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sexta-feira, novembro 05, 2010

1548. Este país não é para quem?

Era uma festa. Contavam-se quase os dias e os minutos, anunciava-se antes, avisavam-se os amigos. Preparava-se a data com um texto, uma foto, um poema. Tudo era especial nesse dia. O blog fazia anos, xiribitátátá, urra, urra, urra. Foi assim durante vários anos em muitos blogs, alguns chamados de culto e outros de gente famosa e de intervenção pública mediática. Foi assim também neste modesto blog e noutros blogs que se quiseram projectar como simples e modestos mas que, tinham ou têm por detrás gente de elevada estatura intelectual, moral e sobretudo humana alguns dos quais, autores, me concerderam o previlégio de vir a ser seu amigo. Escrevo isto porque se foi questionando sempre, ao longo da já mediana vida da blogosfera, para que serve um blog. E entre as mais vastas discussões de todos os carizes o blog, não digo que por unanimidade mas até imagino que alguns dos que não o faziam tinham uma pontinha de ciúme, dizia eu, o blog servia também para festejar o seu próprio aniversário. Com muitos parabéns a você e muitos beijinhos nas caixas de comentários. Bem sei que já não tenho 150 leitores diários, mas pelo menos os 10 que religiosamente vêm cá espreitar se tenho novidades, teriam merecido que eu fizesse referência ao 7º aniversário do PreDatado. Foi no passado dia 29 e mando eu agora ósculos e amplexos para todas e todos vós amigas e amigos leitores.

Mas afinal para que serve um blog, principalmente um blog como este que não é actualizado mais do que uma ou duas vezes por mês, deixou de contar piadas, de publicar as fotografias que o seu autor tira pror aqui e ali, que há quase um ano não publica um poema inédito do prezinho (ainda se lembram que eu sou o prezinho, não lembram?), que não fala mal do Sócrates, que não festejas vitórias ou chora as derrotas do seu Benfica, que não emite opinião político-financeira sobre os mercados, que não deixa aqui receitas das belas comezainas que se entretem a fazer ou a inventar na cozinha, que não conta as peripécias do gato Schubert, que não escreve episódios de contos com palavras que até o Aurélio lhe custa enunciar, que deixou mesmo de ser bispo da sua própria igreja?

Eu não sei a resposta completa a tão vasta pergunta e, mesmo que a soubesse, seria complicado detalhar tin-tin por tin-tin. Mas uma coisa é certa e essa eu sei. Seve para dizer que escrevi um e-mail à EDP na passada segunda feira e ainda não recebi resposta. Este país está na mesma e portanto... o blog ressente-se.


Foto: PreDatado, tirada no Pulo do Lobo

terça-feira, março 16, 2010

1524. Foi o que se pode arranjar.



Não se pode dizer que tenha sido uma grande resposta mas foi a que recebi. Só que não sou de me ficar e retorqui. Por mim dou o caso por encerrado e vou esperar pela box no início de Abril. Tenho mais que fazer e não vos quero maçar com questões pessoais.

- Eles:

Estimado Cliente,

Na sequência do seu contacto, que desde já agradecemos, informa-mos, devido à elevada adesão aos nossos serviços, a ZON BOX está temporariamente indisponível por ruptura de stock. Contudo, prevemos retomar as entregas a partir do dia 04 de Abril, pelo que entraremos em contacto a partir desta data para agendarmos a entrega do equipamento.

Apresentamos desde já as nossas desculpas por qualquer incómodo que lhe possamos ter causado.

O contacto telefónico preferencial que consta nos nossos registos é o 9145xxxxx. Caso o mesmo tenha sofrido alterações, solicitamos, por favor, que nos reenvie o presente e-mail com o seu número de contacto preferencial.

blá, blá, blá cumprimentos (assinada)


- Eu:

Caro Senhor,

Em primeiro quero informar que esse número de telefone que têm como meu telefone de contacto preferencial, não me pertence, nunca me pertenceu e como tal nunca vos foi, por mim, fornecido. Só pode tratar-se de um lapso dos vossos serviços. Eu poderei ser contactado pelo 9172yyyyy. Aliás, muito estranho que me diga que esse é o número de telefone que consta no vosso ficheiro porque hoje mesmo recebi uma chamada telefónica da ZON no meu telefone celular, vulgo telemóvel.

