivo para a ocasião. Manhosa, laça-o num envolvente abraço onde o choro compulsivo é o senhor do momento. Entre soluços mas, com uma voz doce, repete incessantemente, "não fui eu! Não fui eu!" - Com o rosto apoiado no peito de Edmundo, via-se claramente o sorriso dissimulado que fazia. Ele, estava completamente rendido à fragilidade dela mas, ao contrário do que ela pensava, que o tinha nas suas mãos, Edmundo, também tinha algo a dizer..."
"... acerca daquela fatídica noite. Edmundo fixou o olhar na falésia e ficou em silêncio por alguns segundos, enquanto os braços de Amanda o envolviam. De repente, ficou tudo absolutamente claro na cabeça de Edmundo, as peças do puzzle mental começavam a encaixar-se na perfeição. Lembrou-se da conversa off record que tivera com o inspector da polícia acerca do relatório da autópsia de Fred. Segundo o mesmo relatório, Fred havia ingerido uma dose substancial de whisky, confirmando assim o álibi de Amanda, de que Fred se desequilibrara e caíra daquela falésia. Porém, fez-se luz e um pormenor fulcral escapara a ambos: ao inspector da polícia e a Amanda, mas não a Edmundo..."
"...isto porque Fred não bebia whisky, sofria de doença celíaca, de modo que tudo o que contivesse glúten, o que incluía bebidas feitas de malte, não lhe passavam pela garganta. Por outro lado a revelação Fred fizera a Edmundo um dia antes da tragédia era de todo desconcertante, tanto mais que de dizia respeito aos três, sendo que conteúdo da mesma tivera desde então um profundo impacto em Edmundo, ao ponto de o mesmo perder parte da sua imparcialidade jornalística. Ainda assim, envolto no choro soluçado de Amanda, Edmundo era incapaz de proferir uma palavra, de partilhar com ela o que pensava porque havia mais um elemento em jogo, uma dúvida perene que o levava a sentir-se tal como o mar revolto e sem definição que vislumbrava no horizonte..."
“Não querendo mas ao mesmo tempo sem conseguir parar a maré das lembranças chegou-lhe à memória aquela noite que hoje lhe dava o conhecimento do facto de Fred não beber whisky. Fred confessou-lhe num ousado momento de coragem que se sentia atraído por Edmundo e que isso o deixava sem saber como agir pois nunca tinha sentido isso por homem nenhum já que sempre fora um mulherengo por natureza!
A convivência dos dois, muito por culpa de Amanda, o lamber das feridas causadas por esta mulher de escrúpulos nulos tinha feito com que os sentimentos florescessem em dois homens que mesmo nada indicando que assim fosse os levou a sentir o que para ambos deveria ser tabu.
Edmundo voltou a realidade com um soluço mais audível de Amanda e quando à olhava no profundo dos seus olhos verdes deu-se conta…”
"...deu-se conta do quanto aquela mulher já havia sofrido. Fred horas antes de falecer havia contado a Edmundo que Amanda aos 20 anos se havia submetido a uma cirurgia de retribuição sexual. Sim, Amanda fora um menino em outros tempos, mas hoje era aquilo a que Fred e Edmundo chamavam de tentação. Edmundo olhava-a e um misto de sentimentos lhe assolavam a mente, perdera alguém que lhe era muito próximo, um amigo, mas também, um silencioso admirador. E ali, diante de seus olhos estava a mulher indefesa e esbelta que soluçava e por quem ele era estupidamente apaixonado, mas que carregava tão pesado segredo. Segredo esse que toda a sociedade condenava e condena. Edmundo perturbado necessita voltar, ir ao encontro do seu pedaço de chão para meditar e montar todo aquele puzzle confuso. Suplicou-lhe - "Amanda, necessito ir, vamos?". Amanda para ele olhou, com olhar fugaz, e disse..."
