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quarta-feira, janeiro 30, 2019

1645. Os atravessadores


Hoje vou escrever sobre os atravessadores. No meu quotidiano conduzo com frequência pela cidade. Quando ainda estava no ativo a minha condução era mais de casa para o trabalho e vice-versa. Como saía cedo e regressava tarde não me dava conta dos atravessadores. Às horas que potencialmente me cruzaria com eles, já ou ainda, não havia praticamente atravessadores. Mas os atravessadores não são uma raça única. Há muitas espécies de atravessadores. Por exemplo,

Os sinaleiros – mais minuto, menos minuto, eles vão atravessar. Apesar de estarem no local certo para atravessar a rua ou a estrada não o fazem. Nem sequer colocam o pé na passadeira. Fazem sinal com o braço para que os automóveis, as motas, os autocarros e até as bicicletas passem primeiro. Mesmo que o condutor pare para lhe dar passagem, eles recusam determinantemente fazendo por vezes o gesto de virar as costas à passadeira, do tipo, Estás a ver que eu não vou mesmo atravessar?  Só quando não vem trânsito, nem de um lado, nem de outro, eles atravessam. Mas atravessam sempre na passadeira.

Os tá bem, tá – colocam-se na passadeira, hesitam em colocar o pé na dita, mas fazem-no sempre com os olhos no condutor. Em ruas de dois sentidos só atravessam se no sentido contrário ao do automobilista que, entretanto, parou para que o atravessador atravessasse, não se vislumbre outro carro. Nem parado. Depois, quando parece estar tudo em segurança passa por detrás do carro que estava parado à espera que ele atravessasse, não vá o Diabo tecê-las.

Os espera aí – também esperam. Esperam sempre que o condutor pare. Entram a medo na passadeira e sempre com uma mão em posição de espera aí. Fazem todo o atravessamento com a mão nessa posição e, obviamente, a gente espera. Espera o atravessamento total como mandam as regras e como manda a mão do espera aí

Os diagonais – Para os diagonais a distância mais curta entre duas paralelas não é a perpendicular. Vão de um passeio ao outro em diagonal. Entram na passadeira para iniciar o atravessamento, mas ainda não chegaram a meio e já estão fora dela e continuam o atravessamento como um direito adquirido, fazendo mais de metade do percurso fora da passadeira. Vê lá se te despachas, pensam os tipos como eu, outros gritam-lhes mesmo pela janela:  É para hoje ou para amanhã? Quase sempre no formato Épra hoje ó prámanhã, caralho?

Os a prioridade é minha – São geralmente putos ou miúdas acabados de sair das aulas, quase sempre em grupo, iniciam o atravessamento como se a passadeira fosse a continuação do passeio, não olham nem para esquerda nem para a direita, Quero lá saber se o gajo me atropelar a culpa é dele, e a meio da passadeira ainda param para mais uma brincadeira, para dar um calduço a outro, para continuarem a cena de bullying ou simplesmente abrandam para darem um beijo à pita com quem vêm atracados desde o portão da escola.

Os Olá estás bom? (ou boa) – é uma espécie que tem um tipo de comportamento normalmente imprevisível, pois o condutor não adivinha que isso vai acontecer e raramente antecipa. O condutor de mota ou de bicicleta normalmente faz-lhes uma rasante, o do autocarro dá-lhes uma buzinadela de os fazer dar um salto de susto, cuja razão, a do motorista, claro, fica logo assegurada pelo comentário de dois ou três passageiros que não se coíbem de dizer Olha para aquela besta e outros impropérios mais ou menos pouco educados mas não muito malcriados pois vão outras pessoas a ouvir e os automobilistas soltam um tremendo foda-se. Eu não. Eu costumo dizer: já estava à espera desta: Mas não estava nada. Ah! Quem são eles? São os que a meio da passadeira ouvem chamar: Oh Rita!, olham para trás e lá está a Irene, a filha da tia Isaura florista que já não via há mais de uma semana, coitadinha, disseram-lhe que a mãe tinha partido um pé, ou Ó Jaquim, vais com pressa? e lá está o Ernesto no outro lado da rua com A Bola debaixo do braço  e, de repente, a meio do atravessamento voltam para trás para ir dar dois beijos à Irene ou um bacalhau ao Ernesto: Aquilo ontem é foi uma jogatana do caraças, pá! Ou então voltam para trás a meio do atravessamento apenas porque se esqueceram de comprar a linha na capelista, que faz falta para acabar o naperon logo à tarde.

