quarta-feira, julho 18, 2018

1635. Lunch Time Blog

No tempo em que criei a minha série Lunch Time Blog tinha um gato e escrevia um post à hora do almoço. Escrevia-o depois de almoço, depois de me repastar com a comida que a Fátima, que era a minha empregada, me preparava, de ter visto as notícias da hora do almoço, mas antes da sonolência a que a barriguinha cheia convida. O meu gato era o Schubert que partilhava comigo as histórias e tinha muitos comentários, não eu, nem o post, mas sim o Schubert. Era no tempo em que púnhamos no blog, se calhar ainda agora poem, pois parece que quem tem muitos acessos passa a ter revenue por isso, publicidade paga, patrocinadores, que enfastiam os leitores que aos poucos também acabam abandonando as leituras. Hoje em dia, há pessoas que profissionalmente são bloggers (e youtubers e facebookers e twiteiros e tal), outros saltaram dos blogs para a política (do que eu me livrei) e alguns para belos tachos como comentadores em jornais, revistas e televisões (a massa que eu tenho andado a perder). Mas enfim, nunca fui dos mais lidos, também nunca fui dos mais assíduos na arte de publicar, coisas boas ou banalidades, nunca vos mostrei as fotos, nem publicitei, os meus ténis cor-de-rosa choque que comprei para condizer com uma camisa que uma prima minha me trouxe da América (antigamente o pai dela trazia-me gravatas floridas), nem vos dei a receita de pastelinhos de chicharro com queijo de azeitão, receita minha, fazendo assim jus à nossa península de Setúbal, nem sequer fui muito cáustico com o Sócrates, quer dizer fui, mas como o coitado agora, apesar de ser uns bons milhões mais rico, anda um bocado pelas ruas da amargura, eu digo que não fui porque nunca bato em ninguém caído no chão. E pronto, como já leram, estou cheio de inveja das Pipocas e dos Mexias e dos RAPs e de outros, claro, já não falo do Pacheco porque ele era maoísta e portanto nunca precisou de ter um blog para poder um dia vir a ser alguém na política, e pior ainda nunca me inscrevi num partido político, ou vá lá, num daqueles partidos que distribuem jobs, então nunca tive assim tantas visitas por aí além. Mas o pior de tudo foi ter morrido o meu Schubert, o meu querido e saudoso gato siamês. O Lunch Time blog devia-lhe tanto a ele. Vamos a ver se consigo voltar aonde já fui feliz.

PS. A minha mulher, entretanto, aposentou-se e a Fátima já cá não trabalha. Agora os almoços são feitos a meias entre mim e a Maria José, mas não é bem cinquenta-cinquenta. É de toda a justiça dar a César o que é de César. E ela fez cá uns croquetes para o almoço de deixar invejoso qualquer presidente 

quarta-feira, novembro 22, 2017

1634. Encarecido (para memória futura)

Sr. Filipe, hoje vou falar-lhe ao coração, para bem do meu e de alguns outros que provavelmente estejam sangrando tanto como o meu.  Sr. Filipe eu até não o acho má pessoa ou assim, vá lá.  Como sabe, a canção mais emblemática do nosso clube diz que o Glorioso nunca encontrou rival neste nosso Portugal e eu estou com o Piçarra. Quer dizer, tirando o passivo que vai continuando a crescer apesar dos milhões que o senhor faz a vender as joias da nossa coroa, já começamos a rivalizar com aqueles que nem jogadores podem comprar. E hoje, até aposto que se ler os jornais e as redes sociais vai ver que começamos a rivalizar no anedotário desportivo com aqueles que para se lembrarem do ano em que foram campeões têm de sintonizar a RTP Memória.  Esta teve graça. Amei, amei, amei!  Mas pronto, não acho que a culpa seja toda sua, se bem que ter tido seis anos um treinador e mais dois outro que não ganharam um único campeonato (sim, sim, não é gafe; quem ganhou foram os vouchers e os e-mails; na verdade ainda não percebo porque é que aquele líder ex-gordo foi contratar o homem se bastava mandar fazer umas caixinhas, meter lá dentro uma camisola de um violino e um ticket-restaurant e já estava: campeonato no papo!), mas pronto você é que sabe se o Mr Magoo tem razão em dizer que os e-mails ganharam campeonatos. Você e o rapazito da Amadora que apesar de tudo e de ser quase sempre corrido da Champions sempre nos conseguia levar às finais da Taça UEFA, ele que nunca se defendeu do seu, dele, atual presidente que lhe retirou o mérito das vitórias trocando-as por um voucher e que também nunca se insurgiu contra o velhinho lá de cima que amoroso que não há alternante que lhe resista e lhe troca os títulos por e-mails. Mas pronto esse já só faz parte da história pois é a si presidente, meu presidente, capitão, meu capitão, em quem votei e não no prof Marcelo que, diga-se de passagem, é muito mais amoroso, mas então o que é que se há de fazer se só você presidente pode fazer algo pelo meu coração. E vou já direito ao assunto que eu não tenho jeito nenhum para rodeios. Eu amo o Benfica e nunca fui sócio de mais nenhum clube! Não deixe que este meu amor, este meu coração, ande assim tão dilacerado. Mas se eu recorro a si é porque não sei mais a quem recorrer, a não ser a Deus Nosso Senhor e Esse eu reservo para coisas fora das quatro linhas. Vá ao prego, ou seja, lá onde for e recupere as joias. Ah e pelo caminho veja também se encontra um treinador para a nossa equipa. É que este que lá temos é amoroso, mas não serve. Acho que ele ainda percebe menos de bola do que eu, mas eu não estou contratável. Um xi-coração presidente Filipe.

sábado, maio 06, 2017

1633. Gigantismo Vasconceliano

Joana Vasconcelos, é só um pequeno pedido: vá até ao meu banco e mexa na minha conta bancária. Se me prometer que a agiganta eu serei mais generoso do que os clubes de futebol com o Jorge Mendes. Pode ser? 



