Sr. Filipe, hoje vou
falar-lhe ao coração, para bem do meu e de alguns outros que provavelmente estejam sangrando tanto como o meu. Sr. Filipe eu até não o acho má pessoa ou assim, vá lá. Como sabe, a canção mais emblemática do nosso clube diz que o Glorioso
nunca encontrou rival neste nosso Portugal e eu estou com o Piçarra. Quer dizer, tirando o passivo que vai
continuando a crescer apesar dos milhões que o senhor faz a vender as joias da
nossa coroa, já começamos a rivalizar com aqueles que nem jogadores podem
comprar. E hoje, até aposto que se ler os jornais e as redes sociais vai ver
que começamos a rivalizar no anedotário desportivo com aqueles que para se
lembrarem do ano em que foram campeões têm de sintonizar a RTP Memória. Esta teve graça. Amei, amei, amei! Mas pronto, não acho que a culpa seja toda sua, se bem que ter tido seis
anos um treinador e mais dois outro que não ganharam um único campeonato (sim,
sim, não é gafe; quem ganhou foram os vouchers e os e-mails; na verdade ainda
não percebo porque é que aquele líder ex-gordo foi contratar o homem se bastava
mandar fazer umas caixinhas, meter lá dentro uma camisola de um violino e um
ticket-restaurant e já estava: campeonato no papo!), mas pronto você é que sabe se o Mr Magoo tem razão em dizer que os e-mails ganharam
campeonatos. Você e o rapazito da Amadora que apesar de tudo e de ser quase sempre corrido
da Champions sempre nos conseguia levar às finais da Taça UEFA, ele que nunca
se defendeu do seu, dele, atual presidente que lhe retirou o mérito das
vitórias trocando-as por um voucher e que também nunca se insurgiu contra o
velhinho lá de cima que amoroso que não há alternante que lhe resista e lhe troca os títulos por e-mails. Mas pronto esse já só faz parte da
história pois é a si presidente, meu presidente, capitão, meu capitão, em quem
votei e não no prof Marcelo que, diga-se de passagem, é muito mais amoroso, mas então o que é que se há de fazer se só você presidente
pode fazer algo pelo meu coração. E vou já direito ao assunto que eu não tenho
jeito nenhum para rodeios. Eu amo o Benfica e nunca fui sócio de
mais nenhum clube! Não deixe que este meu amor, este meu coração, ande assim
tão dilacerado. Mas se eu recorro a si é porque não sei mais a quem recorrer, a
não ser a Deus Nosso Senhor e Esse eu reservo para coisas fora das quatro
linhas. Vá ao prego, ou seja, lá onde for e recupere as joias. Ah e pelo caminho
veja também se encontra um treinador para a nossa equipa. É que este que lá temos é amoroso, mas não serve. Acho que ele ainda percebe menos de bola do que eu, mas eu
não estou contratável. Um xi-coração presidente Filipe.
quarta-feira, novembro 22, 2017
sábado, maio 06, 2017
1633. Gigantismo Vasconceliano
Joana Vasconcelos, é só um pequeno pedido: vá até ao meu banco e mexa na minha conta bancária. Se me prometer que a agiganta eu serei mais generoso do que os clubes de futebol com o Jorge Mendes. Pode ser?
PS.: Ah! Não vale fazer uns rendilhados e pronto,ok?
Segue em mensagem privada o meu NIB.
PS.: Ah! Não vale fazer uns rendilhados e pronto,ok?
Segue em mensagem privada o meu NIB.
sexta-feira, maio 05, 2017
1632. Falar autarquês
Lembro-me de, nos meus tempos de Liceu, ter morrido o filho
de uma contínua, por sinal muito querida dos alunos. No mesmo dia soube-se,
pelos jornais, de uma grande catástrofe
no Paquistão Oriental (hoje Bangladesh) que
ninguém, ou quase ninguém, na população estudantil do meu 4º ano de Liceu sabia
onde ficava, incidente recorrente em tempo de monção, que matou um número muito
elevado de autóctones, nas cheias pela intempérie causadas. Foi até proposto na aula de Português que fizéssemos
uma redação cujo tema seria "O acontecimento e a distância". Está visto
o sentido da proposta da professora. De facto não só nos tocou muito mais fundo
a morte prematura do jovem filho da empregada, com quem, por vezes brincávamos,
do que os milhares de mortos, feridos e desaparecidos numa região que, face aos
media da altura, ainda estava mais
longe do que a distância geograficamente medida.
Mal comparadas (como se diz na minha terra) as distâncias,
em termos autárquicos, o Porto, cidade muito nobre, leal e invicta, está para
mim tão longe como o Bangladesh. Eu vivo nos arredores de Lisboa, Lisboa
implica com a minha vida tanto como Almada e o Seixal e "brinca"
comigo como brincava, em termos de afetos, o filho da nossa contínua. Assim, as
eleições para a C M do Porto, não me aquecem, nem me arrefecem, estão longe, no
Paquistão Oriental e se não fosse a rádio, a televisão, a internet e as 30 mil
autoestradas paralelas que a ligam o Porto ao sul, se calhar eu só saberia onde
ficava pelo Século, pelo Diário de Notícias ou pelos comícios futo-incendiários
de um presidente de clube.
Perguntam vocês, com muita propriedade, porque é, que sendo
assim, eu aqui me refiro ao facto. E eu respondo, porque estou farto de cagões.
Isso mesmo. É que se em termos geográficos o Porto não se vê daqui (atenção
portuenses, amigos e não só, eu adoro a vossa cidade, mas uma coisa é uma coisa
e outra coisa é outra coisa), eu estou ainda mais longe do Rui Moreira do que
do Bangladesh. E se o senhor não quer o apoio do Partido Socialista é lá
consigo. É que quem sabe não seria o PS a boia de salvação para a monção que o
ameaça. E já não estamos tão longe do acontecimento como parece...