Os corredores e o para arranca – Os corredores não atravessam nas passadeiras. Os corredores atravessam em qualquer sítio e mal veem o veículo aproximar desatam numa correria, sem olharem para a direita, sem saberem se vem lá outro, deixa é fugir deste e depois quando ouvem a buzinadela do outro que vem em sentido contrário, estancam de repente no meio da rua, pedem desculpa, desatam a correr de novo, cheios de artroses, uma mão no peito que o coração já não está para isso e ficam no lado de lá a respirar ofegantes e a limpar o suor com o lenço de mão, mas pronto desta já estou safo, para a próxima atravesso na passadeira que já não tenho idade para estas corridas.

Os pipis, os étnicos, as velhas com os netos pela mão, o tipo com a bengala – Nunca atravessam nas passadeiras. Mesmo que a passadeira esteja a menos de cinco metros, ou a menos de três. Os pipis, assim com ar de malandrecos como que a dizer ao condutor Eu atravesso onde eu quiser, pá, os étnicos que têm o direito conforme a etnia de atravessar fora das passadeira, porque o automobilista que ameaça não parar com certeza que é racista ou então se o étnico for outra também é racista e pior é que não grama ciganos, a avó que passa com o neto ou a neta pela mão e claro Eles que parem não veem logo que é uma criança e o velhote da bengala para quem aqueles três metros até à passadeira são um sacrifício do caneco.

Os passeantes – podem incluir-se aqui também os putos das escolas, mas não exclusivamente ou se calhar nem principalmente, mas também, normalmente sozinhos ou em par. Assim que entram na passadeira, que se lixem os gajos dos carros. Afinal não passam de uns burgueses de merda. Eles a cavalo e eu é que vou aqui a pé. Demoro o tempo que eu quiser e pronto. E pronto, digo, eu, lá vai aquele a passear na avenida.

Os tecnológicos – Hoje são quase todos e englobam também quase todas as categorias que estão acima referidos, exceto os corredores. Atravessam a passadeira ou fora dela com o telemóvel na mão. Vão a telefonar, a mandar mensagens, a consultar o Fb ou o Instagram, a jogar, mas caramba, não podiam fazer isso sem irem ao mesmo tempo a empurrar o carrinho do bebé?

Os normais – Ah pois, também há normais. Não os sei descrever porque nem dou por eles.

E aqui estão os atravessadores. Se encontrarem algum de uma espécie não descrita, avisem-me em que rua foi para eu ir lá visitá-los. Sou ávido de conhecimento.

quinta-feira, julho 26, 2018

1639. O tipo que não para de escrever ou tragam uma camisa de forças, por favor



A propósito do nome de uma telenovela, VIDAS OPOSTAS, que vi anunciada na SIC e que confesso não ser um espectador do género, não que não goste, mas porque me custa ficar preso meses a fio a uma história, lembrei-me de que também eu estou envolvido como autor e como coautor em alguns projetos de ficção dos quais vos dou agora conhecimento, se é que isso possa contribuir para o vosso bem estar geral e consolidação de conhecimentos, a saber:  VIDA EM APOSTAS, a história de um jogador inveterado; VIDA EM TOSTAS, a história de uma empregada de lanchonete; VIDAS ÀS COSTAS, ficção à volta de um estivador, pai de família e meu amigo pessoal e de outro estivador, primo do primeiro; VIDA ÀS POSTAS, a dura vida de uma peixeira, por sinal carregada de fios de ouro; VIDAS EM BOSTA, uma novela sobre uma família numerosa, pai, mãe e oito filhos dos quais 3 menores, ele, o pai e chefe de família, por resignação da mãe, limpador de cavalariças e também da vacaria do senhor Olegário; VIDA EM POSTS, a inenarrável história de um blogger; VIDA NOS POSTES, uma abordagem ao drama do guarda-redes, a que alguns chamam angústia, quando vê um tipo como o Eusébio a marcar-lhe um penalty ou pior quando vê tochas; VIDA EM COSTAS, a vida de um utente de um lar em Costas de Cão; VIDA EM RESPOSTAS, a história inverosímil de uma freira que decidiu reescrever as cartas de soror Mariana, mas com mais picante; VIDAS LAGOSTAS, a história de duas rapariguinhas nórdicas, por acaso jeitosas, uma delas com olhos azuis e a outra ruiva e com sardas, que costumam passar o verão na Costa de Caparica. E pronto, não posso escrever mais aqui porque estou sem tempo. 

