sexta-feira, abril 02, 2004

Liderança

Queria ser o chefe de uma igreja.
Sempre gostou de falar
Para multidões,
Ordená-las,
Conduzi-las.
A voz potente, eloquente, convicta, empolgante.
Sabia vender ideias.
Consta que não passava recibo.

AF in Livro das Artes
Hoje

Hoje é dia de parabéns. Na blogosfera há várias pessoas a comemorar. Mas os meus parabéns especiais vão para a Catarina, pelo seu aniversário. Felicidades!

O mundo virtual tem destas coisas. Há 6 meses atrás eu nem sabia que existiam blogs. Foi o meu filhote quem me dirigiu para aqui. Fui fazendo do meu blog uma forma de expressão que também reflecte um pouco a minha maneira de ser. Como as cerejas, umas atrás das outras fui puxando a escrita de uns e a escrita de outros e de outras para o meu mundo. O meu mundo de partilha e de absorção. Às tantas dei com o teu blog e encantei-me. Não apenas com o que escreves, mas também como o escreves. Forma e conteúdo completam-se. O por detrás de um blog ligeiro como o 100nada, está uma mulher que eu ainda não conheço mas da qual vou tendo vestígios. Uma pessoa bem humorada, uma pessoa frontal, uma pessoa que tem amigos (eu vejo por alguns comentários, que são verdadeiros) e uma mãe carinhosa, extremosa e dedicada. Agora juntaste-te ao clube dos "entas". Nunca mais de lá (cá) vais sair, até que o destino o determine. Vais ver que é tão bonito como os "intas" ou os "intes". Cada dia com o seu fascínio. Por isso goza-as e aproveita-os todos como puderes e como quiseres. Por hoje desejo-te as maiores felicidades do mundo. Embora ainda não tenha o privilégio de pertencer ao teu grupo de amigos, aproximei-me. Vou continuar a estacionar nas tuas páginas.
Carpe Diem!
Ontem

Obviamente, ontem, foi primeiro de Abril e o meu blog comemorou-o (lá vão ter que aturar este chato por mais uns tempinhos).

quinta-feira, abril 01, 2004

Fim

Afinal não sou só eu que acabo hoje. A Carla de Almeida também. Que pena, mas tudo tem um principio, um meio e um fim. Logo eu, que só ía a meio.
Merendando

Todas as tardes, às 5 e 30 em ponto, faço uma pausa para uma bebida. Quase sempre eu e o meu amigo Artur, bebemos uma SuperBock cada, ou uma Sagres, ou uma Heineken, dependendo das promoções da semana nos supermercados daqui da zona. Hoje, qual foi o meu espanto (eu sou uma pessoa que me espanto por tudo e por nada, como vós amigas leitoras e amigos leitores, já deveis ter reparado), a cerveja era a novíssima TreBeer. Nunca tinha visto à venda no mercado. O pior é que eu tenho a mania (outro defeito meu, ter manias) de beber as cervejas bem geladinhas directamente do gargalo. Para não aquecerem. Vai daí garrafa à boca, uma enorme engasgadela, tosse, cerveja espirrada por todos os lados (que porcaria). E isto porquê? Porque fiquei com um tremoço entalado na garganta. Um quê? Tremoço, já disse! Mas não tinhas dito que estavas a comer tremoços. Pois não, mas a cerveja TreBeer trás já o tremoço incluído. Aproveitem, está em promoção, oferecem uma grade de 6 na compra de outra. Em quase todos os supermercados.
Semáforo

Na sequência do meu acidente desta manhã e todo ligadinho até ao pescoço, fui à Aviz alugar um carrito para me poder locomover. Parado que estava num semáforo de Lisboa, um casal de ar bem posto, solicitou-me a abertura do vidro da janela. Abri pensando tratar-se de um pedido de informação. Qual foi o meu espanto quando, o casal, me disse que estavam a fazer um peditório porque a Ministra das Finanças tinha sido raptada e os sequestradores estavam a exigir um milhão de euros para a libertarem, caso contrário, regá-la-iam com gasolina e lhe pegariam fogo. Como eu não quero que lhe falte nada, solícito, perguntei ao casal qual era a média de contribuição que os outros condutores estavam a dar. Ao que eles me responderam que era entre 5 a 10 litros de gasolina.
Fax