PS (post scriptum e não o outro): Ana Catarina Mendes,
porque no te callas?
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Eu é que sou o presidente da Junta
quinta-feira, novembro 03, 2016
1631. Falar "disciplinês"
No futebol inglês não há cá funfuns nem gaitinhas. O treinador José Mourinho contestou as decisões do árbitro no último encontro e foi expulso. Por isso levou um jogo de suspensão como castigo. Por ter feito o mesmo num jogo anterior com o Liverpool foi condenado a uma multa de 55 mil (cinquenta e cinco mil) euros. Mourinho aceitou as penas, sem contestar. Em Portugal, em Agosto deste ano, um treinador de um clube de futebol, onde consta aufere um salário próximo dos 8 milhões de euros anuais (assim tipo umas 16 vezes mais do que o presidente da CGD por quem barafustamos tanto), foi condenado a 765,00 euros (setecentos e sessenta e cinco euros), ou seja, trocos, pela Federação Portuguesa de Futebol num caso idêntico ao de José Mourinho e não foi suspenso, apesar de ter sido expulso como aconteceu a Mourinho. Ainda assim caiu o Carmo e a Trindade e ou muito me engano mas este post vai ser lido com raiva pelos "amigos" (circunstanciais, é certo) do tal treinador e se calhar merecedor de algum comentário de reprovação. Entretanto siga a bagunça, vamos lá todos para a rua ajudar a GNR a procurar um tal presumível homicida de Aguiar da Beira e a contestar o salário do gestor António Domingos porque a CGD, em relação ao futebol, não tem a mínima importância económico-financeira para o país.
PS. Por falar no homicida de Aguiar da Beira, ninguém se apercebeu de que a polícia norte-americana deteve em menos de 24h o homicida de dois polícias num tiroteio ocorrido anteontem no estado do Oiho?
segunda-feira, outubro 31, 2016
1630. Falar o halloweenês de fevereiro
Quem inventou o carnaval que se dane! Inventar um
carnaval num dia normalmente frio como o caneco e, raramente não chuvoso, com
os carros alegóricos de Ovar a Loulé, da Bairrada a Torres Vedras, de Sines a
Sesimbra, de Elvas ao Funchal, a desfilarem encharcadinhos, com aquelas meninas
de rabinho ao léu a tremerem de frio, com as matrafonas encharcadas até aos
culotes e mesmo assim a atirarem balões de água como se a que S. Pedro manda lá
de cima não fosse suficiente, os comerciantes a queixarem-se que "este
tempo é um desastre para o negócio", com os carnavais a serem adiados para
o domingo magro seguinte, quando na quarta feira anterior já se tinha feito
enterro do bacalhau e a malta toda a tirar fotografias entre cabeças nas multidões
e a ficarem nas fotos mais cabeças apanhadas
por detrás, algumas já carecas e tudo do que palhaços, matrafonas e cabeçudos com
as caricaturas do Passos, do Cavaco, do Pinto da Costa e de outras
celebridades, quem foi o inventor dessa treta que se dane, se bem que aqueles
rabinhos ao léu, mesmo molhados e tudo, não seja coisa para desprezar ainda que
a bota não bata com a perdigota, isto é, aqui não é o Brasil, não faz 40º em fevereiro
como no Rio de Janeiro onde, mesmo com chuva, nenhuma mulata tem frio no bumbum.
Então que se dane o inventor dessa coisa
chamada Carnaval, pois quem sabe da poda são os americanos e não fossem eles
umas doçuras que sairia logo aqui um post cheio de travessuras. Eles é que
sabem, Inventaram um carnaval em outubro e os tugas, ou seja, cá a malta, à
falta de um carnaval com calor em fevereiro, celebramos o halloween como se
fosse nosso, com 27º à sombra e viva o aquecimento global e vivam os states, já
agora com a Hilária em vez daquele Donald que cheira a Trampa e uma foto no FB com uma
abóbora na cabeça é bem mais gira do que as traseiras das cabeças da multidão a
olhar para cima e a atirar serpentinas e papelinhos, encharcados, está bem de
ver, às meninas dos carros alegóricos, vai não vai, empanados no meio das
avenidas, se não andas deixa os outros passarem, caraças, mas com a grafia do
norte. Pois bem, venham de lá essas selfies vestidas com fatinhos de esqueleto,
chapéus de bruxa e que engraçado, ninguém se lembra de substituir a abóbora por
um cartão moldado com as fuças do Costa, da Catarina ou Jerónimo que isso é no
carnaval, aqui não há bruxas para fazer mover a geringonça. Quem continua a
tentar embruxar isto tudo é o Passos, mas eu nem digo lagarto, lagarto, lagarto
que depois me chamam faccioso. Lá lá lá lá era eu a cantar, mas ainda bem que
aqui não se ouve e escapo de uma vassourada bem assente. Adeus e até ao próximo
halloween.
terça-feira, outubro 18, 2016
1629. Lunch Time Blog
É a Justiça, estúpido!
Uma mania, provavelmente parva, que tenho quando
almoço em casa é assistir a noticiários na televisão. Misturar uma posta de
cherne grelhada com uma salada mista ainda vá que não vá. Agora misturar um
branquinho da região de Palmela com pensões de alimentos, ou não me sabe bem o
vinho ou tenho uma náusea inesperada. Mas como eu gosto de cada coisa no seu
lugar, vamos lá por partes.
