segunda-feira, setembro 26, 2011

1586. A frente ribeirinha de Almada


Calcorreio, vezes sem conta, o passadiço do Ginjal, de Cacilhas ao jardim do miradouro, do miradouro a Cacilhas. Desço do Cristo-Rei à Arealva, da Arealva ao Olho-de-Boi e faço o percurso inverso, todas as vezes com uma esperança. Uma esperança vã de um dia encontrar uma zona ribeirinha de Almada digna desse nome. Bonita, atraente, amiga dos almadenses e de quem nos visita. É chocante a degradação em que, dia após dia, encontramos aquele que poderia ser o ex-líbris da cidade: o seu confronto com o rio, a irmã do sul da capital. Não o posso garantir, mas quase que juraria, que a recuperação da frente ribeirinha desde o Caramujo ao Forno do Tijolo já deve ter sido prometida pelo menos umas trinta vezes em campanhas eleitorais. Quase que juro.









Ontem uma vez mais desci à Arealva, assim é o nome da quinta onde até há pouco menos de cinco anos eram as instalações da Sociedade Vinícola do Sul de Portugal, propriedade de J. Serra e Irmãos (a propósito, tenho ainda alguns Dãos e Douros de coleção, além de uma aguardente vinícola de estalo desta firma). Quando esta sociedade decidiu encerrar a atividade, centenária naquela zona, consta-se que vendeu a quinta não se sabe bem a quem. Pronto, poderia por aqui um ponto final. É propriedade privada, fique-se por aqui. Mas não, não acho que deva terminar. Não sei a quem pertence a jurisdição daquele território, se à Câmara Municipal de Almada ou se à APL. Seja a uma ou a outra, a única coisa que vos digo é que tenham vergonha na cara. Não sabem como se faz, mesmo sendo propriedade privada? Não sabem? Gastam tanto dinheiro em tanta porcaria, metam-se no carro e dêem uma voltinha por essa Europa fora. Comecem já aqui pelo país ao lado, por Espanha, vão à França, à Suíça, à Áustria e até à Croácia. Não sabem? Aprendam! Não sejam cúmplices do atentado que se faz ao nosso património urbano ou natural, tanto faz. Vejam as fotos e tenham vergonha na cara. Olhe, para si especialmente Srª Presidente da Câmara, parafraseando não me lembro quem. A História não se faz só com glórias. Faz-se também com misérias.









sábado, setembro 24, 2011

1585. Acertei

Aos urinóis dos centros comerciais que eu mais gosto de ir é àqueles que têm uma bolinha de naftalina. Enquanto faço o meu xixizinho entretenho-me a fazer apontaria à bola.