PS. SE GOSTAS, a história de um dedo apontador de likes, comenta também.

quinta-feira, abril 19, 2012

1604. Sacrifícios


Foi em 2002. Eu necessitava de me submeter a uma intervenção cirúrgica e para o fazer eram necessários alguns exames prévios. Um deles requereu ter de tomar de véspera uma mixórdia líquida, mais ou menos um copo de 15 em 15 minutos, o que me levou pouco mais de 4 horas a beber quatro litros da solução. Aquela coisa tinha um sabor a baunilha e entre as consequências, a mais evidente e a esperada foi a de saltar do sofá para a casa de banho mais ou menos ao mesmo ritmo com que era tomado e a outra foi a de ter ficado enjoado de baunilha durante vários anos. Nem bolos, nem gelados, nem sequer o cheiro fui capaz de suportar nesse período de nojo. Depois passou-me. Hoje repeti. Daqui a uns anos, quando for capaz de voltar a cheirar a baunilha eu aviso.


Nota: encontrei esta foto na net, mas não tinha referenciado o autor da mesma. Peço desculpa pela sua utilização sem os respetivos créditos. 

sábado, agosto 13, 2011

1581. Hoje não me apetece

Como não me apetece nada nem comentar política nem futebol só me apetece mandar dar uma volta ao bilhar grande o Passos Coelho e Jorge Jesus. Mas como não o posso fazer senão poderia ser processado por ofensa aos dois visados, não os mando. Outros com mais tomates que o façam que eu estou-me nas tintas.

segunda-feira, agosto 01, 2011

1578. Pelintra

Passos Coelho fez de mim um pelintra e a chacota dos meus colegas. Agora sou obrigado a ir de carro para o trabalho porque não tenho dinheiro para o luxo que são os bilhetes dos transportes públicos.


(uma parte disto é mentira porque ainda estou de férias; para a semana falamos)

quinta-feira, julho 14, 2011




Vamos então esclarecer os meus queridos e as minhas queridas leitores das coisas que o Pre, para os amigos e amigas Prezinho e para todos, com estima e amizade, PreDatado, aqui fala no blog. Em cima podem ver o meu lindo gato Schubert, companheiro indispensável no Lunch Time Blog e em outras andanças, nomedamente na caça às borboletas. Mais abaixo um civilizado senhor que, depois de ter apanhado o produto defecado pelo seu fiel companheiro e o ter colocado no respetivo contentor lhe limpou o cuzinho não vá o bichinho sentar-se em algum lugar que não lhe seja reservado e o conspurcar indevidamente. Finalmente as dores nos buchos das pernas tinham razão de ser. No seu escritoriozinho (o inho é apropriado) onde o Pre bagunça secretárias e não dispensa um galhardete do Glorioso, pode ver-se ao fundo a sua mais recente obra. Se não quiserem mandar nenhum livro para o apartado que já conhecem, não se macem porque rapidamente as prateleiras se encherão. E olhem que se o Pre não leu uns 80% (excluindo dicionários, enciclopédias e livros de medicina e curandices) por lá anda. 

(se quiserem ver melhor, cliquem nas fotos)

segunda-feira, julho 11, 2011

1574. Ocupadíssimo

Entre fazer uma estante nova para o seu escritório, festas e passeios, o Pre anda cansadíssimo. Até lhe doem os buchinhos das pernas.

quarta-feira, julho 06, 2011

1572. Cada um é para o que nasce

Hoje estive a assistir ao vivo a uns ensaios de um grupo de fadistas. Numa das pausas do refrão em que é pressuposto o público trautear eu também ensaiei uma estrofe. Olharam-me com uns olhos de quem vai fazer um abaixo-assinado.