Senhor António Costa, senhor Jerónimo de Sousa, senhora
Catarina Martins, vamos lá ver se nos entendemos. Quando eu voto num partido político
para que só, ou em coligação, mesmo que parlamentar e geringonciamente tática,
venham a formar governo, não transporto para a urna de voto nenhuma paranoia
"deficitária". Isto é, o orçamento e o déficit não são as minha metas, se bem que não deixe de lhes dar o
relevo que devem merecer. Como diria Jorge Sampaio, nosso PR já ex, «há mais vida para lá do déficit». E é por isso, meus caros
condutores de uma geringonça, que eu estimo e apelo para que se não desmantele,
que vos digo que o vinho do almoço, não me caiu nada bem. Nem a bela manga, de
avião, dizem eles, esta agora dos aviões darem mangas é que me deixa perplexo,
que comi de sobremesa, me impediu que tivesse tido ido à náusea. Felizmente que
as minhas gatas estavam de barriga cheia, quando não teriam vindo a miar em meu
socorro.
E então, para que o "vamos lá por partes"
se complete, eu sou todo olhos, ouvidos, nariz e tatos, pontas dos dedos
incluídos, para as políticas de saúde, de educação, de planeamento territorial,
de economia, de finanças, de justiça e isso, está bom de ver, para além de
outras. E se a porca torce o rabo em algumas destas matérias, na Justiça,
coitadinha da porca, torce-se toda como se estivesse tomada pelo demo. Se
calhar até é por isso que nem judeus, nem muçulmanos partilham do gosto pelo
belo toucinho, como eu partilho, se calhar é mesmo porque a porca da justiça,
ai perdão, porque a porca torce muito mais do que o rabo no que diz respeito à Justiça. Ia o meu garfo no ar com uma bela lasca do cherne, aloirado pelo calor
da chapa, e que nem proveitinho me fez, porque se estava de boca aberta para a
receber, assim fiquei, largos segundos, como que possuído. Então não é que
passava na televisão a notícia de que uma mãe estava há 20 anos (eu vou repetir,
por extenso, para que não fiquem dúvidas), há vinte (!!!) anos à espera da pensão de
alimentos para um filho? Bom isto já seria motivo para que o cherne não mais
entrasse na boca. Mas como os nossos gestos são reflexivos, o Pavlov explicará
isso melhor do que eu, a garfada invadiu-me o palato, depois a faringe e em vez
de se dirigir ao esófago, caiu-me no goto. Tossi, tossi, tossi e estava eu
neste meu tossir engasgado, quando ouvi o jornalista dizer que o Tribunal de
Menores de Torres Vedras informou o canal de televisão de que o processo estava
a decorrer nos prazos normais. Normais (!), leram bem? Noutras circunstâncias
teria desatado a rir, mas nesta apenas vos posso dizer que passei da tosse convulsiva
à náusea.
Vá lá senhora Ministra da Justiça, faça coisas
bonitas, vá lá. Se não, é tudo a dizer mal da geringonça e ainda vamos ouvir
esta gente a dizer que os donos dos patrimónios imobiliários de luxo, apesar
das cristas levantadas, pagam agora menos com este novo IMI da Mortágua do que
com o imposto de selo do Sócrates/Coelho. E se calhar é verdade, não é?
Desvie-lhes a atenção e ajude a que a nossa Justiça passe a funcionar. Era cá
uma finta, que qual Messi, qual Ronaldo...
PS. Obviamente que a Florinha e a Charline, as minhas
gatas de estimação, me disseram que isso passava melhor com um copinho de água,
mas eu teimei no branco de Palmela. São gostos...
1628. Lunch Time Blog
É a Justiça, estúpido!
Uma mania, provavelmente parva, que tenho quando
almoço em casa é assistir a noticiários na televisão. Misturar uma posta de
cherne grelhada com uma salada mista ainda vá que não vá. Agora misturar um
branquinho da região de Palmela com pensões de alimentos, ou não me sabe bem o
vinho ou tenho uma náusea inesperada. Mas como eu gosto de cada coisa no seu
lugar, vamos lá por partes.
Senhor António Costa, senhor Jerónimo de Sousa senhora
Catarina Martins, vamos lá ver se nos entendemos. Quando eu voto num partido político
para que só, ou em coligação, mesmo que parlamentar e geringonciamente tática,
venham a formar governo, não transporto para a urna de voto nenhuma paranoia
"deficitária". isto é, o orçamento e o déficit não são as minha metas, se bem que não deixe de lhes dar o
relevo que devem merecer. Como diria Jorge Sampaio, nosso PR já ex, «há mais vida para lá do déficit». E é por isso, meus caros
condutores de uma geringonça, que eu estimo e apelo para que se não desmantele,
que vos digo que o vinho do almoço, não me caiu nada bem. Nem a bela manga, de
avião, dizem eles, esta agora dos aviões darem mangas é que me deixa perplexo,
que comi de sobremesa, me impediu que tivesse tido ido à náusea. Felizmente que
as minhas gatas estavam de barriga cheia, quando não teriam vindo a miar em meu
socorro.