"...És um homem cruel senão me aceitas como sou. E se assim for sem dúvida que não me mereces.Sou especial, sou única e estou disponível para te amar, com tudo o que tenho para te oferecer, mas jamais partilharia a minha vida ou o meu corpo, com quem olhasse para mim com desprezo ou nojo. Sendo assim cuida-te, olha para ti, observa-te com atenção e vais reparar em todos os teus defeitos... por agora vou apenas embrulhar-me no teu casaco sentir o teu cheiro e o teu calor que são presença nele e esperar que tu abras os olhos e possas ver para além do físico, do estereotipo e do preconceito a mulher que hoje eu sou...estou aqui, estarei sempre aqui para ti... de braços abertos...anda, decide-te não tenho o tempo todo..."
"... Mas na cabeça de Edmundo cada vez mais as dúvidas e as desconfianças se instalaram. Havia demasiadas incongruências em torno daquela noite e um relatório conivente com o que Amanda lhe dizia mas contrário ao que conhecia de Fred, este jamais poderia ter bebido Whisky naquela noite. Não estavam em causa os desejos que nutria por aquela mulher, não se colocava em questão as mudanças de sexo, o que lhe assolapava as ideias era tão somente o que teria sido capaz de fazer aquela mulher de escrúpulos nulos, de vermelho vestida se soubesse do que acontecera entre eles, não foi capaz de lhe dizer mais nada. Levou-a a casa e naquele momento só uma coisa lhe ocorria, tinha de estar com o inspector responsável pela investigação..."
"O encontro perturbador, aliado ao adiantado da hora, tinha um efeito nefasto sobre a sua lucidez. Conduzia como um autómato, a cabeça longe, muito longe da estrada por onde os olhos passavam. Era de noite, ainda. Para não enlouquecer durante as longas horas que antecediam a manhã e a sua oportunidade de falar com o inspector, foi para casa, tomou um banho tão quente quanto conseguiu tolerar e, ainda com o cabelo a pingar água e a pele a fumegar vapor, sentou-se a escrever a sua versão dos factos, a sua memória dos acontecimentos, caso algo lhe acontecesse... Escreveu tudo, longamente, e concluiu com a revelação do facto mais bem guardado:"
"Fred confessara-lhe o ciúme que sentia de Amanda! Sem nunca lhe ter revelado, adivinhara a paixão e o desejo que transpareciam nos seus olhos quando ela aparecia em cena, naquele misto de sedução e de fragilidade que tanto o cativavam. Parou de escrever. E se...? Não, não era possível, que o amigo chegasse tão longe... Ele andava perturbado - os credores avolumavam-se à sua porta! - mas suicidar-se?!? Deixando no ar a suspeita de Amanda ser a culpada pela sua morte?!? Mas porquê aquelas revelações súbitas e inesperadas, poucas horas antes daquela fatídica noite? Era um plano macabro demais para ser verdade..."
"Levantou-se,
abriu as janelas de par em par e, debruçado sobre o parapeito, olhou as
estrelas. Voltou para dentro apenas o tempo suficiente para apagar a luz. Não
havia luar e assim o céu ficava mais bonito. Acendeu um cigarro, deu-lhe duas
baforadas e voltou a contemplar as estrelas. Com Amanda e Fred na cabeça, ia
falando consigo próprio. Aos poucos foi-se descontraindo no fumo do cigarro, na tentativa de ainda se lembrar do nome das constelações. Aquela é a Ursa
Menor, aquela a Cassiopeia, aquela o Cão Maior. Raios! Porque não se lembrou
antes disso? Fez um telefonema para Irina. Ela costumava ficar com o cão de
Fred quando este se ausentava."
PS. Passo agora a bola ao meu amigo Rogério, grande prosador. Tenho a certeza que nos surpreenderá.
segunda-feira, julho 30, 2012
1611. Palavras em verso
Por razões editoriais o poema foi retirado do blog e figurará na coletânea Palavras Nossas, Esfera do Caos, a editar em Novembro de 2012.
Vítor Fernandes (aka PreDatado)
Vítor Fernandes (aka PreDatado)
quinta-feira, julho 05, 2012
1610. Não sou apenas
Não sou apenas
Jogas-me como se eu fosse
Apenas uma carta de baralho
(ou um par de dados viciado).
Comes-me como se eu fosse
Apenas rico em proteína animal
(ou em vitamina cê).
Bates-me como se eu fosse
Apenas um saco de boxista
(ou uma indefeso ébrio e vagabundo).