Acabei de receber o fax que me agrada e me deixa triste em simultâneo. O contrato com a editora vai para a frente e os meus queridos blogs vão terminar. Com uma lágrima passo a transcrever:

quote

Dear Mr. Post-dated

Following our today’s lunch and conversations it’s my pleasure to inform you that our publishing company did agree with your kind proposal. Effectively the quality of your posts, jointly with the increasing interest of the Portuguese communities, mainly at New Jersey, New Bedford and Boston, had influenced strongly positively our decision. However, as we think you are conscientious of the costs of this decision, it’s my painful duty to say you that you must stop publishing anything else at your private blog. From the 2nd of April forward if we detect any new post from you, here at Predatado or wherever, we will cancel immediately our agreement. The monthly fee of $xxxx US dollars is acceptable.

Best Regards

Bob Tail


unquote
Lunch Time Blog

O editor americano é um maricas. Verdade, apareceu-me de camisa às flores, calça vermelha apertadinha e rabo-de-cavalo a cair no meio das costas. Não tenho nada contra, isto, é meramente descritivo. «Mr. Pri Dateidow, ai lóve “marriscow”». È por isto é que lhe estou a chamar maricas. Então não é que me fez gastar 230 Euros num almoço? O gajo pensa que eu ando a nadar em dinheiro? «Parra mi caldino de camarrau», «como se chamau essas amájuas?». Eu respondi à Bolhão Pato. «Isso, bulhau patow». Depois quis Percebes. Só lhe faltou chamar understands. «Mr. Pri Dateidow, esses lávágantés estau deliziosos», enquanto se lambuzava com um lavagante grelhado na chapa. Não posso dizer que a comida não era boa. Estava de facto deliciosa. Ainda por cima eu a pensar que o gajo é que ía pagar a conta. «As vozas lagustas sau muto boas». Na verdade, a lagosta suada não podia estar melhor. O pior foi que tive de beber Matéos Rose. Estes camones não sabem beber mais nada? E no fim a dolorosa veio para mim. Grande maricas!


PS. Quem ficou a ganhar foi o Schubert. O americano achou o máximo, eu ter chamado a DHL para me levar a casa dois camarões tigre para o meu gato. «Mr. Pri Dateidow vozé é wonderfull». Se este blog não fosse sério, só me apetecia dizer p… que o pariu!
Impecável

Atendimento impecável no Garcia de Orta. Derrapei na chuva da estrada. Resultado: 3 costelas partidas e um carro na sucata. Entrei há meia hora nas urgências e agora enquanto espero alta, estão a deixar-me a usar o meu portátil. O pior é que esta comunicação wireless está a sair cara. Estou a comprometer o almoço. Sem carro, sem livro publicado, sem dinheiro para pagar a conta do telefone e com três costelas partidas. Isto hoje está a correr bem, está.
Nova Eureka

Já recuperei o w. Já posso escrever New York, New York.
Editar

Hoje vou almoçar com um editor norte-americano. Telefonou-me ontem a dizer que o PreDatado é muito apreciado nas comunidades portuguesas da América. Se as coisas correrem bem, este espaço, aquele e este outro, irão ter de fechar. Já me falou em exclusividade.
Eureka

Encontrei a letra a do meu teclado. O Schubert deve ter estado toda a noite, aqui, a teclar com as gatas e fez saltar a tecla para o chão. O pior é que agora também não sei do dabliú. Se ao almoço tiver de tomar um hiskye como é que vos vou dizer?
G lo!

Logo pel m nh~ p rti um tecl do meu tecl do. Foi a letr que t nt f lt me f z. Pelo f cto s minh s desculp s.
Mentiras

Hoje é dia primeiro de Abril. Dia das Mentiras. Pois eu como sou do contra vou já avisar-vos: A partir de hoje nunca mais minto!


PS. Até me engasguei…

quarta-feira, março 31, 2004

Reflexão

Um dia, há vários anos li qualquer coisa semelhante mas não me lembro onde. No entanto, desde essa data que não deixo de reflectir nisto. Logo eu que adoro sobremesas. Se a banana soubesse a morango, o morango a pêro, o pêro a laranja, a laranja soubesse a maçã e a maçã soubesse a kiwi. Se o kiwi soubesse a ananás e o ananás soubesse a banana, a salada de frutas teria exactamente o mesmo sabor.