E então, para que o "vamos lá por partes"
se complete, eu sou todo olhos, ouvidos, nariz e tatos, pontas dos dedos
incluídos, para as políticas de saúde, de educação, de planeamento territorial,
de economia, de finanças, de justiça e isso, está bom de ver, para além de
outras. E se a porca torce o rabo em algumas destas matérias, na justiça,
coitadinha da porca, torce-se toda como se estivesse tomada pelo demo. Se
calhar até é por isso que nem judeus, nem muçulmanos partilham do gosto pelo
belo toucinho, como eu partilho, se calhar é mesmo porque a porca da justiça,
ai perdão, porque a porca torce muito mais do que o rabo no que diz respeito à
justiça. Ia o meu garfo no ar com uma bela lasca do cherne, aloirado pelo calor
da chapa, e que nem proveitinho me fez, porque se estava de boca aberta para a
receber, assim fiquei, largos segundos, como que possuído. Então não é que
passava na televisão a notícia de que uma mãe estava há 20 anos (eu vou repetir,
por extenso, para que não fiquem dúvidas), há vinte (!!!) anos da pensão de
alimentos para um filho? Bom isto já seria motivo para que o cherne não mais
entrasse na boca. Mas como os nossos gestos são reflexivos, o Pavlov explicará
isso melhor do que eu, a garfada invadiu-me o palato, depois a faringe e em vez
de se dirigir ao esófago, caiu-me no goto. Tossi, tossi, tossi e estava eu
neste meu tossir engasgado, quando ouvi o jornalista dizer que o Tribunal de
Menores de Torres Vedras informou o canal de televisão de que o processo estava
a decorrer nos prazos normais. Normais (!), leram bem? Noutras circunstâncias
teria desatado a rir, mas nesta apenas vos posso dizer que passei da tosse convulsiva
à náusea.
Vá lá senhor Ministro da Justiça, faça coisas
bonitas, vá lá. Se não, é tudo a dizer mal da geringonça e ainda vamos ouvir
esta gente a dizer que os donos dos patrimónios imobiliários de luxo, apesar
das cristas levantadas, pagam agora menos com este novo IMI da Mortágua do que
com o imposto de selo do Sócrates/Coelho. E se calhar é verdade, não é?
Desvie-lhes a atenção e ajude a que a nossa Justiça passe a funcionar. Era cá
uma finta, que qual messi, qual ronaldo...
PS. Obviamente que a Florinha e a Charline, as minhas
gatas de estimação, me disseram que isso passava melhor com um copinho de água,
mas eu teimei no branco de Palmela. São gostos...
quinta-feira, setembro 15, 2016
1627. Lunch Time Blog (revisited). Favas com futebol.
Cheira-me lá dentro à morcela e à cacholeira, às ervas aromáticas
e ao entrecosto no estrugido que promete. As favas estão quase a invadir a
panela e dou uma vista de olhos pelos jornais desportivos. Como não sou
masoquista, quase só leio as "gordas". Não sou um saudosista, mas
tenho saudades. Lembro-me de Carlos Miranda, de Aurélio Márcio, de Carlos
Pinhão, de Alfredo Farinha e comparo-os, dececionado, a escribas de hoje em
dia. Meu Deus quanta diferença. Bem sabemos que hoje há mais canais de
televisão que as mães que os pariram, mas como era belo ler uma crónica de um
jogo que não vimos e estarmos "lá dentro" do próprio jogo. E no momento
do golo escrito nos apetecer gritar goooollllooo a plenos pulmões, mesmo quando
esse golo já tinha acontecido vinte e quatro horas antes. Que pena a imprensa
desportiva escrita ter descaído tanto e agora, para vender jornais, se decida
pela opinião escrita de adeptos famosos (adeptos a quem a televisão deu fama,
mesmo que advenha de minutos consecutivos a insultarem-se uns aos outros). Mas
hoje, neste LTB ainda consegui sentir o perfume da pena de Santos Neves, não
sei se inebriado pela sua escrita inteligente e assertiva se num misto de
palavras com o aroma de umas favas com entrecosto numa tarde que se apresenta
com menos 15 graus 15, que a tarde homónima de há uma semana atrás. Cheira-me a
favas com entrecosto, cheira-me a outono, que quase me bate à porta e só já me
falta escolher o vinho. Os jornais desportivos estão já arrumados, daqui a
pouco é hora de reler Saramago, de preparar mais umas aulas de fotografia. Acho
que vai ser alentejano. Regional, que os enchidos também o são! Só o meu
Schubert não me fará companhia neste novo LBT. Partiu há mais de dois anos e
será lembrado por muitos mais. Quanto ao Lunch Time Blog, se o ou os governos
não aplicarem um imposto direto sobre quem escreve blogs, talvez eu venha a
(re)tomar-lhe o gosto. Desculpem partir assim, repentinamente, mas já tenho o
almoço na mesa.
PS. Ainda há tempo para um PS. O Schubert era o meu gato
siamês. Era lindo!
segunda-feira, julho 18, 2016
1626. Roast
Costumo
achar, como se diz agora noutras linguagens que não vêm a propósito, que tenho um
critério muito largo no que respeita ao humor. Chego mesmo, por vezes, a
sentir-me isolado ou deslocado quando esboço um sorriso enquanto os outros que
me estão perto parecem estar num velório. Não admira pois que ainda hoje,
apesar de ter visto dezenas de vezes as mesmas cenas, "parta o coco"
a rir com Vasco Santana, com António Silva, com Ribeirinho e que, a imagem do
eterno compère Eugénio Salvador me seja,
também, tão presente. Raul Solnado é
para mim (a expressão ainda se não usava nessa altura) o melhor ator em
stand-up comedy que alguma vez vi e ouvi e o grande José Viana o homem a quem
melhor escutei a contar uma anedota. Não por ser intelectualmente correto
dizê-lo, mas porque não me revejo em anedotas contadas como sketchs televisivos, não faz parte das
minhas preferências o humor tipo «Malucos do Riso», pese embora o meu anunciado
critério largo, confessando, no entanto, que em um ou outro momento tenha soltado
uma gostosa gargalhada. Nunca conheci um comediante "tão sério" como
Mário Viegas e ainda hoje não ouvi ninguém ler um poema de Mário-Henrique
Leiria como ele em que não sabemos se havemos apenas rir ou, em alternativa,
chorar a rir. Herman José fez-me, durante muitos anos, sentir apaixonado
pelos seus programas de humor e até com os
Gato Fedorento ri a bom rir (já sei que vou levar porrada de alguém). E vi
também aparecer em programas mais recentes (?) como o «Levanta-te e Ri» alguns
personagens que me alegraram os serões televisivos, como o Bruno ou o Serafim.