quarta-feira, dezembro 08, 2010

1564. O Ómega

Existu uma fase, não sei se depois veio uma segunda ou uma terceira vaga, em que vai não vai se discutia o porquê de ter um blog. Normalmente, alheei-me desse(s) debate(s), eu tinha um blog porque sim. Se no início o blog serviu-me para coisas, mais tarde foi-me servindo para mais coisas. Houve contos e poemas, reflexões e intervenções, sabores e aromas, piadas e cores, brincadeiras e intimidades e partilhas q.b. porque o blog é meu não é da Joana. Teve também uma função catalizadora, se não mobilizadora, da minha vontade de escrever ou da minha vontade de dizer algo. Foi também um divulgador e um desabafador mas nunca um muro de lamentações. Não lamento ter criado este blog e muito menos lamentarei acabá-lo. E da discussão dos porquês de ter um blog, é o de gostar de ser lido. Não vale a pena negá-lo seria até desonesto, ou melhor, intelectualmente desonesto não o admitir. Isto é, se fosse só para mim, seria privado, serviria de bloco de apontamentos e ponto final. Se o abri ao público é porque, obviamente, gosto de ser lido. Só que isso, há muito que não acontece, salvo os poucos, a quem agradeço publicamente e mais uma vez, que têm o prazer de aqui vir dar uma espiadela quase diária. Tenho muitissima consideração por eles mas este pequeno membro blogosférico murcha hoje. Eu ando por aí e vou dizendo umas e ameaçando outras no facebook. Sete anos e tal por aqui, blá, blá, blá... ósculos e amplexos para todas as minhas amigas leitoras e todos os meus amigos leitores.

PS. o Schubert miou, deu meia volta e voltou a adormecer.

sexta-feira, maio 28, 2010

1537. Prioridade à cordialidade

Não me dei ainda ao trabalho de fazer estatística que para isso há os INEs e outros organismos mas, percepcionalmente, diria que há para aí uns 90 por cento, mais coisa menos coisa, de automóveis que vêm com um equipamento completamente inútil. Ou então avariado. São os piscas que mesmo que estejam a funcionar bem, avariam instantaneamente mal os condutores chegam a uma rotunda.

Por falar em rotundas, acho que a Federação Portuguesa de Automobilismo anda a proceder muito mal. Isto de marcar as provas de velocidade exactamente nas entradas das rotundas não me parece boa coisa. Ou então são só os treinos. Na verdade é muito raro eu ir a entrar numa rotunda que não se aproxime um da minha esquerda a acelerar desalmadamente para que não lhe roube a prioridade. Ou será mesmo um corredor em treino? Prioridade e cordialidade, rimam mas são completamente incompatíveis.

Já agora a propósito de cordialidade, nunca vos aconteceu apanharem os cordiais velhotes que colocam o pé na passadeira, a gente pára, o velhote pára também e começa a gesticular para que a gente avance. Então, nós, cá de dentro do cubículo, fazemos o gesto de que quem tem prioridade é ele e, ele que não, continua numa de polícia sinaleiro a mandar-nos avançar. E é no momento que decidimos que não há mais nada a fazer e avançamos que ele volta a pôr o pé na passadeira. Ufa.

Sobre passadeiras há uma coisa que eu queria protestar com as Câmaras Municipais. É exactamente a da colocação de passadeiras de peões e a respectiva disposição. Primeiro estão todas no local errado. Deveriam estar 4 ou 5 metros acima do que estão ou então abaixo, pois é por aí que os peões atravessam normalmente e não sobre as que estão pintadas. Em segundo, em vez de as colocar na perpendicular dos passeios deviam colocá-las de viés porque, quando um pião, por acaso, entra numa passadeira é de viés e não em frente que a atravessa. E má nada!

Fotografias daqui e daqui.

terça-feira, maio 04, 2010

1530. Passeios


Vós, amigos leitores e amigas leitoras sabeis da minha (nossa, cá da casa) paixão pelos gatos. Não só temos quatro, mais os dois que a Anita tem desde que casou e, tantos outros de que fizemos de FAT e depois “distribuímos”. Mas também lá na terra, para quem levamos montes de comida e afecto se faz a festa, numa reunião que chega a atingir mais de uma dúzia de convivas. Já aqui vos falei do Pessoa e de outros. Desta vez o Pessoa não veio. Nem o Ronaldo, nem a Katua, nem o Mantorras. Temo que lhes tenha acontecido o pior.



Fui, pela primeira vez à Ovibeja. Não sou um entendido em gado, embora goste de apreciar os seus melhores exemplares. De alfaias agrícolas, nem das virtuais que uso na Farmville eu entendo, quanto mais de toda aquela maquinaria que por lá havia. Quanto aos espectáculos, cujo cartaz me parecia tentador, acabei por não assistir grande coisa pois tinha já o compromisso de assistir aos festejos da Santa Cruz na Vila Nova de S. Bento. Perguntais-me vós e com toda a propriedade o que fui para uma feira destas fazer? Sabores, meus amigos. Prazeres, minhas amigas. Mas ele há melhores sabores do que os alentejanos? Ainda o ar me cheira a poejos e já estou com saudades do presunto do porco preto, do queijo de Serpa e do pão de rala. E mais não digo, para não sujar o texto com a água que me sai da boca.