PS.: Ah! Não vale fazer uns rendilhados e pronto,ok?
Segue em mensagem privada o meu NIB.

sexta-feira, maio 05, 2017

1632. Falar autarquês

Lembro-me de, nos meus tempos de Liceu, ter morrido o filho de uma contínua, por sinal muito querida dos alunos. No mesmo dia soube-se, pelos jornais,  de uma grande catástrofe no Paquistão Oriental  (hoje Bangladesh) que ninguém, ou quase ninguém, na população estudantil do meu 4º ano de Liceu sabia onde ficava, incidente recorrente em tempo de monção, que matou um número muito elevado de autóctones, nas cheias pela intempérie causadas.  Foi até proposto na aula de Português que fizéssemos uma redação cujo tema seria "O acontecimento e a distância". Está visto o sentido da proposta da professora. De facto não só nos tocou muito mais fundo a morte prematura do jovem filho da empregada, com quem, por vezes brincávamos, do que os milhares de mortos, feridos e desaparecidos numa região que, face aos media da altura, ainda estava mais longe do que a distância geograficamente medida.

Mal comparadas (como se diz na minha terra) as distâncias, em termos autárquicos, o Porto, cidade muito nobre, leal e invicta, está para mim tão longe como o Bangladesh. Eu vivo nos arredores de Lisboa, Lisboa implica com a minha vida tanto como Almada e o Seixal e "brinca" comigo como brincava, em termos de afetos, o filho da nossa contínua. Assim, as eleições para a C M do Porto, não me aquecem, nem me arrefecem, estão longe, no Paquistão Oriental e se não fosse a rádio, a televisão, a internet e as 30 mil autoestradas paralelas que a ligam o Porto ao sul, se calhar eu só saberia onde ficava pelo Século, pelo Diário de Notícias ou pelos comícios futo-incendiários de um presidente de clube.

Perguntam vocês, com muita propriedade, porque é, que sendo assim, eu aqui me refiro ao facto. E eu respondo, porque estou farto de cagões. Isso mesmo. É que se em termos geográficos o Porto não se vê daqui (atenção portuenses, amigos e não só, eu adoro a vossa cidade, mas uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa), eu estou ainda mais longe do Rui Moreira do que do Bangladesh. E se o senhor não quer o apoio do Partido Socialista é lá consigo. É que quem sabe não seria o PS a boia de salvação para a monção que o ameaça. E já não estamos tão longe do acontecimento como parece...


PS (post scriptum e não o outro): Ana Catarina Mendes, porque no te callas?

quinta-feira, novembro 03, 2016

1631. Falar "disciplinês"

No futebol inglês não há cá funfuns nem gaitinhas. O treinador José Mourinho contestou as decisões do árbitro no último encontro e foi expulso. Por isso levou um jogo de suspensão como castigo. Por ter feito o mesmo num jogo anterior com o Liverpool foi condenado a uma multa de 55 mil (cinquenta e cinco mil) euros. Mourinho aceitou as penas, sem contestar. Em Portugal, em Agosto deste ano, um treinador de um clube de futebol, onde consta aufere um salário próximo dos 8 milhões de euros anuais (assim tipo umas 16 vezes mais do que o presidente da CGD por quem barafustamos tanto), foi condenado a 765,00 euros (setecentos e sessenta e cinco euros), ou seja, trocos, pela Federação Portuguesa de Futebol num caso idêntico ao de José Mourinho e não foi suspenso, apesar de ter sido expulso como aconteceu a Mourinho. Ainda assim caiu o Carmo e a Trindade e ou muito me engano mas este post vai ser lido com raiva pelos "amigos" (circunstanciais, é certo) do tal treinador e se calhar merecedor de algum comentário de reprovação. Entretanto siga a bagunça, vamos lá todos para a rua ajudar a GNR a procurar um tal presumível homicida de Aguiar da Beira e a contestar o salário do gestor António Domingos porque a CGD, em relação ao futebol, não tem a mínima importância económico-financeira para o país.
PS. Por falar no homicida de Aguiar da Beira, ninguém se apercebeu de que a polícia norte-americana deteve em menos de 24h o homicida de dois polícias num tiroteio ocorrido anteontem no estado do Oiho?

segunda-feira, outubro 31, 2016

1630. Falar o halloweenês de fevereiro

Quem inventou o carnaval que se dane! Inventar um carnaval num dia normalmente frio como o caneco e, raramente não chuvoso, com os carros alegóricos de Ovar a Loulé, da Bairrada a Torres Vedras, de Sines a Sesimbra, de Elvas ao Funchal, a desfilarem encharcadinhos, com aquelas meninas de rabinho ao léu a tremerem de frio, com as matrafonas encharcadas até aos culotes e mesmo assim a atirarem balões de água como se a que S. Pedro manda lá de cima não fosse suficiente, os comerciantes a queixarem-se que "este tempo é um desastre para o negócio", com os carnavais a serem adiados para o domingo magro seguinte, quando na quarta feira anterior já se tinha feito enterro do bacalhau e a malta toda a tirar fotografias entre cabeças nas multidões e a ficarem  nas fotos mais cabeças apanhadas por detrás, algumas já carecas e tudo do que palhaços, matrafonas e cabeçudos com as caricaturas do Passos, do Cavaco, do Pinto da Costa e de outras celebridades, quem foi o inventor dessa treta que se dane, se bem que aqueles rabinhos ao léu, mesmo molhados e tudo, não seja coisa para desprezar ainda que a bota não bata com a perdigota, isto é, aqui não é o Brasil, não faz 40º em fevereiro como no Rio de Janeiro onde, mesmo com chuva, nenhuma mulata tem frio no bumbum. Então que se dane o inventor dessa  coisa chamada Carnaval, pois quem sabe da poda são os americanos e não fossem eles umas doçuras que sairia logo aqui um post cheio de travessuras. Eles é que sabem, Inventaram um carnaval em outubro e os tugas, ou seja, cá a malta, à falta de um carnaval com calor em fevereiro, celebramos o halloween como se fosse nosso, com 27º à sombra e viva o aquecimento global e vivam os states, já agora com a Hilária em vez daquele Donald  que cheira a Trampa e uma foto no FB com uma abóbora na cabeça é bem mais gira do que as traseiras das cabeças da multidão a olhar para cima e a atirar serpentinas e papelinhos, encharcados, está bem de ver, às meninas dos carros alegóricos, vai não vai, empanados no meio das avenidas, se não andas deixa os outros passarem, caraças, mas com a grafia do norte. Pois bem, venham de lá essas selfies vestidas com fatinhos de esqueleto, chapéus de bruxa e que engraçado, ninguém se lembra de substituir a abóbora por um cartão moldado com as fuças do Costa, da Catarina ou Jerónimo que isso é no carnaval, aqui não há bruxas para fazer mover a geringonça. Quem continua a tentar embruxar isto tudo é o Passos, mas eu nem digo lagarto, lagarto, lagarto que depois me chamam faccioso. Lá lá lá lá era eu a cantar, mas ainda bem que aqui não se ouve e escapo de uma vassourada bem assente. Adeus e até ao próximo halloween.