Vem este
relambório a propósito de uma coisa que ontem passou na SIC Radical, chamada «Roast».
Já sei que a resposta ao que vou dizer é que só vê quem quer, quem não quer
muda de canal. Mas isso é treta. Então nunca poderia haver crítica. Toda a
gente mudaria de canal quando a coisa não prestasse (ou não gostasse) e,
pronto, mandava-se às urtigas a análise crítica e o direito à opinião contrária.
Felizmente tenho bom estômago e não vomitei durante o programa. Consistia
aquela coisa (chamo-lhe coisa porque não consigo arranjar um adjetivo
qualificativo para aquilo) em apresentadores e criadores de programas da SIC
Radical aproximarem-se do microfone para falarem mal dos colegas presentes,
embora também o tenham feito de ausentes, pretendendo ter piada nas suas
apreciações. O que se assistiu foi a um rol de ordinarices em que quase todos
referiam que cada um dos outros e das outras só tinha conseguido um programa na
SIC Radical porque passavam o tempo a fazer bobós ao seu diretor ou a dar-lhe o
rabo. E isto ainda era, talvez, o menos ofensivo. E os outros que depois viriam
insistir na mesma tecla quando chegava a sua vez riam feitos papalvos destas
insinuações, fazendo até crer o espectador que poderia ser verdade. Houve então
um que saiu na rifa aos restantes colegas e passou a noite toda a ser apelidado
de paneleiro e sempre com um sorriso na cara. Culminava a apresentação com cada
um a falar mal da própria SIC Radical, provavelmente na única verdade que diziam,
pois o resto era pressuposto ser apenas piada (?????), referindo que a SIC
Radical havia batido no fundo. Recuso-me referir os nomes dos protagonistas
para não propagandear tão baixa qualidade mas abro duas exceções. A primeira é
para a blogger Pipoca Mais Doce . A senhora
até escreve umas coisas giras, conseguiu uma legião de fãs, tem, provavelmente,
o blog mais lido na blogosfera, é profissional contratada por várias marcas,
ganha uma pipa de massa assim, aceito, obviamente, que merecidamente e esteve
menos mal na apreciação dos companheiros, não caindo na ordinarice pura e dura, malgré não ter resistido a chamar puta a
uma outra que lá estava. Acho que a Ana Garcia Martins não precisava de ter
aceitado aquele convite, mas da carteira de cada um, cada um é que sabe e é lá
com ela. A outra para o diretor da SIC Radical, um tal Boucherie que é mais
conhecido por ser júri no programa «Ídolos» e ter gozado com a deficiência de
um concorrente efetivamente deficiente do que por ser diretor daquele canal do
cabo. E refiro-me a ele porque fiquei com a impressão de que ele não estava nada envergonhado
com aquilo a que assistiu. Se fosse eu o diretor, apesar do meu estômago ser
bastante resistente era capaz de ter levado um baldinho comigo. É que ao vivo e
a cores não sei se conseguiria resistir ao vómito.
quinta-feira, novembro 12, 2015
1625. A privatização da TAP
O lado para o qual me deito melhor é o de
considerarem esta minha opinião de esquerda ou de direita. Posto isto, afirmo
que a minha convicção é de que uma companhia aérea comercial não me parece
estratégica para a economia e desenvolvimento de um país. Nem que esse país se
chame Portugal e tenha relações (hoje em dia relevadas pelo PR na constituição
do governo) privilegiadas com a CPLP e nas suas rotas inclua Moçambique,
Angola, Guiné e por aí fora... e, se calhar também a Guiné Equatorial que o
(ainda) governo atual colocou no mapa
dos países lusófonos. Uma empresa que tem mais de 100 milhões de prejuízos
anuais, quanto mais depressa um governo se ver livre dela, melhor. E a mais um governo (e outros anteriores) que
deveriam corar de vergonha por pagarem salários principescos (quantos salários
mínimos isso dá, quantos?) a gestores de uma companhia que acumula, ano após
anos, prejuízos. Até abriria um parêntesis para dizer que se alguém a compra
não será para perder dinheiro, antes pelo contrário e que, como consequência,
porá no olho da rua todos estes gestores incompetentes. Se o não fizer e a TAP
passar a dar lucros então o que o próximo governo tem de fazer é colocar os
atuais gestores em tribunal por eventual boicote à economia nacional. Mas posto
isto, o que me leva hoje a escrever este post não é facto de eu achar que a TAP
deve ao não deve ser privatizada. Já dei isso de barato. O que eu quero chamar
a atenção é para o oportunismo e falta de caráter de um governo demitido
avançar com este processo à revelia de uma nova maioria parlamentar que o
relegou para fora das portas de S. Bento. É que nesta política de vale tudo não
sobra vergonha na cara a estes descarados. As metas do deficit justificam isto? E a dignidade
de quem quer ser, aos olhos dos outros efetivamente digno, hein? Não vale nada?
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Eu é que sou o presidente da Junta
sexta-feira, maio 01, 2015
1624. O direito à greve
O direito à greve foi, em quase todo o mundo e em
Portugal apenas após o 25 de abril de 1974, uma conquista dos trabalhadores. É
bem provável que mais de metade dos trabalhadores portugueses de hoje nunca
tenham trabalhado antes do 25 de abril de 1974 ou que já tenham nascido com
este direito adquirido, alguns dos quais sem lhes passar pela cabeça que este
direito já custou muito sangue, muito suor e muitas lágrimas. Sou totalmente
contra aqueles que afirmam que este direito deve ser usado
parcimoniosamente. A greve deve ser
usada como uma arma de quem trabalha contra as agressões de que são vítimas
enquanto trabalhadores, agressões ao seu direito ao trabalho, ao seu direito a
uma remuneração justa e até ao seu direito ao descanso.