Não conhecia as festas da Santa Cruz de Vila Nova de S. Bento. São quatro dias com procissões, cantos e bailaricos. São ruas cobertas de rosmaninho e ranchos cantando pelas ruas. Só assisti a um pouco destes festejos e do que vi gostei. Fomos também muito bem recebidos por uma nossa amiga, aldeense (ex-Aldeia Nova) que nos falou das tradições e nos mostrou o essencial.


Ando numa de visitar os castelos de Portugal. Desta vez “fui” a quatro dos quais três
pela primeira vez. Gostei e voltei a gostar, respectivamente, do Castelo de Montemor-o-Novo e do Castelo de Mértola. O castelo do Alvito foi transformado em Pousada pelo que já não é visitável ao público e o de Viana do Alentejo estava fechado mas não entendi bem se era facto normal ou se era apenas devido a obras. No entanto, vistos de fora são muito bonitos. Tenho de explorar melhor.



Fotos PreDatado 2010

sexta-feira, fevereiro 12, 2010

1521. Al bejes bejo, al bejes num bejo

Vi o Anti-Cristo de Lars von Trier e ainda não sei se gostei. O filme tem algo de perturbante e também algo de superficial. Não gostei do Anti-Nagisa, isto é, há uma inspiração perversa no Império dos Sentidos. Acho que um dia destes vou voltar a ver em vídeo para me questionar de novo se gostei ou não.

Do que vi e gostei mesmo, juro que é verdade, foi dos quatro a um que o meu Benfica aplicou aos lagartos no seu próprio recinto. Mas, obviamente, o Sporting perdeu por causa do árbitro. Aliás, nem me lembro de nos meus últimos 54 anos de vida ter visto o Sporting perder um jogo que não fosse por culpa do árbitro.

Vi hoje o debate do orçamento na AR, pela TV e, às tantas, adormeci. Já não sei se estava mesmo com sono, se cansado ou se este país não é para velhos.

Vi também a entrevista da Judite de Sousa ao presidente do Supremo e, espanto meu, gostei dos dois. Acho que me enganei na época e ainda não percebi que estamos do Carnaval. Em vez de criticar tudo e todos, estou bonzinho. Acho que é das barbas e ainda me situo no Natal.

Faço hidroginástica e natação e ainda não vi o perímetro abdominal diminuir. Mas também não será neste fim-de-semana de quatro dias. Eu e o meu mano, ou talvez mesmo, os meus manos, não deixaremos os créditos das nossas barriguinhas em paios, queijos e vinhos tintos alheios. Como eu dou graças a Deus ter casado com uma alentejana.

Gosto de amoras silvestres (1).

PS. Vi Nelson Mandela ser libertado, há 20 anos atrás e, como disse num comentário, foi para mim um dia de grande felicidade!

quinta-feira, fevereiro 04, 2010

1518. Erecções

Vamos lá a ver se isto se levanta. Longe vão os tempos em que mais de 150 amigas e amigos passavam aqui pelo PreDatado e, se não liam tudinho (hipótese que até me custa a colocar, mas enfim, modéstia oblige), pelo menos vinham deixar uma palavrinha de apoio, de incentivo, de amizade ou, simplesmente, um olá bem fresquinho. Mas pergunto eu para quê essa assistência hoje em dia se não há por aqui nada, ou quase nada, que os faça aproximar? Pois então, há que pôr de novo a coisa em pé. Vamos lá a ver se é desta. Na verdade, vontade não me falta, tempo também não, a inspiração é coisa de momento e o tempo é feito de momentos, pelo que quando há tempo há momentos e por aí fora. E se os viagras que são as vivências do dia a dia, os desvarios dos nossos governantes, o e-mail mesmo que povoado de anjinhos, as delícias da batota do nosso futebol, a eficácia da nossa justiça, as extravagâncias do patrão da Virgin, a leitura dos blogues dos outros, os meus gatos próprios e os afilhados, um restaurante de raros sabores, uma garrafa de vinho tinto de uma excelente colheita, o crescimento e decrescimento da minha barriguinha apesar da ginástica e das caminhadas entres outros, se nenhum destes viagras resultar, então usa-se o guincho. Ele há-de voltar a ser aquilo que foi. Ele há-de voltar a pôr-se de pé. Longa vida ao PreDatado.