terça-feira, outubro 18, 2016

1629. Lunch Time Blog

É a Justiça, estúpido!

Uma mania, provavelmente parva, que tenho quando almoço em casa é assistir a noticiários na televisão. Misturar uma posta de cherne grelhada com uma salada mista ainda vá que não vá. Agora misturar um branquinho da região de Palmela com pensões de alimentos, ou não me sabe bem o vinho ou tenho uma náusea inesperada. Mas como eu gosto de cada coisa no seu lugar, vamos lá por partes.

Senhor António Costa, senhor Jerónimo de Sousa, senhora Catarina Martins, vamos lá ver se nos entendemos. Quando eu voto num partido político para que só, ou em coligação, mesmo que parlamentar e geringonciamente tática, venham a formar governo, não transporto para a urna de voto nenhuma paranoia "deficitária". Isto é, o orçamento e o déficit não são as minha metas, se bem que não deixe de lhes dar o relevo que devem merecer. Como diria Jorge Sampaio, nosso PR  já ex, «há mais vida para lá do déficit». E é por isso, meus caros condutores de uma geringonça, que eu estimo e apelo para que se não desmantele, que vos digo que o vinho do almoço, não me caiu nada bem. Nem a bela manga, de avião, dizem eles, esta agora dos aviões darem mangas é que me deixa perplexo, que comi de sobremesa, me impediu que tivesse tido ido à náusea. Felizmente que as minhas gatas estavam de barriga cheia, quando não teriam vindo a miar em meu socorro.

E então, para que o "vamos lá por partes" se complete, eu sou todo olhos, ouvidos, nariz e tatos, pontas dos dedos incluídos, para as políticas de saúde, de educação, de planeamento territorial, de economia, de finanças, de justiça e isso, está bom de ver, para além de outras. E se a porca torce o rabo em algumas destas matérias, na Justiça, coitadinha da porca, torce-se toda como se estivesse tomada pelo demo. Se calhar até é por isso que nem judeus, nem muçulmanos partilham do gosto pelo belo toucinho, como eu partilho, se calhar é mesmo porque a porca da justiça, ai perdão, porque a porca torce muito mais do que o rabo no que diz respeito à Justiça. Ia o meu garfo no ar com uma bela lasca do cherne, aloirado pelo calor da chapa, e que nem proveitinho me fez, porque se estava de boca aberta para a receber, assim fiquei, largos segundos, como que possuído. Então não é que passava na televisão a notícia de que uma mãe estava há 20 anos (eu vou repetir, por extenso, para que não fiquem dúvidas), há vinte (!!!) anos à espera da pensão de alimentos para um filho? Bom isto já seria motivo para que o cherne não mais entrasse na boca. Mas como os nossos gestos são reflexivos, o Pavlov explicará isso melhor do que eu, a garfada invadiu-me o palato, depois a faringe e em vez de se dirigir ao esófago, caiu-me no goto. Tossi, tossi, tossi e estava eu neste meu tossir engasgado, quando ouvi o jornalista dizer que o Tribunal de Menores de Torres Vedras informou o canal de televisão de que o processo estava a decorrer nos prazos normais. Normais (!), leram bem? Noutras circunstâncias teria desatado a rir, mas nesta apenas vos posso dizer que passei da tosse convulsiva à náusea.

Vá lá senhora Ministra da Justiça, faça coisas bonitas, vá lá. Se não, é tudo a dizer mal da geringonça e ainda vamos ouvir esta gente a dizer que os donos dos patrimónios imobiliários de luxo, apesar das cristas levantadas, pagam agora menos com este novo IMI da Mortágua do que com o imposto de selo do Sócrates/Coelho. E se calhar é verdade, não é? Desvie-lhes a atenção e ajude a que a nossa Justiça passe a funcionar. Era cá uma finta, que qual Messi, qual Ronaldo...

PS. Obviamente que a Florinha e a Charline, as minhas gatas de estimação, me disseram que isso passava melhor com um copinho de água, mas eu teimei no branco de Palmela. São gostos...

1628. Lunch Time Blog

É a Justiça, estúpido!

Uma mania, provavelmente parva, que tenho quando almoço em casa é assistir a noticiários na televisão. Misturar uma posta de cherne grelhada com uma salada mista ainda vá que não vá. Agora misturar um branquinho da região de Palmela com pensões de alimentos, ou não me sabe bem o vinho ou tenho uma náusea inesperada. Mas como eu gosto de cada coisa no seu lugar, vamos lá por partes.