Em segundo lugar a vossa resposta ao meu e-mail é similar à informação que eu tinha obtido na vossa loja e que, por isso, motivou o meu e-mail. Assim, considero que não respondem no fundamental ao meu protesto mas também entendo que não têm outra forma de o fazer. Tire deste meu entendimento as ilações que quiser.

Finalmente, na primeira linha da sua resposta escreveu "informa-mos" quando deveria ter escrito "informamos". Mas não se preocupe, eu já estou acostumado.

Cumprimentos,

Vítor Fernandes


E ponto final!

sábado, fevereiro 27, 2010

1522. Mas não era a mesma coisa


Caro Senhor,

Escrevo para lhe pedir um conselho. Sou cliente de um número substancial de prestadores e/ou fornecedores de serviços. Ele é comunicações fixas, comunicações móveis, gás, água e electricidade, empregada doméstica, correios e respectivo carteiro, bancos e cartões de crédito, internet , radiodifusão, televisão por cabo, serviços de recolha de recicláveis, eu sei lá, um sem número de pessoas e empresas para quem eu pago por não poder ou não saber ser auto-suficiente. Nos últimos tempos passei a andar muito satisfeito com um destes fornecedores, a saber, a ZON, a quem tirei do último lugar na qualidade da prestação de serviços, na minha homemade lista classificativa, desde que a internet passou a estar mais tempo operacional do que inactiva e também, valha a verdade, desde que os operadores do call center de apoio ao cliente passaram a saber responder a duas perguntas consecutivas sem me pedirem para que eu desligasse e ligasse o modem e o meu número de contribuinte. De tão satisfeito eu andava com a ZON que recebo os outros vendedores da concorrência, com crucifixo numa mão e uma cabeça de alhos na outra, para que não caísse em tentações, vade retro, enquanto que, com os vendedores da ZON apenas me benzo quando me batem à porta, dia-sim-dia-não (agora foi exagero, algumas semanas são só 2 vezes) e me perguntam quais os serviços da ZON que eu possuo. Mas não me benzo por eles não o saberem, benzo-me para pedir a todos os santinhos que munem a ZON de uma base de dados que permita aos seus colaboradores saberem quem é quem no que respeita à relação de um cliente com o seu fornecedor. Sabe, caro senhor, eu sou daqueles que ainda acreditam em milagres. Mas adiante que já me estou a alongar e pensará o senhor, com alguma razão, que não estou a ir directo ao assunto. Pois eu vou, rogo-lhe apenas que me conceda mais alguns segundos, muito menos do que aqueles vastíssimos minutos que eu espero nas vossas lojas de atendimento ou “pendurado” no telefone. Vejo com frequência a vossa publicidade na TV e não me leve a mal eu utilizar um dos vossos ex-libris publicitários, para vos dizer que também vejo a publicidade da concorrência, mas não é a mesma coisa. E até me mordo de inveja por em minha casa não poder ter um televisor em cada divisão como aquelas famílias felizes que vão tirando élecedês uns aos outros e colocam um na sala, outro no quarto, outro na cozinha, outro na casa de banho, outro na barraquinha do cão. Mordo-me de inveja mas para lá caminho, não julgue o meu caro senhor que sou algum pelintra. E para provar o que lhe digo, já tenho duas boxes digitais HD em minha casa, pelas quais pago à ZON, pois claro, nem de outro modo eu acho que deveria ser, não sou nenhum borlista. E tal é a minha inveja que decidi comprar um novo televisor, desta vez full HD, veja bem que luxo e, à semelhança das famílias felizes a que já me referi há pouco, assim tipo Nicolau Breyner, está a ver o que eu quero dizer?, fui à vossa loja do Almada Forum para solicitar uma nova box para poder tirar proveito do dito cujo televisor. Ora, qual foi o meu espanto constatar que, afinal, vocês não têm para vender/alugar o produto sobre o qual tanto investem em publicidade, diga-se de passagem de muito bom gosto, com famílias felizes e tudo como o João Pinto e a Marisa Cruz. A vossa colaboradora informou-me que há rotura de stocks e quanto muito haverá boxes para novos clientes, que o técnico levará consigo no momento da instalação e ponto final. Ora é aqui que o seu conselho me vai ser precioso e, posto que já deve ter ficado ciente da problemática pela clara, digo eu, introdução feita, o conselho que se me apraz pedir-lhe é o seguinte: devo eu devolver na loja o televisor, full HD (repito), que comprei na semana passada ou, pelo contrário, devo antes voltar a guardar na gaveta o crucifixo e na caixinha dos ditas, as cabeças de alho e procurar, na vossa concorrência, uma solução à minha medida? Eu tenho a certeza que me saberá responder pois, quem é ZON está ON e o senhor director com certeza também estará. É que já me perguntaram se eu poderia viver sem estas gracinhas da ZON. Poder eu até podia, mas não seria a mesma coisa, não acha?