PS. Não me lembro do autor. Nem me lembro se as frutas da salada, no original, eram as mesmas. Mas a ideia é aqui reproduzida com a devida vénia. O seu a seu dono.
Inverno

Ai! Esta chuva que me encharca a alma!
Ai! Este frio que me obriga a ter
A nostalgia de uma tarde calma,
D’ uma primavera que me alegre o ser.

E até o sabor a fumo do cigarro
Que tenta aquecer-me a natureza
E que me provoca demanhã, catarro
ainda mais atesta esta tristeza.

Mas se o poeta quer, pode fingir
Então o sol raiará na madrugada
A alegria voltará a ressurgir

Sou um filho do sol e do calor
Amante do mar e do sereno
E do prazer de suar se faço amor.

AF in Complexus
Lunch Time Blog

Tenho um compadre que um dia me disse que seria incapaz de comer língua de vaca, pelo facto de esta andar na boca dos animais. Que antes queria comer um ovinho estrelado. “Mas oh compadre Anastácio, você não come língua porque anda na boca dos animais e come o ovo que sai da cloaca da galinha”. “Tem toda a razão compadre, nunca tinha pensado nisso”. Mas isso, são outras histórias. No entanto, vem a propósito da minha opção para hoje. Levantei-me tarde e não tomei o meu habitual continental breakfast. Decidi fazer do meu almoço uma coisa ligeira e, eu próprio o preparei. Dois ovos numa tigela, batidos apenas 3 vezes (3 voltas leram bem?) com um garfo e com carinho. Depois em lume não muito forte mas suficiente para que o ovo não cole na frigideira, deitá-los devagarinho e não mexer. Enquanto frita a película no fundo da frigideira, organizadamente colocam-se os camarões, escaldados e descascados. Rijinhos para que o dente os sinta. Com cuidado para não partir, com uma colher de pau ou espátula de madeira, cobrem-se os camarões com o ovo. Se eu soubesse desenhar faria o esquema. Vou deixar isso para o Disperso, que ele é que é o artista da família. Depois num movimento único mas firme, levando a omoleta no ar, uma só cambalhota, ela cai direitinha mas do lado contrário sobre a frigideira. Apenas uma volta no ar. Cuidado ao tentarem fazer isso com alguém perto. Basta um olhar para o lado e ela cai-vos direitinha no chão. Fala quem já teve esse privilégio. A gargalhada geral não compensa a chatice. Duas rodelas de tomate maduro q.b. temperado com orégãos e um fio de azeite que simultaneamente cubra duas fatias de queijo de cabra fresco e aí está como se transforma um pequeno-almoço num delicioso almoço. Logo à tarde vou estar cheio de fome, mas isso agora não vem para o caso.

PS. Quando passei do meu pequeno escritório para a cozinha, o Shubert estava nas costas do sofá do sala a olhar-me por entre os vidros da porta. É o instinto animal. Miava como que pedindo encarecidamente, “convida-me para o teu almoço”. Quase me veio uma lágrima ao olho. Compensei-lhe a ração com uma guloseima das latinhas da Whiskas. Deve ter pensado, “do mal, o menos”.
Continua

A história do algarvio está a compor-se...
Escrita


Abriu um caderno em branco.
Rabiscou duas linhas na primeira página
E foi dormir.
Às seis em ponto da tarde
Chovia e a chuva molhava-lhe
Os pensamentos.
Acordou, tirou o lápis de trás da orelha
Abriu o caderno quase em branco.
Acabou de o preencher.
Deu-o a ler, o editor num movimento suave
(como devem ser suaves os movimentos com as mulheres),
Mas decidido
(como devem ser decididos os movimentos dos editores),
Jogou o manuscrito no lixo de papéis.
É bem feito!
Quem manda a escritora
Pegar no lápis ainda húmida?

AF in O Livro das Artes
Manjares

No Público o que comem os jogadores da selecção. Ai o plágio ao PreDatado sr, jornalista!!!!!