Senhor António Costa, senhor Jerónimo de Sousa senhora Catarina Martins, vamos lá ver se nos entendemos. Quando eu voto num partido político para que só, ou em coligação, mesmo que parlamentar e geringonciamente tática, venham a formar governo, não transporto para a urna de voto nenhuma paranoia "deficitária". isto é, o orçamento e o déficit não são as minha metas, se bem que não deixe de lhes dar o relevo que devem merecer. Como diria Jorge Sampaio, nosso PR  já ex, «há mais vida para lá do déficit». E é por isso, meus caros condutores de uma geringonça, que eu estimo e apelo para que se não desmantele, que vos digo que o vinho do almoço, não me caiu nada bem. Nem a bela manga, de avião, dizem eles, esta agora dos aviões darem mangas é que me deixa perplexo, que comi de sobremesa, me impediu que tivesse tido ido à náusea. Felizmente que as minhas gatas estavam de barriga cheia, quando não teriam vindo a miar em meu socorro.

E então, para que o "vamos lá por partes" se complete, eu sou todo olhos, ouvidos, nariz e tatos, pontas dos dedos incluídos, para as políticas de saúde, de educação, de planeamento territorial, de economia, de finanças, de justiça e isso, está bom de ver, para além de outras. E se a porca torce o rabo em algumas destas matérias, na justiça, coitadinha da porca, torce-se toda como se estivesse tomada pelo demo. Se calhar até é por isso que nem judeus, nem muçulmanos partilham do gosto pelo belo toucinho, como eu partilho, se calhar é mesmo porque a porca da justiça, ai perdão, porque a porca torce muito mais do que o rabo no que diz respeito à justiça. Ia o meu garfo no ar com uma bela lasca do cherne, aloirado pelo calor da chapa, e que nem proveitinho me fez, porque se estava de boca aberta para a receber, assim fiquei, largos segundos, como que possuído. Então não é que passava na televisão a notícia de que uma mãe estava há 20 anos (eu vou repetir, por extenso, para que não fiquem dúvidas), há vinte (!!!) anos da pensão de alimentos para um filho? Bom isto já seria motivo para que o cherne não mais entrasse na boca. Mas como os nossos gestos são reflexivos, o Pavlov explicará isso melhor do que eu, a garfada invadiu-me o palato, depois a faringe e em vez de se dirigir ao esófago, caiu-me no goto. Tossi, tossi, tossi e estava eu neste meu tossir engasgado, quando ouvi o jornalista dizer que o Tribunal de Menores de Torres Vedras informou o canal de televisão de que o processo estava a decorrer nos prazos normais. Normais (!), leram bem? Noutras circunstâncias teria desatado a rir, mas nesta apenas vos posso dizer que passei da tosse convulsiva à náusea.

Vá lá senhor Ministro da Justiça, faça coisas bonitas, vá lá. Se não, é tudo a dizer mal da geringonça e ainda vamos ouvir esta gente a dizer que os donos dos patrimónios imobiliários de luxo, apesar das cristas levantadas, pagam agora menos com este novo IMI da Mortágua do que com o imposto de selo do Sócrates/Coelho. E se calhar é verdade, não é? Desvie-lhes a atenção e ajude a que a nossa Justiça passe a funcionar. Era cá uma finta, que qual messi, qual ronaldo...
PS. Obviamente que a Florinha e a Charline, as minhas gatas de estimação, me disseram que isso passava melhor com um copinho de água, mas eu teimei no branco de Palmela. São gostos...

quinta-feira, setembro 15, 2016

1627. Lunch Time Blog (revisited). Favas com futebol.

Cheira-me lá dentro à morcela e à cacholeira, às ervas aromáticas e ao entrecosto no estrugido que promete. As favas estão quase a invadir a panela e dou uma vista de olhos pelos jornais desportivos. Como não sou masoquista, quase só leio as "gordas". Não sou um saudosista, mas tenho saudades. Lembro-me de Carlos Miranda, de Aurélio Márcio, de Carlos Pinhão, de Alfredo Farinha e comparo-os, dececionado, a escribas de hoje em dia. Meu Deus quanta diferença. Bem sabemos que hoje há mais canais de televisão que as mães que os pariram, mas como era belo ler uma crónica de um jogo que não vimos e estarmos "lá dentro" do próprio jogo. E no momento do golo escrito nos apetecer gritar goooollllooo a plenos pulmões, mesmo quando esse golo já tinha acontecido vinte e quatro horas antes. Que pena a imprensa desportiva escrita ter descaído tanto e agora, para vender jornais, se decida pela opinião escrita de adeptos famosos (adeptos a quem a televisão deu fama, mesmo que advenha de minutos consecutivos a insultarem-se uns aos outros). Mas hoje, neste LTB ainda consegui sentir o perfume da pena de Santos Neves, não sei se inebriado pela sua escrita inteligente e assertiva se num misto de palavras com o aroma de umas favas com entrecosto numa tarde que se apresenta com menos 15 graus 15, que a tarde homónima de há uma semana atrás. Cheira-me a favas com entrecosto, cheira-me a outono, que quase me bate à porta e só já me falta escolher o vinho. Os jornais desportivos estão já arrumados, daqui a pouco é hora de reler Saramago, de preparar mais umas aulas de fotografia. Acho que vai ser alentejano. Regional, que os enchidos também o são! Só o meu Schubert não me fará companhia neste novo LBT. Partiu há mais de dois anos e será lembrado por muitos mais. Quanto ao Lunch Time Blog, se o ou os governos não aplicarem um imposto direto sobre quem escreve blogs, talvez eu venha a (re)tomar-lhe o gosto. Desculpem partir assim, repentinamente, mas já tenho o almoço na mesa.