Nota: Este é o texto completo de um e-mail que enviei ao Director de Clientes da ZON ao qual, entretanto, aguardo resposta.

sábado, janeiro 09, 2010

1514. Bom português

O acordo ortográfico deveria ser para começar a cumprir já a partir deste Janeiro. Há quem insista em não o fazer, outros já o fazem há mais tempo. Agora inventar um novo acordo é que não vale. O Jornal O JOGO online publicava hoje às 12:34h uma notícia sobre o ataque HÁ selecção do Togo. HÁ???????? Que é isto Sr. Jornalista?

domingo, dezembro 28, 2008

1320. Cena 437


Cozinha, em arrumação depois de fausto jantar. A máquina da loiça está aberta, a Dona da Casa pega num garfo de 3 dentes e inicia a sua colocação no suporte de talheres da própria máquina. Esta, a máquina, irá ser provida de detergente e abrilhantador de cristais. A marca dos mesmos não é dita pelo narrador desta cena, uma vez que nesta cena não entrará o narrador, pelo que é pressuposto se tomar conhecimento da mesma, da marca, ora bem, durante as filmagens onde se fará um close-up ao rótulo da caixa aparecendo o frasco do abrilhantador de cristais em segundo plano, ligeiramente desfocado, mas cuja silhueta dará para que o espectador se aperceba do patrocínio. O garfo de três dentes apresenta um ar de angústia, além de ligeiramente engordurado, que transmitirá durante toda a cena. Chegará mesmo a dar alguma entoação mais indignada falando em voz bem alta, tanto quanto é normal um garfo de três dentes falar e ter variações de voz. A Dona de Casa, também desde o início da cena, apresenta-se com um ar comprometido, quiçá algumas vezes irritada quando confrontada com os argumentos do garfo de 3 dentes. Escusado será dizer que todo este diálogo se produz, antes da Dona de Casa fechar a porta da máquina de lavar loiça e carregar no botão On do programador de lavagem a 65 graus.