Vem este meu texto hoje, a propósito das duas
greves anunciadas para, ou a começar, no dia 1º de maio, dia do Trabalhador num
grande número de países do mundo. A greve dos pilotos da TAP e a greve dos
trabalhadores do comércio. Se à greve dos trabalhadores do comércio está para
mim fora de questão não lhe dar o meu total apoio, dada a justeza das reivindicações,
já em relação à greve dos pilotos da Tap tenho a maior das reservas. No
entanto, é esperado que uma e outra tenham níveis de adesão e até mesmo motivos
para a não adesão completamente diversos.
Os trabalhadores do comércio convocados foram os
das grandes superfícies de distribuição. Está condenada à partida, quer ao
nível da adesão, quer ao impacto mediático. O impacto mediático está
praticamente reduzido a zero dada a simultaneidade com a greve dos pilotos da Tap
e do que esta representa parece representar para a privatização anunciada. Mesmo
os critérios jornalísticos, que é uma direção para a qual não vou agora
intensamente disparar não estão para aí virados. O que é isso de relevante de licenciados
em relações internacionais ou em patologia forense, ou apenas com o
"miserável" 12º ano, estarem a
ganhar 2,00 € por hora em lojas dos centros comerciais? Se é para falar em miséria que se façam
reportagens na China, na Coreia do Norte ou em Cuba...
"Mas os trabalhadores do comércio também não
aderiram à greve", poderá, quem lê, argumentar. Pois, não! Reitero eu.
Caminha-se a passos largos para a destruição dos direitos conquistados pelos
senhores do capital com a conivência dos governos democraticamente eleitos.
Quem é que, mesmo ganhando miseravelmente, com contatos precários de 3 e 6
meses (falaram-me já de casos de contratos mensais), com quase 1 milhão de
desempregados à espera e bocas em casa para sustentar, estudos para pagar,
medicamentos, muitos destes trabalhadores andam a trabalhar doentes, vidé o
comunicado do sindicato, transportes, vestuário e renda de casa, se pode dar ao
luxo de ceder o seu lugar a outro? Nem que morram no posto de trabalho, não
"poderão" fazer greve.
Quanto à greve dos pilotos são outros quinhentos.
Mas essa é amplamente debatida nos media.
Miguel Torga escrevia no seu Diário, em 1946. O
Portugueses são imbecis ou por vocação, ou por coação ou por devoção.
A atender às sondagens, por devoção não tenho
dúvida. Como por vocação é tão evidente que nem vale a pena argumentar,
resta-me dizer que sob coação, se calhar, até eu sou português.
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O país do carnaval,
Política e não só
terça-feira, novembro 05, 2013
1623. Não havia necessidade
Durante alguns anos, após a inauguração do metro do sul do
tejo na região de Almada, a ex-presidente da Câmara criou uma zona pedonal numa
área nobre da cidade, nomeadamente, o eixo central desde a praça S. João
Baptista até, aproximadamente, metade da
Av. D. Afonso Henriques. Na verdade não era totalmente reservada a peões, havia
via aberta para algumas carreiras de autocarros, táxis, veículos em marcha de
urgência e os chamados veículos autorizados. Aqui d’El Rey, gritaram os
comerciantes e alguns outros que não tendo nada a ver com o comércio, faziam
coro ideológico contra a Câmara Municipal de Almada (CMA). E Aqui d’El Rey que
as alterações feitas tiravam a frequência dos clientes às lojas por ausência de
estacionamento e de passagem pelas montras, etc. e tal e mais um par de botas e
um conjunto de imbecilidades, perdoem-me a franqueza. Não sei por que razão, se
tática ou se de falta de coragem ou mesmo falta de convicção numa solução que
fazia parte integrante da mobilidade reconhecida internacionalmente, vejam os
prémios recebidos, caraterística da cidade de Almada. Hoje o “canal está aberto”,
a circulação pedonal é um perigo e uma aventura para corajosos, misturam-se
zonas de passeio com faixas viárias (já assim era, na verdade, mas com um
número muito reduzido de veículos) e um estacionamento anárquico. Vou desde já
pedir ao Exmo. Presidente Dr. Joaquim Judas, pessoa por quem nutro estima, para
que arrepie o caminho entretanto traçado e volte à fórmula antiga dos veículos
prioritários. Porque o comércio no centro de Almada continua às moscas, é
penoso o número de lojas fechadas e os que gritavam por esta solução hoje
parecem bem mais calados porque se calhar ainda estão a engolir a própria
gritaria. Deem uma voltinha pelo centro de Almada e confirmem. É que enquanto
houverem zaras e pulls e outras âncoras
espanholas em grandes superfícies comerciais, só se safam as lojas de chineses
no chamado comércio tradicional. E não me venham com o tratamento personalizado
e de proximidade que eu já não ganho para isso.
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Eu é que sou o presidente da Junta
sexta-feira, setembro 27, 2013
1622. Eu vou votar
Antes que comece o período de reflexão, tenho de mandar cá
para fora as minhas mágoas. Estou num pentalema ou mais, porque isto já não é
dilema, nem trilema nem o raio que o parta. Já recebi na minha caixa do correio
as listas de todos os principais partidos em jornais, brochuras ou flyers e dos que não recebi vou olhando para os
outdoors e para os mupis. Oiço dizer que
nas Autárquicas o que interessa são as pessoas, normalmente dito pelos partidos
que estão à rasca. Tenho de vos dizer que nem nas listas da CM, nem nas da AM nem
mesmo, estas que deviam ser das pessoas mais pertinho de mim, da Junta de Freguesia,
não conheço uma única pessoa. É obra. Bem sei que o Concelho tem mas de 180 mil
habitantes, mas eu conheço pelo menos 3 mil deles. Nenhum nas listas? Bolas!