PS. Ainda há tempo para um PS. O Schubert era o meu gato siamês. Era lindo!

segunda-feira, julho 18, 2016

1626. Roast

Costumo achar, como se diz agora noutras linguagens que não vêm a propósito, que tenho um critério muito largo no que respeita ao humor. Chego mesmo, por vezes, a sentir-me isolado ou deslocado quando esboço um sorriso enquanto os outros que me estão perto parecem estar num velório. Não admira pois que ainda hoje, apesar de ter visto dezenas de vezes as mesmas cenas, "parta o coco" a rir com Vasco Santana, com António Silva, com Ribeirinho e que, a imagem do eterno compère  Eugénio Salvador me seja, também, tão presente.  Raul Solnado é para mim (a expressão ainda se não usava nessa altura) o melhor ator em stand-up comedy que alguma vez vi e ouvi e o grande José Viana o homem a quem melhor escutei a contar uma anedota. Não por ser intelectualmente correto dizê-lo, mas porque não me revejo em anedotas contadas como sketchs televisivos, não faz parte das minhas preferências o humor tipo «Malucos do Riso», pese embora o meu anunciado critério largo, confessando, no entanto, que em um ou outro momento tenha soltado uma gostosa gargalhada. Nunca conheci um comediante "tão sério" como Mário Viegas e ainda hoje não ouvi ninguém ler um poema de Mário-Henrique Leiria como ele em que não sabemos se havemos apenas rir ou, em alternativa, chorar a rir.  Herman José  fez-me, durante muitos anos, sentir apaixonado pelos seus programas de humor e até  com os Gato Fedorento ri a bom rir (já sei que vou levar porrada de alguém). E vi também aparecer em programas mais recentes (?) como o «Levanta-te e Ri» alguns personagens que me alegraram os serões televisivos, como o Bruno ou o Serafim.


Vem este relambório a propósito de uma coisa que ontem passou na SIC Radical, chamada «Roast». Já sei que a resposta ao que vou dizer é que só vê quem quer, quem não quer muda de canal. Mas isso é treta. Então nunca poderia haver crítica. Toda a gente mudaria de canal quando a coisa não prestasse (ou não gostasse) e, pronto, mandava-se às urtigas a análise crítica e o direito à opinião contrária. Felizmente tenho bom estômago e não vomitei durante o programa. Consistia aquela coisa (chamo-lhe coisa porque não consigo arranjar um adjetivo qualificativo para aquilo) em apresentadores e criadores de programas da SIC Radical aproximarem-se do microfone para falarem mal dos colegas presentes, embora também o tenham feito de ausentes, pretendendo ter piada nas suas apreciações. O que se assistiu foi a um rol de ordinarices em que quase todos referiam que cada um dos outros e das outras só tinha conseguido um programa na SIC Radical porque passavam o tempo a fazer bobós ao seu diretor ou a dar-lhe o rabo. E isto ainda era, talvez, o menos ofensivo. E os outros que depois viriam insistir na mesma tecla quando chegava a sua vez riam feitos papalvos destas insinuações, fazendo até crer o espectador que poderia ser verdade. Houve então um que saiu na rifa aos restantes colegas e passou a noite toda a ser apelidado de paneleiro e sempre com um sorriso na cara. Culminava a apresentação com cada um a falar mal da própria SIC Radical, provavelmente na única verdade que diziam, pois o resto era pressuposto ser apenas piada (?????), referindo que a SIC Radical havia batido no fundo. Recuso-me referir os nomes dos protagonistas para não propagandear tão baixa qualidade mas abro duas exceções. A primeira é para a blogger Pipoca Mais Doce . A senhora até escreve umas coisas giras, conseguiu uma legião de fãs, tem, provavelmente, o blog mais lido na blogosfera, é profissional contratada por várias marcas, ganha uma pipa de massa assim, aceito, obviamente, que merecidamente e esteve menos mal na apreciação dos companheiros, não caindo na ordinarice pura e dura, malgré não ter resistido a chamar puta a uma outra que lá estava. Acho que a Ana Garcia Martins não precisava de ter aceitado aquele convite, mas da carteira de cada um, cada um é que sabe e é lá com ela. A outra para o diretor da SIC Radical, um tal Boucherie que é mais conhecido por ser júri no programa «Ídolos» e ter gozado com a deficiência de um concorrente efetivamente deficiente do que por ser diretor daquele canal do cabo. E refiro-me a ele porque fiquei com a impressão de que ele não estava nada envergonhado com aquilo a que assistiu. Se fosse eu o diretor, apesar do meu estômago ser bastante resistente era capaz de ter levado um baldinho comigo. É que ao vivo e a cores não sei se conseguiria resistir ao vómito.

quinta-feira, novembro 12, 2015

1625. A privatização da TAP



O lado para o qual me deito melhor é o de considerarem esta minha opinião de esquerda ou de direita. Posto isto, afirmo que a minha convicção é de que uma companhia aérea comercial não me parece estratégica para a economia e desenvolvimento de um país. Nem que esse país se chame Portugal e tenha relações (hoje em dia relevadas pelo PR na constituição do governo) privilegiadas com a CPLP e nas suas rotas inclua Moçambique, Angola, Guiné e por aí fora... e, se calhar também a Guiné Equatorial que o (ainda)  governo atual colocou no mapa dos países lusófonos. Uma empresa que tem mais de 100 milhões de prejuízos anuais, quanto mais depressa um governo se ver livre dela, melhor.  E a mais um governo (e outros anteriores) que deveriam corar de vergonha por pagarem salários principescos (quantos salários mínimos isso dá, quantos?) a gestores de uma companhia que acumula, ano após anos, prejuízos. Até abriria um parêntesis para dizer que se alguém a compra não será para perder dinheiro, antes pelo contrário e que, como consequência, porá no olho da rua todos estes gestores incompetentes. Se o não fizer e a TAP passar a dar lucros então o que o próximo governo tem de fazer é colocar os atuais gestores em tribunal por eventual boicote à economia nacional. Mas posto isto, o que me leva hoje a escrever este post não é facto de eu achar que a TAP deve ao não deve ser privatizada. Já dei isso de barato. O que eu quero chamar a atenção é para o oportunismo e falta de caráter de um governo demitido avançar com este processo à revelia de uma nova maioria parlamentar que o relegou para fora das portas de S. Bento. É que nesta política de vale tudo não sobra vergonha na cara a estes descarados.  As metas do deficit justificam isto? E a dignidade de quem quer ser, aos olhos dos outros efetivamente digno, hein? Não vale nada?