Garfo de 3 dentes (Gd3D) – Diz-me o que foste fazer a Lisboa?
Dona de Casa (DdC) – Nada que te diga respeito.
Gd3D – Não me queres contar, não é?
DdC – Não tenho nada para te contar.
Gd3D – Foste ter com ele, eu sei!
DdC – Estás a delirar. Nem sei do que estás a falar…
Gd3D – Estou a falar dele e tu sabe-lo bem.
DdC – Mas eu nem sei se…
Gd3D – Não te desculpes, está farta de mim!
DdC – Não meu querido, Eu amo-te como nunca amei nenhum outro garfo de 3 dentes.
Gd3D – Dizes isso pelo teu amor a Espanha e não a mim, tenho a certeza.
DdC – Não sejas tonto. Tonto e ciumento! Esquece o caso, vá lá, não te atormentes.
Gd3D – Esquecer? Como é que posso esquecer? Além de tudo é uma afronta. Diz-me é mesmo ele?
DdC – Ainda não tenho a certeza. As únicas coisas que me apresentou foram uns púcaros e umas travessas de inox.
Gd3D – Eu sabia (deixou cair uma ligeira lágrima de gordura - olha afinal sempre havia narrador). Eu sempre desconfiei que te tinhas ido encontrar com esse vendedor depravado.
DdC – Vou-te confessar. Ele não tinha com ele nenhum talher completo.
Gd3D – É agora que me vais substituir por um garfo de 4 dentes não é? Eu bem devia ter desconfiado quando me adoptaste lá naquele restaurante de Talavera La Reina (aqui cabe ao narrador, que aparece pela última vez, dizer que aquele garfo de 3 dentes tinha sido roubado de um restaurante fino, pelo Chefe de Família depois de ter bebido uma garrafa inteirinha de um Valedepeña, rojo, de estalo mesmo, a acompanhar umas choletas de cochinillo al horno). - Eu sabia que toda aquela conversa com o teu marido de Devolve o garfo e tal, era só para espanhol ver e que, quando por fim não conseguiste vergá-lo e me decidiste adoptar não te irias acostumar com um garfo de 3 dentes.
DdC – Deixa-te disso, deixa-te de lamúrias, afinal nós não costumamos comer tortilla de patata nem calamares a la romana, mas sim esparguete com panadinhos de porco e dobrada com feijão branco. Bem vez que um garfo de 3 dentes não tem vocação para tais pitéus.
Gd3D – (resignado) – Fecha essa porta vai, fecha essa maldita porta da máquina que eu quero tomar um banho e depois dormir descansado na gaveta de cima. Bruxa! (o narrador não cumpriu a palavra de ter sido a última vez que interveio, um pouco mais acima, pois tinha de retratar este estado de espírito, de resignado, do garfo de 3 dentes que até se atreveu a chamar Bruxa à Dona de Casa).

PS. 1 - Este diálogo, se houver necessidade de encher chouriços na elaboração do resto da novela, pode ser prolongado por vários minutos. 2 – Qualquer semelhança entre esta cena e uma cena de uma qualquer novela actualmente a correr na TVI é pura coincidência.

terça-feira, maio 29, 2007


1106. Caros, lentos e maus
Existem serviços dos quais não podemos prescindir e outros aos quais nos habituamos de tal maneira, que não nos passa pela cabeça ficar sem eles. Sou, por inerência de cidadão (hoje que tanto se fala em cidadania) quase privilegiado, um utilizador de serviços, públicos e privados, em quase toda a plenitude da oferta. Sou, assim, cliente da EDP com quem tenho um contrato de fornecimento de energia eléctrica e da Setegas, a qual me fornece o gás natural para as necessidades do lar. Dos serviços municipais e municipalizados, usufruo do fornecimento de água e da gestão dos esgotos e limpeza urbana. Uma empresa, a título (gratuito?) faz o favor de recolher os resíduos recicláveis, a troca do meu esforço de separação e depósito e da Vodafone, da TMN e da Optimus usufruímos cá em casa da prestação de serviços em comunicações móveis. Já a PT, embora com um aluguer caro, me fornece a infra-estrutura de comunicação telefónica fixa e a TELE2 as comunicações propriamente ditas. A TVCabo permite-me que eu possa fazer uma hora de zapping à volta de cerca de 60 canais de televisão e a NetCabo deveria permitir que eu usufruísse do seu, quase sem reclamação como acontece com toda a panóplia, supra descrita, de fornecedores. Deveria mas não o faz. Porque para mim a NetCabo é o pior serviço do mundo. Eu digo para mim, porque há outros, que apesar de no nosso País haver liberdade de expressão, continuam a preferir guardar para eles a sua revolta. Não vá o diabo tecê-las.

PS. 1. Um dia destes vou-me referir ao telemarkting da PT. Só para a gente rir um pouco.
2. Ficaram por referir muitos outros serviços, mesmo que virtuais, como o serviço público de televisão e o serviço de radio-difusão ou mesmo o de entrega ao domicílio das compras no supermercado, mas isto não era um texto para encher chouriços. Era mesmo um protesto.