Bom, tendo em conta que o PCP mais uma vez ganhou estas
eleições, que o PS mostrou aos portugueses que este governo não tem futuro, que
o PSD vai dizer que esta votação não pode ser confundida com o mandato que
recebeu dos portugueses para governar, que o CDS vai dizer que onde há lavoura,
as pessoas não esquecem quem lhes quer bem, apesar de não estar muito
satisfeito com Ponte de Lima, que o BE vai dizer que Salvaterra de Magos é o
exemplo da justeza da sua política anti-piropos e quiçá anti-touradas, que o
MRPP voltará a dizer que se não fosse as pessoas confundirem a foice e o
martelo no símbolo da CDU teria ganho muitas câmaras, principalmente no
Alentejo, vejo-me na obrigação de declarar que não voto em independentes. Eles
são independentes de quem? E se correr bem para eles mas mal para as populações
vamos penaliza-los como? Não votando no partindo independente?
Ufa! Isto já não é um pentalema. Isto é uma confusão do
caraças. Mas uma coisa é certa. Vou votar. Não dou a chance a ninguém me dizer,
“não faz mal, eu votei por ti”.
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sexta-feira, setembro 13, 2013
1621. Eles andam literalmente a cavar a sua própria sepultura
Hoje vou-vos
contar uma coisa que sei que ninguém vai acreditar em mim. Vão todos dizer, “pode
lá ser, estás a pintar, a ZON não trabalha assim, etc e tal”. Pois eu juro por
tudo quanto é sagrado que isto é verdade. A ZON tem um produto que se chama SPORTV
Multiscreen que permite a um cliente ver a Sportv em duas boxes em sua casa. Eu
tenho a Sportv há muitíssimos anos e pago por isso 26,79 € por mês. Segundo a
ZON isto é porque eu beneficio de um voucher que me permite pagar este preço e
não 29,35€ que é o custo normal. Seja como for eu solicitei que me ativassem a
segunda box, tendo dado quer o número de série da box, quer o do cartão. Mas
eles ainda não ativaram porque dizem que têm um problema informático por causa
do tal voucher. E é aqui que eu acho que vocês não vão acreditar em mim. É que
eu pedi a ativação da Sportv Multiscreen no dia 24 de Agosto. Há portanto 21
dias ou seja 3 semanas! Alguém acredita que a ZON ainda não o tenha feito? Só
posso estar a mentir não é? Eu acho que a ZON está a querer, com o meu caso,
bater o record das listas de espera dos hospitais. Acho, sim.
sexta-feira, junho 14, 2013
1620. A descapitalização previsível da Segurança Social
O senhor F. foi, em meados dos anos 90, contratado
para exercer determinadas funções na empresa E. Na altura negociou o seu
salário, enfim, as partes estavam de acordo, estava na média para as funções
exercidas numa empresa da dimensão da referida. O que iria auferir era composto
por duas partes. Um salário que constaria como oficial, sobre o qual recairiam
os descontos para a Segurança Social e o IRS à tabela, recalculado anualmente
como ainda hoje se faz. O patrão pagaria, sobre esse salário, a sua quota-parte
para a Segurança Social. A segunda parcela da sua remuneração era constituída
por um conjunto de mordomias que segundo soube constaria de subsídio de almoço,
subsídio para telefone fixo (na verdade a conta telefónica), subsídio de
combustível, cartão de crédito com um determinado plafond, telemóvel, automóvel
de serviço com todas as despesas pagas (seguros, manutenção, parqueamentos) e
uma panóplia de ajudas de custo quando das deslocações em serviço (viagens, hotéis,
refeições, etc). Não sei se havia mais, o caso é antigo e não me recordo de
tudo quanto soube. Tudo isto que aqui relato era e parece-me que ainda é,
absolutamente legal. Mas também tanto
quanto soube estes valores de mordomia aproximavam-se do montante do salário
oficial.
Sendo assim o empregado tinha uma vantagem, mas
corria dois riscos. A vantagem era a de que pagaria apenas impostos e taxas
sobre o salário oficial. O primeiro risco era a arbitrariedade que ficava na
mão da entidade patronal de, quando lhe aprouvesse, eliminar alguns ou todos
estes complementos remuneratórios. O segundo era o de, no futuro, quando este
trabalhador se reformasse, o cálculo da sua pensão seria feito na base oficial
declarada e não sobre os outros montantes que não constituíam salário. A
entidade patronal, que atuava estritamente dentro da legalidade, não corria
nenhum risco, antes pelo contrário tinha uma vantagem. A sua contribuição para
a Segurança Social era cerca de metade daquela que teria de fazer se toda a
componente de mordomias fizesse parte do salário.
Mais tarde, vim a saber que a empresa e o
trabalhador, fazendo os ajustes necessários devido ao acréscimo de IRS de taxa
para Seg. Social que recairiam sobre o trabalhador, acordaram no englobamento de algumas daquelas mordomias no salário. Ficaram a ganhar o empregado que embora
possa ter perdido algum rendimento no imediato passou a ter uma perspetiva de
uma velhice com uma pensão condigna e o Estado que passou a receber mais
Impostos e mais contribuições para a Seg. Social. Quanto à empresa uma vez que
a sua contribuição ao nível de TSU aumentou deve ter tido outras vantagens que
desconheço ao ter acordado neste processo de integração.