Foto PreDatado©, 2010 – San Lucar del Guadiana

sábado, outubro 24, 2009

1502. Não fiquei chateado

Eu gostava de conseguir fazer-me entender pelas minhas amigas leitoras e pelos meus amigos leitores quando tento justificar ausências tão prolongadas da blogosfera e sei que nem sempre o consigo. Na realidade, quem vai fazer dentro de uma semana seis anos de escritos bloguísticos predatados deveria ter outras obrigações, sei lá, mais responsabilidade perante quem se sacrifica tanto, quem chega mesmo a trocar um dia de praia, umas horas no SPA, vá lá, uma sandes de presunto ou até mesmo dois rissóis de camarão para vir aqui ler O PreDatado e, nada. Mas hoje competia-me no mínimo dar esta satisfação pública. Eu não tenho vindo aqui escrever por outras razões e não, como já alguém insinuou, por ter ficado chateado por não ter sido convidado para ministro do novo governo. Não estou chateado por não ter sido convidado para ministro, repito, pronto! Não estou chateado, bolas! Até porque se o tivesse sido não teria aceitado. E perguntam-me nesta altura da leitura as minhas amigas leitoras e os meus amigos leitores porque é que não fiquei chateado assim tipo: Pre, Prezinho (isto eram as amigas), porque é que não ficaste chateado? E aí eu respondo, porque na semana passada casou a minha sobrinha Sara e eu comprei uma gravata nova para ir ao casamento dela, daqui a pouco está a casar a minha Anita e eu também já comprei uma gravata nova para ir ao casamento dela. E vós achais que eu sou rico, sou? Pareceria bem eu tomar posse como ministro de gravata nova, não é verdade? E eu ganho lá para isso, hein? É que nem com a venda dos porcos, das vacas cor-de-rosa e das pomegranate trees, da minha famville lá no facebook se consegue auferir para tanta gravata.

terça-feira, outubro 20, 2009

1501. Gravata verde

Eu não sei e, confesso, nunca investiguei porque é que quando alguém pensa que poderá passar por uma grande vergonha utiliza a expressão “eu pintaria a minha cara de preto se…”. É natural que esta frase tenha conotações racistas, é também natural que não tenha, alguém que estude as frases populares que mo diga, que eu agradeço. O saber não ocupa lugar, ou ocupa mas eu acho que ainda tenho uns Gb livres. Posto isto, quem me conhece seja ao vivo e a cores seja através deste blog sabe que eu poderia utilizar esta frase e / ou outras política e socialmente menos correctas, não veria em mim qualquer preconceito racial.

Perguntais vós, amigas e amigos leitores deste blog, porque é que o PreDatado vem com esta conversa toda sobre preconceito, sendo ele um Sir, como todos o sabem. Pois meus amigos eu vou fazer a segunda confissão do dia: eu, PreDatado, Pre para os amigos e Prezinho para as amigas (já para não referir Sir Pre nos casos em que noblesse oblige) sou de facto um preconceituoso. Por mariquices que só as mulheres (quero dizer, a minha, não generalizemos) sabem a razão, devo ir a condizer com qualquer coisa, não só quando levar a minha filha na presença do representante da Lei, no dia do seu casamento, mas também e principalmente quando, em plena cerimónia, estiver lado a lado com vestido cor de esperança com que a minha cara-metade se irá apresentar. E vai daí, ontem, comprei uma gravata verde. Não vomitei na altura porque sou mais ou menos de bom estômago, mas se algum correligionário do nosso Glorioso Sport Lisboa e Benfica me fizer alguma observação jocosa lá terei de pintar a minha cara de preto. Pelo sim pelo não, vou levar, no bolsinho do colete, uma pequena bisnaga de tinta.