Lambes-me como se eu fosse
Apenas uma pedra de gelo
(ou o resto de um prato de arroz-doce)
Mas abraças-me como seu fosse
Apenas o teu maior amor
(mas eu sou o teu milenário tronco de oliveira).
sexta-feira, junho 29, 2012
quinta-feira, junho 21, 2012
1608. Más práticas
Por esta imagem (tirada da minha janela) pode ver-se que o meus vizinhos não são exemplo para ninguém na utilização do ecoponto, mas a Câmara do Seixal e a Amarsul não são nenhuns arautos das boas práticas, deixando amontoar esta espécie de lixeira por semanas. E não reclamo só pelo mau aspeto e pelo mau ambiente. Reclamo também porque tenho o IMI e as taxas de saneamento e outras taxas autárquicas pagas e em dia.
segunda-feira, maio 21, 2012
1607. Passear no Minho
Desta vez
foi o meu filhote o culpado. No Natal passado ofereceu-nos uma smartbox com uma
escapada pitotresca de duas noites para usufruirmos de um merecido descanso, ou
melhor, de um merecido passeio. A oferta é variada e acredito com muito boas
propostas. Decidimo-nos pela Casa da Paz do Outeiro em Venade, Paredes de Coura
e em boa hora o fizemos. Não só porque tivemos a oportunidade de reviver o
lindíssimo Alto Minho no maravilhoso mês de Maio, mas também porque deparamos
com uma simpatia de receção e serviço a cargo da proprietária da casa a senhora
D. Aida Covas. E se não tivemos a sorte suprema com as condições meteorológicas
que teimavam em nos brindar com uma carga de água de cada vez que chegávamos a
um local a visitar, tivemos a gentileza de a nossa anfitriã nos ter alojado
numa bonita e funcional suite. A
decoração da casa, à boa moda da província, apresentando vários elementos
rústicos e de gosto pessoal e familiar o que nos fez sentir em casa mesmo a
quase 500kms de distância. Pena que não pudemos dar um mergulho na piscina. Não
pudemos é como quem diz. Há muito boa gente capaz de saltar, em mortal encarpado
com ou sem pirueta para uma piscina de água fria com 11º graus de temperatura
ambiente e a chover com abundância. Ou pior. Mas nós não fomos nisso e
preferimos o calor das lareiras. Bom a publicidade já vai longa mas é sincera.
Ficam algumas fotos, sem esquecer de dizer que no Minho se come muito bem. Muito bem mesmo.
terça-feira, abril 24, 2012
1606. Adeus Miguel
"Perdemo-lo e não o esquecemos" (Francisco Louçã).
Subscrevo as suas palavras, Francisco. Adeus Miguel.
Foto Visão Online
sábado, abril 21, 2012
1605. Coisas minhas
Somos
21 contistas. Talvez para alguns dos meus amigos seja novidade. Em Maio, a
editora Esfera do Caos publicará "CONTOS DO NOSSO TEMPO" . Aqui o
vosso amigo é um dos autores. Ainda não está definido o local do lançamento que
divulgarei oportunamente. Fiquem com a capa e espero que venham a gostar.
quinta-feira, abril 19, 2012
1604. Sacrifícios
Foi em 2002. Eu necessitava de me submeter a uma intervenção cirúrgica e para o fazer eram necessários alguns exames prévios. Um deles requereu ter de tomar de véspera uma mixórdia líquida, mais ou menos um copo de 15 em 15 minutos, o que me levou pouco mais de 4 horas a beber quatro litros da solução. Aquela coisa tinha um sabor a baunilha e entre as consequências, a mais evidente e a esperada foi a de saltar do sofá para a casa de banho mais ou menos ao mesmo ritmo com que era tomado e a outra foi a de ter ficado enjoado de baunilha durante vários anos. Nem bolos, nem gelados, nem sequer o cheiro fui capaz de suportar nesse período de nojo. Depois passou-me. Hoje repeti. Daqui a uns anos, quando for capaz de voltar a cheirar a baunilha eu aviso.
Nota: encontrei esta foto na net, mas não tinha referenciado o autor da mesma. Peço desculpa pela sua utilização sem os respetivos créditos.
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