sexta-feira, maio 01, 2015

1624. O direito à greve


O direito à greve foi, em quase todo o mundo e em Portugal apenas após o 25 de abril de 1974, uma conquista dos trabalhadores. É bem provável que mais de metade dos trabalhadores portugueses de hoje nunca tenham trabalhado antes do 25 de abril de 1974 ou que já tenham nascido com este direito adquirido, alguns dos quais sem lhes passar pela cabeça que este direito já custou muito sangue, muito suor e muitas lágrimas. Sou totalmente contra aqueles que afirmam que este direito deve ser usado parcimoniosamente.  A greve deve ser usada como uma arma de quem trabalha contra as agressões de que são vítimas enquanto trabalhadores, agressões ao seu direito ao trabalho, ao seu direito a uma remuneração justa e até ao seu direito ao descanso.  

Vem este meu texto hoje, a propósito das duas greves anunciadas para, ou a começar, no dia 1º de maio, dia do Trabalhador num grande número de países do mundo. A greve dos pilotos da TAP e a greve dos trabalhadores do comércio. Se à greve dos trabalhadores do comércio está para mim fora de questão não lhe dar o meu total apoio, dada a justeza das reivindicações, já em relação à greve dos pilotos da Tap tenho a maior das reservas. No entanto, é esperado que uma e outra tenham níveis de adesão e até mesmo motivos para a não adesão completamente diversos.

Os trabalhadores do comércio convocados foram os das grandes superfícies de distribuição. Está condenada à partida, quer ao nível da adesão, quer ao impacto mediático. O impacto mediático está praticamente reduzido a zero dada a simultaneidade com a greve dos pilotos da Tap e do que esta representa parece representar para a privatização anunciada. Mesmo os critérios jornalísticos, que é uma direção para a qual não vou agora intensamente disparar não estão para aí virados. O que é isso de relevante de licenciados em relações internacionais ou em patologia forense, ou apenas com o "miserável" 12º ano,  estarem a ganhar 2,00 € por hora em lojas dos centros comerciais?  Se é para falar em miséria que se façam reportagens na China, na Coreia do Norte ou em Cuba...

"Mas os trabalhadores do comércio também não aderiram à greve", poderá, quem lê, argumentar. Pois, não! Reitero eu. Caminha-se a passos largos para a destruição dos direitos conquistados pelos senhores do capital com a conivência dos governos democraticamente eleitos. Quem é que, mesmo ganhando miseravelmente, com contatos precários de 3 e 6 meses (falaram-me já de casos de contratos mensais), com quase 1 milhão de desempregados à espera e bocas em casa para sustentar, estudos para pagar, medicamentos, muitos destes trabalhadores andam a trabalhar doentes, vidé o comunicado do sindicato, transportes, vestuário e renda de casa, se pode dar ao luxo de ceder o seu lugar a outro? Nem que morram no posto de trabalho, não "poderão" fazer greve.

Quanto à greve dos pilotos são outros quinhentos. Mas essa é amplamente debatida nos media.

Miguel Torga escrevia no seu Diário, em 1946. O Portugueses são imbecis ou por vocação, ou por coação ou por devoção.

A atender às sondagens, por devoção não tenho dúvida. Como por vocação é tão evidente que nem vale a pena argumentar, resta-me dizer que sob coação, se calhar, até eu sou português.

terça-feira, novembro 05, 2013

1623. Não havia necessidade



Durante alguns anos, após a inauguração do metro do sul do tejo na região de Almada, a ex-presidente da Câmara criou uma zona pedonal numa área nobre da cidade, nomeadamente, o eixo central desde a praça S. João Baptista  até, aproximadamente, metade da Av. D. Afonso Henriques. Na verdade não era totalmente reservada a peões, havia via aberta para algumas carreiras de autocarros, táxis, veículos em marcha de urgência e os chamados veículos autorizados. Aqui d’El Rey, gritaram os comerciantes e alguns outros que não tendo nada a ver com o comércio, faziam coro ideológico contra a Câmara Municipal de Almada (CMA). E Aqui d’El Rey que as alterações feitas tiravam a frequência dos clientes às lojas por ausência de estacionamento e de passagem pelas montras, etc. e tal e mais um par de botas e um conjunto de imbecilidades, perdoem-me a franqueza. Não sei por que razão, se tática ou se de falta de coragem ou mesmo falta de convicção numa solução que fazia parte integrante da mobilidade reconhecida internacionalmente, vejam os prémios recebidos, caraterística da cidade de Almada. Hoje o “canal está aberto”, a circulação pedonal é um perigo e uma aventura para corajosos, misturam-se zonas de passeio com faixas viárias (já assim era, na verdade, mas com um número muito reduzido de veículos) e um estacionamento anárquico. Vou desde já pedir ao Exmo. Presidente Dr. Joaquim Judas, pessoa por quem nutro estima, para que arrepie o caminho entretanto traçado e volte à fórmula antiga dos veículos prioritários. Porque o comércio no centro de Almada continua às moscas, é penoso o número de lojas fechadas e os que gritavam por esta solução hoje parecem bem mais calados porque se calhar ainda estão a engolir a própria gritaria. Deem uma voltinha pelo centro de Almada e confirmem. É que enquanto houverem  zaras e pulls e outras âncoras espanholas em grandes superfícies comerciais, só se safam as lojas de chineses no chamado comércio tradicional. E não me venham com o tratamento personalizado e de proximidade que eu já não ganho para isso.