Imagem tirada daqui

quarta-feira, setembro 16, 2009

1482. Por aí

  • A criança entrou no restaurante pela mão da mãe. Virou-se para ela e disse: “Mãe, quero ir mijar”. Aos 4 anos de idade talvez ainda vá a tempo de aprender.
  • Ontem na TVI24 os candidatos dos cinco maiores partidos, à Câmara Municipal de Almada, tentavam discutir os problemas do Concelho. Tentavam porque a presidente em exercício, candidata da CDU, Maria Emília Sousa, não deixou. Interrompeu sempre, sublinho sempre, mal-educadamente todos os outros, num estilo de mercado que já não se usa. Talvez já não haja tempo para aprender.
  • Agora para uma coisa completamente diferente. O facto de este vosso servo vos servir também Volúpia não deixou de produzir Guerra de Travesseiro. São coisas completamente diferentes e a Janette ficaria brava se alguém ousasse confundi-la.

quarta-feira, agosto 26, 2009

1475. Se alguém souber quem queira, mande-me um e-mail

O meu sogro era uma pessoa humilde de cuja vida não faziam partes grandes manifestações sociais. Casamentos, baptizados, festas de aniversário, um ou outro convívio entre amigos e funerais, quase que poderia resumir assim a sua participação na vida colectiva. Ah, é verdade, o meu sogro votava e não dispensava de se apresentar de fato e gravata no cumprimento do seu dever cívico. Poderíamos assim pensar que, para tão resumidas necessidades, não lhe fosse necessário ter um guarda-roupa por aí além, mas na verdade a coisa não era bem assim. Só dos genros e filho “herdava” em cada estação uma substancial quantidade de camisas que, ora porque tinham passado de moda, ora porque um colarinho menos apropriado não lhes assentava bem a gravata, ou ainda porque genros e filho decidiam engodar mais do que os botões das ditas camisas suportariam. Mas calças e fatos tinham o mesmo destino pelas mesmas razões ou até outras. Se acrescentarmos as pouco originais prendas de aniversário e Natal com que a família o brindava, ele era pulôveres, ele era camisas, ele era peúgas, ele era ceroulas, quando o meu sogro faleceu deixou algumas dezenas destas peças em roupeiro. Pois minhas queridas leitoras e meus queridos leitores, vocês nem imaginam a dificuldade que nós cá em casa temos tido para doar este, modesto mas asseado, espólio. Nem lares, nem asilos, nem igrejas, nem mesmo particulares necessitam de nada disto. Tenho mais medo de que seja presunção do que pobreza envergonhada. Esta última, eu compreendo, a primeira entristece-me.

Esta foto publicou o LFM há mais de dois anos no blog dele. Fui lá e pifei-a mas não sei quem é o autor.

sábado, agosto 22, 2009

1473. Andamos por lá perto

Vou-vos contar uma coisa mas não digam a ninguém. Aqui o Pre é um gajo de números, não fosse o tipo ligado às engenharias e às matemáticas, mas há números para os quais não está, definitivamente, talhado. Dou-vos dois exemplos simples com os quais podereis constactar essa sua não afinidade para certas conjugações algaritométicas (nem a palavra existe). Esta semana estava ele, o Pre, aqui confiante que lhe iriam sair os 74 milhões do Euroditos, os quais diga-se de passagem já pouco lhe pertenciam dada a distribuição que, previamente, fez dos mesmos e, tufas, nada de nada que é como quem diz niente. Estais já todas e todos vós leitoras e leitores, respectivamente, a pensar, os números não querem nada, mesmo nada, com o Prezinho, sem mesmo saberem que nem os números nem as estrelas pois o zerão também se aplica a esses dois algaritmozitos suplementares. O segundo exemplo tem a ver com o número de visitas de “O PreDatado”, obviamente coisa muito mais séria do que o Euromilhões, de tal forma que é preciso cuidado para dizer isto. Os outros blogs, os famosos, os dos pilantras como aqueles que andam por aí a trocar bandeiras, os dos gajos amigos dos amigos daqueles que vocês sabem e, finalmente, até os bons blogs, é num ápice. De um momento para outro pimba, tufas (outra vez) e plim, e lá estão eles, nas 10, nas 50, nas 100 mil visitas e, horrores dos horrores, a ultrapassar um milhão de visitantes em pouco mais de um ano. Cá o nosso Pre está nos seus 99.932 (número que não variou desde o início da escrita deste post até à sua publicação), que é como quem diz quase nos 100 mil em cerca uns míseros quase 6 anitos nestas andanças. E isto quer dizer muito. Quer dizer que não é qualquer merdas que vem aqui ler este blog. Os poucos que cá vêm são os melhores leitores de blogs do mundo. São poucos? Ah pois são, mas são os melhores. E mainada!