segunda-feira, setembro 12, 2011

1583. Lunch Time Blog - o polvo


Muito justamente tenho sido acusado de preguiçoso pelos poucos e poucas, estas mais do que eles, mas muito bons e muito boas, passe a brejeirice do termo, queridos e queridas amigas leitores e barra ou leitoras do PreDatado. E se é bem verdade que estas minhas ausências do PreDatado, o blog, que o PreDatado, a pessoa, ainda não tem ausências (bati três vezes na madeira para que o sr. Alzheimer não leia este post) se devem fundamentalmente a esse desviante pecado mortal, não muito grave por ser o sexto da hierarquia, a verdade é que também não encontro muito para dizer. Por exemplo, e vocês sabem que não gosto nada destes trocadilhos, tipo a semana passada fui passear a Castelo de Vide e, depois, chegar aqui e dizer-vos que foi por cauda de uma promessa que fiz à minha mulher. Claro que não poderia olvidar-me de rematar com um inesperado e muito original, o que é prometido é de Vide. Pronto! Estava a parvoíce instalada. Pior, pior, era eu vos dizer que visitei um castelo em Estremoz, outro em Veiros, ainda em Castelo de Vide e, para mim, o mais bonito, em Marvão. E concluir que apesar de ter lá encontrado o meu amigo Apolinário não o vi com a sua estimada esposa, a Clara. Definitivamente, ainda não estava a clara em castelo. Outra parvoíce. Ou, por exemplo, virar-me para o campo político e dizer que fui ao Alentejo profundo para ver se via o Álvaro, já que se não deixa ver pelo Terreiro do Paço. Mas perguntar por onde anda o Ministro da Economia não teria nada de original pois até o António José Seguro, que eu ouvi atentamente este fim de semana no congresso cor de rosa, e que não nos trouxe nada de novo, já fez essa pergunta. Então a minha interrogação seria muito menos ajustada do que a dele e não traria nada de novo ao blog. Agora uma coisa é certa. Ainda vou aprender a fazer aquela alhada de cação que comi na Varanda do Alentejo em Marvão, que estava pura e simplesmente divinal ou as burras no forno que nos foram servidas na Adega do Isaías em Estremoz. E neste LTB não podia deixar de dar uma palavra de simpatia ao David que o país fez o favor de transformar de um licenciado em gestão de empresas em empregado de mesa. Força David! E uma outra para a Patrícia que com uma tremenda simpatia nos serviu no restaurante do Sever em Portagem e que com os seus 19 anos ainda tem esperança que o curso de comunicação social que frequenta a possa levar a outras paragens e com outras portagens. Muitas felicidades para ambos.

PS. O Schubert ficou estes três dias, em que estive de lua de mel, em casa. Quando cheguei, foi o primeiro a quem contei as peripécias da viagem. Quando lhe falei do projeto de post que estava a pensar escrever, no seu pensar de gato ficou na dúvida se eu deveria referir que no restaurante Adega, no Crato estive 1h e 08 m à espera que me servissem um polvo à lagareiro. No miar dele quis-me dizer, coitados, e tu sabes quanto tempo demora a pescar um polvo?

sexta-feira, agosto 26, 2011

1582. Conversa de caca


Acabei de ler na Avogi um extraordinário post didático. Ensina a Avogi as meninas a embrulhar pensos menstruais. Pois este ensinamento que se segue  é para meninas e meninos e tem a ver com cocó de cães.

E como diz a Avogi, aprendam porque eu não vivo sempre.

Em primeiro eu até podia começar aqui por vos explicar o que é um saco plástico. Primeiro o que é plástico tipo assim a fórmula química do hidrocarboneto que o constitui, polimerizado ou não. Depois como é cortado, dobrado, colado e etc com alcinhas ou não. Mas vou deixar este trabalho sobre química e sobre produção industrial de sacos de plástico que é assunto lateral para me atentar no fundamental.
E do fundamental consta um cão ou fêmea, ou mais, uma dona ou um dono ou até ambos, uma trela legada ou não à coleira, a coleira propriamente dita e o principal que não é exatamente um detalhe, o cu do cão (ou da cadela).

Pois estes estimáveis bichinhos têm, obviamente, todo o direito de terem necessidades fisiológicas. E têm todo o direito de evacuar, ora pois então! E até de fazer o seu xixizinho. Já que seria muito incómodo para os donos andarem de mangueira ou balde de água atrás, pelo menos tenham o cuidado de não porem os bichinhos a mijar contra o MEU CARRO, ok? Se não um dia, vejo-os a fazer isso, perco a vergonha na cara, tiro o pirilau para fora das calças e mijo nas pernas do dono ou da dona e vingo-me. Mas se o bichinho distraidamente o fizer, vá a senhora ou senhor a casa se faz favor, pegar num balde e num paninho e lavar o alvo da canina esguichadela. Se não percebeu eu mando-lhe um e-mail a explicar o que é um balde. E se pretender, também lhe explico o que é um pirilau.

Já agora, vamos lá então falar do cu. O cu, para aqueles donos que nunca repararam é o buraquinho traseiro de onde sai o cocó que o seu canito ou cadelita deixam no meu passeio. E um saco plástico é aquilo que a dona ou dono desse bichinho ou bichinha deviam trazer na mão para apanhar o cocó e botar no contentor. Ah, está bem, não sabem o que é um contentor. Pois se um dia eu vos cagar à porta, talvez aprendam. Ou querem que eu faça um desenho?