sexta-feira, setembro 27, 2013

1622. Eu vou votar

Antes que comece o período de reflexão, tenho de mandar cá para fora as minhas mágoas. Estou num pentalema ou mais, porque isto já não é dilema, nem trilema nem o raio que o parta. Já recebi na minha caixa do correio as listas de todos os principais partidos em jornais, brochuras ou flyers  e dos que não recebi vou olhando para os outdoors e para os mupis.  Oiço dizer que nas Autárquicas o que interessa são as pessoas, normalmente dito pelos partidos que estão à rasca. Tenho de vos dizer que nem nas listas da CM, nem nas da AM nem mesmo, estas que deviam ser das pessoas mais pertinho de mim, da Junta de Freguesia, não conheço uma única pessoa. É obra. Bem sei que o Concelho tem mas de 180 mil habitantes, mas eu conheço pelo menos 3 mil deles. Nenhum nas listas? Bolas!

Bom, tendo em conta que o PCP mais uma vez ganhou estas eleições, que o PS mostrou aos portugueses que este governo não tem futuro, que o PSD vai dizer que esta votação não pode ser confundida com o mandato que recebeu dos portugueses para governar, que o CDS vai dizer que onde há lavoura, as pessoas não esquecem quem lhes quer bem, apesar de não estar muito satisfeito com Ponte de Lima, que o BE vai dizer que Salvaterra de Magos é o exemplo da justeza da sua política anti-piropos e quiçá anti-touradas, que o MRPP voltará a dizer que se não fosse as pessoas confundirem a foice e o martelo no símbolo da CDU teria ganho muitas câmaras, principalmente no Alentejo, vejo-me na obrigação de declarar que não voto em independentes. Eles são independentes de quem? E se correr bem para eles mas mal para as populações vamos penaliza-los como? Não votando no partindo independente?


Ufa! Isto já não é um pentalema. Isto é uma confusão do caraças. Mas uma coisa é certa. Vou votar. Não dou a chance a ninguém me dizer, “não faz mal, eu votei por ti”.

sexta-feira, setembro 13, 2013

1621. Eles andam literalmente a cavar a sua própria sepultura



Hoje vou-vos contar uma coisa que sei que ninguém vai acreditar em mim. Vão todos dizer, “pode lá ser, estás a pintar, a ZON não trabalha assim, etc e tal”. Pois eu juro por tudo quanto é sagrado que isto é verdade. A ZON tem um produto que se chama SPORTV Multiscreen que permite a um cliente ver a Sportv em duas boxes em sua casa. Eu tenho a Sportv há muitíssimos anos e pago por isso 26,79 € por mês. Segundo a ZON isto é porque eu beneficio de um voucher que me permite pagar este preço e não 29,35€ que é o custo normal. Seja como for eu solicitei que me ativassem a segunda box, tendo dado quer o número de série da box, quer o do cartão. Mas eles ainda não ativaram porque dizem que têm um problema informático por causa do tal voucher. E é aqui que eu acho que vocês não vão acreditar em mim. É que eu pedi a ativação da Sportv Multiscreen no dia 24 de Agosto. Há portanto 21 dias ou seja 3 semanas! Alguém acredita que a ZON ainda não o tenha feito? Só posso estar a mentir não é? Eu acho que a ZON está a querer, com o meu caso, bater o record das listas de espera dos hospitais. Acho, sim.

sexta-feira, junho 14, 2013

1620. A descapitalização previsível da Segurança Social



O senhor F. foi, em meados dos anos 90, contratado para exercer determinadas funções na empresa E. Na altura negociou o seu salário, enfim, as partes estavam de acordo, estava na média para as funções exercidas numa empresa da dimensão da referida. O que iria auferir era composto por duas partes. Um salário que constaria como oficial, sobre o qual recairiam os descontos para a Segurança Social e o IRS à tabela, recalculado anualmente como ainda hoje se faz. O patrão pagaria, sobre esse salário, a sua quota-parte para a Segurança Social. A segunda parcela da sua remuneração era constituída por um conjunto de mordomias que segundo soube constaria de subsídio de almoço, subsídio para telefone fixo (na verdade a conta telefónica), subsídio de combustível, cartão de crédito com um determinado plafond, telemóvel, automóvel de serviço com todas as despesas pagas (seguros, manutenção, parqueamentos) e uma panóplia de ajudas de custo quando das deslocações em serviço (viagens, hotéis, refeições, etc). Não sei se havia mais, o caso é antigo e não me recordo de tudo quanto soube. Tudo isto que aqui relato era e parece-me que ainda é, absolutamente legal.  Mas também tanto quanto soube estes valores de mordomia aproximavam-se do montante do salário oficial.

Sendo assim o empregado tinha uma vantagem, mas corria dois riscos. A vantagem era a de que pagaria apenas impostos e taxas sobre o salário oficial. O primeiro risco era a arbitrariedade que ficava na mão da entidade patronal de, quando lhe aprouvesse, eliminar alguns ou todos estes complementos remuneratórios. O segundo era o de, no futuro, quando este trabalhador se reformasse, o cálculo da sua pensão seria feito na base oficial declarada e não sobre os outros montantes que não constituíam salário. A entidade patronal, que atuava estritamente dentro da legalidade, não corria nenhum risco, antes pelo contrário tinha uma vantagem. A sua contribuição para a Segurança Social era cerca de metade daquela que teria de fazer se toda a componente de mordomias fizesse parte do salário.

