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quinta-feira, setembro 29, 2011

1586. Lembranças

Lembro-me de muitas coisas. Mesmo muitas. Umas mais interessantes que outras, outras menos. Lembro-me de uma vez ele ter faltado à aula que tinha de dar numa certa quarta-feira. Ficamos com pena, pois gostávamos muito das aulas dele. Na semana seguinte pediu-nos desculpa e disse-nos que tinha estado constipado. Nas bocas de alguns de nós havia um pequeno sorriso amarelo. Tínhamos sabido, durante a semana que tinha decorrido, que ele tinha passado algumas noites nos calabouços da PIDE. Lembro-me de uma ocasião ele, na sua missão de sacerdote, ter casado um primo meu. Na fila por detrás da minha, quase junto à porta da igreja, estava uma senhora, que não me recordo se foi convidada ou se seria uma daquelas senhoras que costumam passar o seu tempo na igreja, a que o vulgo designa por beata. A frase da senhora que retive foi coitadinho, tão bom rapazinho, que pena ser casado pelo padre comunista. Não acredito que o fossem. Nem o meu primo coitadinho, nem o padre comunista. E mesmo que o segundo o fosse, isso não teve influência nenhuma no casamento. O meu primo está casado há mais de quarenta anos. Finalmente, quando um grupo do meu liceu decidiu começar um processo de alfabetização num bairro de barracas que existia em Almada, fui um dos designados para ser recebido pelo então Presidente da Câmara Municipal. Estavamos em 1971 e o regime em vigor no país era a ditadura do Estado Novo, continuando Marcelo Caetano a obra de Salazar mas que, por algumas tentativas de reforma liberal, alguns ainda ousaram chamar de primavera marcelista e que nesse ano já se esfumava. O Dr. Serafim Silveira Júnior, Presidente da Câmara, pessoa de boa educação e trato cordial, não sem o seu quê de demagogia, mas parece que não há cão nem gato que não a faça, colocava várias reticências em nos fornecer o equipamento necessário para a concretização de uma sala de aulas no meio das barracas. Quando eu lhe disse que se o Sr. Presidente o não fizesse tínhamos alternativa, pois o Sr. Padre António Augusto Sobral já se teria disponibilizado para o fazer, a conversa mudou de rumo e, poucos dias depois, a nossa barraca/sala de alfabetização estava equipada e a funcionar. Isto é ilustrativo do respeito que o padre Sobral merecia.

Sem qualquer motivo aparente, nem eu sei explicar porquê, hoje lembrei-me do padre Sobral. Que seria feito do meu professor de Religião e Moral dos meus tempos de Liceu? Procurei na Internet e constatei que o padre António Augusto Sobral falecera em Julho de 2008. Senti uma certa comoção e arrepiaram-se-me os pelos do corpo. Que esteja em paz, aquele que foi um grande humanista e um dos meus primeiros mentores pela causa da liberdade.

segunda-feira, abril 26, 2010

1528. E você, continua a escrever?

Ele diz que é perito naval e eu acho que é. Pelo menos essa é a sua profissão e, segundo consta, exerce-a bem. Mas quando o conheci não foi medindo calados e calculando deslocamentos, aplicando aqui e ali o princípio de Arquimedes, mas apenas como amigo de um amigo meu. Não tivemos o tempo suficiente para nos conhecermos bem, mas deu para entender o personagem, o humanista, até o artista de muita artes que ali se me apresentava e, também o homem solidário que acorreu em nosso auxílio à primeira dificuldade. Mas quando ainda não se conhecem bem as pessoas atentam-se aos pormenores. E um desses foi um profundo conhecimento de um país que ele desconhecia e que, curiosamente, era (é) o seu. Um português que não conhecia Portugal mas que sabia muito da sua história. Para o Alexandrino, lá por terras de Vera Cruz o meu abraço consubstanciado numas quadras suas que descobri aqui nos meus arquivos.

(porque Eh!Poh!peia é um texto longo, apenas umas quadras tiradas ao acaso)

“. . .

Trocavam-se coisas boas

Como um paninho de chita

Pelas de nenhum valor:

Ouro, ferro, dolomita.

E coisas melhores chegavam

Numa permuta constante,

O espelho da vaidade

Pelo marfim do elefante.

Vinha vinho abençoado

Vinha azeite, que escaldante,

Temperava a nova comida

Trocado por diamante.

. . .”

Espero que o Alexandrino, um português de Angola que vive no Brasil continue a escrever. Ainda hoje, me parto a rir quando leio a resenha histórica da descoberta do Brasil que ele me ofertou. Agora é mais fácil. Ele tem o meu e-mail pode me escrever sempre. Saravah!

quinta-feira, janeiro 22, 2009

1347. Prémio


O livro “Jazz Covers” do meu amigo Joaquim Paulo foi premiado como o melhor livro sobre Jazz, pela Academia de Jazz de França. O prémio foi atribuído no passado mês de Dezembro e entregue agora no dia 18 de Janeiro no Grand Foyer Théâtre du Châtelet de Paris. Eu, que já tive oportunidade de ter este livro nas minhas mãos, tenho de dizer que encontrei uma obra excelentíssima. Aliás, não é de admirar porque Joaquim Paulo é das pessoas que mais sabe de Jazz em Portugal. Ficam aqui lavrados os meus parabéns! O livro é editado pela Taschen e está traduzido em várias línguas, nomeadamente Alemão, Francês e Inglês.

sábado, dezembro 06, 2008

1307. Com amigos destes...


E depois dizem que são nossos amigos. A engraçadinha lembrou-se de mim. Está bem abelha. Se não fosse o Benfica estar a levar cinco na pá do Olympiakos, oh lá como é que os gajos do Pireu se chamam, não se tinha lembrado de mim. Vejam lá se ela me telefonou, epah oh Pre estou aqui a pensar em ti pois estou a comer uns cuscuz com uma vitela deliciosa e fiquei cheia de pena de não podermos compartilhar, ou sei lá tipo, pega aí na tua Mariazinha e vem aqui ter com a gente a Marrakech tomar um chazinho de menta com fakkas. Mas não, nada disso, só se lembram de um gajo para nos atazanarem o juízo. Vejam bem se ela não podia ter-me telefonado e dito, olha eu e o M. vamos sair para uma dança do ventre e como sei que tu gostas pensamos em ti. Mas não! Se calhar estava com medo de me meter inveja. Não metes inveja não, Karla, devias era ter ficado mais umas duas ou três semanas presa na neve. E vocês sabem porque é que eu estou fulo com ela? Porque a minha “amiga” (está bem, está) Karla me manda o seguinte SMS: “Olá, estamos aqui retidos em pleno Atlas, a cair um nevão de todo o tamanho. Curioso é que a mais de 2000 metros de altitude e a mais de 2000 km de Lisboa, estamos a captar uma estação portuguesa de rádio e a ouvir a desgraça que está a acontecer ao teu Benfica." Amigos? Está bem, está.

PS. Obviamente que é uma brincadeira. Gosto muito de vocês AR (aka Karla) e do M. Um grande abraço muito apertado para ambos. E obrigado, mesmo que por uma “má causa” de se terem lembrado de mim. Ah e mais ainda. Esta foto, da cadeia do Atlas nevada, foi tirada pela AR que teve a gentileza de ma oferecer. (Já vos tinha dito que deveriam clicar nas imagens para as verem com mais pormenor?)