Pic from Copyright 2009 Kellene Bishop at http://womenofcaliber.wordpress.com/2009/07/20/my-wish-100000-women-strong/

terça-feira, julho 28, 2009

1467. Narzędzia


Nagenda, era assim que nos soava a palavra polaca narzędzia. Ainda hoje quando falamos desse tempo e nos referimos ao assunto é nagenda que dizemos. Já lá vão mais de 3 dezenas de anos em que nos aventuramos a trabalhar na montagem e desmontagem de pavilhões nas antigas instalações da FIL quando ali se realizava a grande exposição anual. A nós calhou-nos o pavilhão da Polónia e logo cedo, antes das 8 da manhã pegávamos na nagenda e íamos trabalhar. Narzędzia é como se diz ferramenta em polaco e eram o martelo na montagem e o arranca pregos na desmontagem as nossas principais ferramentas. Hoje em dia as minhas ferramentas são outras e n’agenda só se for (e é) na electrónica. Utilizar a internet desde antes das oito da manhã e até muito depois do sol se pôr passou a ser para mim quase tão imprescindível como comer. E se bem que em férias me costumo desligar do mundo nem sempre isso é possível para não dizer inconveniente. Vejo agora anunciar por aí, tipo “ora aqui está uma pechincha que nunca lhes passou pela cabeça” banda larga apenas a 10 Euros por 10 horas. Não tenho dúvidas que vai muita gente aderir mas eu gostava de os mandar ir roubar para a estrada porque não estou disposto a pagar 1 euro por hora para aceder à internet, quando em casa pago cerca de 50 cêntimos por dia. Eu não sou nada violento mas quando oiço este tipo de anúncios só me apetece dar-lhes com a nagenda.

terça-feira, julho 21, 2009

1464. Redondinhas

Algumas bolas fizeram e fazem, fizeram e já não fazem, não fizeram e agora fazem parte da minha vida e algumas delas da vida de todos nós. Hoje não me debruçarei exaustivamente por um tema tão aliciante sob pena de tornar a escrita redonda e seja por via de um paralelo ou quiçá de um meridiano esta ir sempre parar ao mesmo sítio. Aliás uma bola é o único objecto que faz jus ao velho e popular dito “não tem ponta por onde se lhe pegue”. Da bola e bolas que chutei desde garoto uma delas engoli. A minha médica diz-me que eu devo tentar reduzir o perímetro abdominal que é uma forma eufemística de me dizer que nem o basquetebol se joga com uma bola assim. Outras há, as de Berlim (abro aqui um parêntesis para vos dizer que nunca comi bolas de Berlim tão boas como as que comi em Berlim – eu não vos avisei que este tipo de escrita é redondo?) que se vendem na praia. Este ano tive já oportunidade de estar em praias algarvias e o som agora é quase exclusivamente Bolinha de Bérrlim, com os mais variados sotaques dos nossos irmãos brasileiros (e irmãs que aqui não mora nenhum preconceito). Por acaso também se vendem nas pastelarias, mas não é a mesma coisa (agora fiquei zon). Uma vez vi vender bolas numeradas em Tóquio. Explico. Havia umas casinhas onde se formavam longas filas – saudade de escrever bichas, mas sou lido por muito pessoal do lado de lá que não iria entender – para vender bolas de cortiça de diferentes tamanhos e numeração. Estranho negócio este, pensei eu, só pode ser coisa de orientais, voltei a pensar porque às vezes eu penso mais do que uma vez. Como o jogo a dinheiro era, talvez ainda seja, proibido no Japão fora dos casinos, o fruto do jogo clandestino era pago em bolas numeradas. Alguém nessas casinhas exercia um negócio, perfeitamente legal, de comprar bolas numeradas. E dizem que os portugueses é que são desenrascados. Por acaso eu acho que somos é uns pacóvios de primeira. Está bem que foi no século passado mas a coisa tem uns 20 a 25 anos. Andou a D. Branca a comer as papas nas cabeças de muitos portugueses com uma das maiores vigarices do século em Portugal que até deu direito a uma telenovela em horário nobre e tudo e parece que se esqueceram depressa continuando a cair no conto do vigário agora com uma D. Aurora. Ainda se fosse uma aurora boreal. Bolas que são burros. Ou serão apenas uns cabeças de abóbora muito redondinhas?

Foto daqui