Mais tarde, vim a saber que a empresa e o trabalhador, fazendo os ajustes necessários devido ao acréscimo de IRS de taxa para Seg. Social que recairiam sobre o trabalhador, acordaram no englobamento de algumas daquelas mordomias no salário. Ficaram a ganhar o empregado que embora possa ter perdido algum rendimento no imediato passou a ter uma perspetiva de uma velhice com uma pensão condigna e o Estado que passou a receber mais Impostos e mais contribuições para a Seg. Social. Quanto à empresa uma vez que a sua contribuição ao nível de TSU aumentou deve ter tido outras vantagens que desconheço ao ter acordado neste processo de integração.

Hoje em dia, este Governo ao confiscar descaradamente as pensões e reformas, reduzindo-as a seu bel-prazer e ao da troika que nos asfixia, está a dizer aos novos trabalhadores que o melhor é tirarem o cavalinho da chuva em relação às pensões que pensem vir auferir no futuro. O que o Governo está a dizer é para que os empregados e os patrões utilizem o estratagema que eu relatei no início. Está a promover a descapitalização da Segurança Social e a potenciar a diminuição de receita no IRS. E segundo percebi do que ouvi hoje da Senhora Presidente do Conselho de Finanças Públicas, Dra. Teodora Cardoso, isto irá começar em breve, se é que não está já em marcha. Este governo está a destruir Portugal.


domingo, maio 05, 2013

1619. Dia da mãe



Hoje estou feliz, Mãe.
Estou muito feliz.
Eu que te ouvi (e ainda oiço)
Chorares a tua,
Eu que hoje ouvi (e ontem também)
O meu amigo chorar a sua,
A minha amiga chorar a dela,
Mãe, tenho medo
(muito medo)
De um dia me juntar a eles
Para te chorar também.
Hoje estou feliz, Mãe.
Muito feliz
Porque te tenho
E te quero ter,
Sempre, Mãe.

Vítor Fernandes
05.05.2013


terça-feira, março 26, 2013

1618. Quero lá saber







É tudo más-línguas. Este país que chora (como eu o fiz há poucos minutos), pela tentativa de salvação de um golfinho, quer lá saber se é compadrio ou deixa de ser. Logo à noite há mais um jogo da seleção nacional de futebol. Continuemos para bingo.


(foto i-online)

quarta-feira, fevereiro 20, 2013

1617. Vá lá, não custa nada





O Parque da Paz em Almada é, para mim, um dos locais mais agradáveis da Cidade de Almada. Um parque que tem manutenção diária (infelizmente pouca vigilância) é rico em variedades vegetais, várias centenas, bem acompanhada por fauna de penas que é um regalo admirar. Pais e filhos, avós e netos, gente de todas as idades, etnias e naturalmente credos, creches infantis, caminhantes, corredores, ciclistas, todos desfrutam de local fresco e, acima de tudo, despoluído. Infelizmente no melhor pano cai a nódoa e é com pesar que noto que os detritos que vêm da correnteza passam semanas sem serem recolhidos. Para quem faz um trabalho de tanto mérito na manutenção poderia, de vez em quando, fugir ao “trabalho programado” e limpar toda esta porcaria acumulada. Nós, os utentes, os que gostamos de Almada, agradecemos.

domingo, fevereiro 03, 2013

1616. Não me perguntaram o nome do gato




Vivemos num país de robots atrasados mentais. Alguns deles com licenciatura e outros com mestrado ou PHDs. O nosso primeiro-ministro àqueles que não consegue fazer emigrar, envia-os para os Call Centers. E é assim que, seguindo as normas e procedimentos escritos por inteligências americanizadas, desenraizadas culturalmente, que para simples operações telefónicas nos fazem vomitar toda a identificação pessoal desde o nome, morada, código postal, BI, NIF,telemóvel, telefone fixo,  nome dos progenitores, dos avós e dos bisavós, número de sócio do Benfica ou de outra coisa qualquer, cor do cabelo, dos olhos, das cuecas até oa  tamanho do sutiã da vizinha do oitavo direito, lá nos dão a informação que pretendemos. Vá lá, não me perguntaram o nome do gato. Hoje quase que ia tendo uma congestão, mal empregadinho almoço que me caiu tão bem. Ao ligar para ativar a renovação do cartão de crédito de uma certa instituição bancária cujo nome nem digo por pudor e da  qual sou possuidor de cartão de crédito há mais de 9 anos, sempre com os mesmos dados, inclusivé a cor das cuecas e já DEPOIS de me terem ativado o novo cartão, o operador do call center saiu-se com uma destas «Sr. Vítor vou ter que lhe desativar de novo o cartão, até que nos mande um comprovativo de morada porque quando lhe perguntei os dados o senhor disse-me que morava em CORROIOS e eu tenho aqui CORROLOS". Só não me desatei a rir porque não sei se o gajo estava a usar uma bola vermelha do nariz e a testa pintada de branco. Aliás é Carnaval e eu não devia levar a mal. Então os gajos digitam CORROLOS há mais de 9 anos e querem que eu vá corrigir o ERRO DELES sob pena de me desativarem o cartão? Mas esta gente acha que os procedimentos americanos escritos por uma qualquer troika com "escurinhos" ou não, são mais importantes do que a Bíblia? Dei-lhes logo com o Novo Testamento na cara: «Meu amigo, isso vai-me dar uma grande trabalheira. Vou ter de lhe mandar um certificado de residência, para si, para o Banco de Portugal, para a Deco, vou ter de vos denunciar na Internet com nome de banco e tudo e no fim desisto do vosso cartão. Ou em alternativa e uma vez que me avisaram que a conversa está a ser gravada vou exigir que me passe ao seu diretor». Ao fim de alguns momentos o assunto estava ultrapassado. O mentecapto que me atendeu, não sei doutorado em quê porque não lhe perguntei, ainda teve o descaramento de no fim disto tudo me tentar "vender" dinheiro a 19 virgula tal porcento de juro ao ano. Mas também vos digo. Se o gajo me tivesse perguntado o nome do gato eu tinha-o mandado levar na cloaca.