Hoje em dia, este Governo ao confiscar
descaradamente as pensões e reformas, reduzindo-as a seu bel-prazer e ao da
troika que nos asfixia, está a dizer aos novos trabalhadores que o melhor é
tirarem o cavalinho da chuva em relação às pensões que pensem vir auferir no
futuro. O que o Governo está a dizer é para que os empregados e os patrões
utilizem o estratagema que eu relatei no início. Está a promover a
descapitalização da Segurança Social e a potenciar a diminuição de receita no
IRS. E segundo percebi do que ouvi hoje da Senhora Presidente do Conselho de
Finanças Públicas, Dra. Teodora Cardoso, isto irá começar em breve, se é que
não está já em marcha. Este governo está a destruir Portugal.
domingo, maio 05, 2013
1619. Dia da mãe
Hoje estou feliz, Mãe.
Estou muito feliz.
Eu que te ouvi (e ainda oiço)
Chorares a tua,
Eu que hoje ouvi (e ontem também)
O meu amigo chorar a sua,
A minha amiga chorar a dela,
Mãe, tenho medo
(muito medo)
De um dia me juntar a eles
Para te chorar também.
Hoje estou feliz, Mãe.
Muito feliz
Porque te tenho
E te quero ter,
Sempre, Mãe.
Vítor Fernandes
05.05.2013
terça-feira, março 26, 2013
1618. Quero lá saber
(foto i-online)
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Eu é que sou o presidente da Junta
quarta-feira, fevereiro 20, 2013
1617. Vá lá, não custa nada
O Parque da Paz em Almada é, para mim, um dos locais mais
agradáveis da Cidade de Almada. Um parque que tem manutenção diária
(infelizmente pouca vigilância) é rico em variedades vegetais, várias centenas,
bem acompanhada por fauna de penas que é um regalo admirar. Pais e filhos, avós
e netos, gente de todas as idades, etnias e naturalmente credos, creches
infantis, caminhantes, corredores, ciclistas, todos desfrutam de local fresco
e, acima de tudo, despoluído. Infelizmente no melhor pano cai a nódoa e é com
pesar que noto que os detritos que vêm da correnteza passam semanas sem serem
recolhidos. Para quem faz um trabalho de tanto mérito na manutenção poderia, de
vez em quando, fugir ao “trabalho programado” e limpar toda esta porcaria
acumulada. Nós, os utentes, os que gostamos de Almada, agradecemos.
domingo, fevereiro 03, 2013
1616. Não me perguntaram o nome do gato
Vivemos num país de robots atrasados mentais. Alguns deles com licenciatura e outros com mestrado ou PHDs. O nosso primeiro-ministro àqueles que não consegue fazer emigrar, envia-os para os Call Centers. E é assim que, seguindo as normas e procedimentos escritos por inteligências americanizadas, desenraizadas culturalmente, que para simples operações telefónicas nos fazem vomitar toda a identificação pessoal desde o nome, morada, código postal, BI, NIF,telemóvel, telefone fixo, nome dos progenitores, dos avós e dos bisavós, número de sócio do Benfica ou de outra coisa qualquer, cor do cabelo, dos olhos, das cuecas até oa tamanho do sutiã da vizinha do oitavo direito, lá nos dão a informação que pretendemos. Vá lá, não me perguntaram o nome do gato. Hoje quase que ia tendo uma congestão, mal empregadinho almoço que me caiu tão bem. Ao ligar para ativar a renovação do cartão de crédito de uma certa instituição bancária cujo nome nem digo por pudor e da qual sou possuidor de cartão de crédito há mais de 9 anos, sempre com os mesmos dados, inclusivé a cor das cuecas e já DEPOIS de me terem ativado o novo cartão, o operador do call center saiu-se com uma destas «Sr. Vítor vou ter que lhe desativar de novo o cartão, até que nos mande um comprovativo de morada porque quando lhe perguntei os dados o senhor disse-me que morava em CORROIOS e eu tenho aqui CORROLOS". Só não me desatei a rir porque não sei se o gajo estava a usar uma bola vermelha do nariz e a testa pintada de branco. Aliás é Carnaval e eu não devia levar a mal. Então os gajos digitam CORROLOS há mais de 9 anos e querem que eu vá corrigir o ERRO DELES sob pena de me desativarem o cartão? Mas esta gente acha que os procedimentos americanos escritos por uma qualquer troika com "escurinhos" ou não, são mais importantes do que a Bíblia? Dei-lhes logo com o Novo Testamento na cara: «Meu amigo, isso vai-me dar uma grande trabalheira. Vou ter de lhe mandar um certificado de residência, para si, para o Banco de Portugal, para a Deco, vou ter de vos denunciar na Internet com nome de banco e tudo e no fim desisto do vosso cartão. Ou em alternativa e uma vez que me avisaram que a conversa está a ser gravada vou exigir que me passe ao seu diretor». Ao fim de alguns momentos o assunto estava ultrapassado. O mentecapto que me atendeu, não sei doutorado em quê porque não lhe perguntei, ainda teve o descaramento de no fim disto tudo me tentar "vender" dinheiro a 19 virgula tal porcento de juro ao ano. Mas também vos digo. Se o gajo me tivesse perguntado o nome do gato eu tinha-o mandado levar na cloaca.
quinta-feira, janeiro 03, 2013
1615. Sete facadas e carapaus de escabeche
A não perder.
É já amanhã, dia 4 pelas 21h00 na Popular FM em 90.9MHz que será entrevistado o autor de Sete facadas e carapaus de escabeche. Quem não conseguir sintonizar pode escutar em direto no site da Popular FM.
http://www.popularfm.com/
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