PS. Tenho a certeza que nenhum dos leitores deste post deixa os seus canitos cagarem a céu aberto sem limparem a respetiva defecação. Mas este sermão não é para nenhum nem nenhuma de vocês. É para os peixes, ou eu não me chame Santo António!

sábado, agosto 13, 2011

1581. Hoje não me apetece

Como não me apetece nada nem comentar política nem futebol só me apetece mandar dar uma volta ao bilhar grande o Passos Coelho e Jorge Jesus. Mas como não o posso fazer senão poderia ser processado por ofensa aos dois visados, não os mando. Outros com mais tomates que o façam que eu estou-me nas tintas.

segunda-feira, agosto 08, 2011

1580. Lunch Time Blog


O ano passado, quando fui à Praia Verde e deparei com as ruas de acesso completamente degradadas, calculei que a Câmara Municipal (penso que de Castro Marim) estaria à espera do outono, para não prejudicar, com obras em pleno verão, o afluxo turístico às praias. Puro engano. Este ano fui encontrá-las, não diria na mesma pois mais um ano se passou, muito piores do que o ano passado, sendo penoso para os carros e um imenso cartão de visita de mau gosto para os turistas. Enquanto a alimentação for mais barata em Portugal do que em Espanha, talvez o sr. Presidente da Câmara possa ficar descansado na sua cadeira presidencial, quiçá a coçar os tomates e a usufruir do fator sorte. Comparar as nossas infraestruturas com as vizinhas Isla Canela ou Isla Cristina, mesmo ali ao lado de Vila Real de Santo António, só por brincadeira. Mas na verdade, come-se muito bem em Portugal e não muito caro. Tive o privilégio de usufruir, no restaurante panorâmico O Infante, com a minha mulher, de um excelente bacalhau à lagareiro e uma espetada de tamboril com camarão, de se lhe tirar o chapéu, muito bem acompanhado de um Herdade dos Grous, 2008 reserva, além da entrada de queijo fresco de cabra temperado com orégãos e azeite, pão e azeitonas e, tal foi o repasto, que tive de abdicar da sobremesa e passar direto ao café e, tudo isto, para duas pessoas, por metade do preço do que pagaria do outro lado do Guadiana. Enquanto for assim sr. Presidente da Câmara, se quiser, posso lhe levar o jornal da manhã, um café e um palito enquanto coça os ditos acima mencionados, pois os espanhóis vão-se estar nas tintas para os acessos. Mas não abuse da sorte.

PS. O Schubert não gosta de praia por isso ficou em casa. Mas não ficou pior. Disse-me ele que a ração estava deliciosa e que não aprecia bacalhau à lagareiro.

domingo, agosto 07, 2011

1579. Melão!

Antes de iniciar as férias no Alentejo uma coisa não me saía da cabeça. Passar em Figueira de Cavaleiros para compra melões. Gostamos de, por um lado, sempre que possível, ajudarmos os produtores pagando um preço justo onde os intermediários não cobrem a maior fatia. Por outro, comprando mais barato do que na distribuição se juntaria o útil ao agradável. Neste último aspeto, o melhor foi tirar o cavalinho da chuva. O preço por quilograma, foi superior a Auchan, Continente, Lidl ou Pingo Doce. Mas isto nem seria problema pois gostamos do melão daquela região. O pior, o pior é a balança. Descaradamente roubam, com letras maiúsculas, ROUBAM, no peso como gente grande. Assim não. Assim, por mim, nunca mais!

segunda-feira, agosto 01, 2011

1578. Pelintra

Passos Coelho fez de mim um pelintra e a chacota dos meus colegas. Agora sou obrigado a ir de carro para o trabalho porque não tenho dinheiro para o luxo que são os bilhetes dos transportes públicos.


(uma parte disto é mentira porque ainda estou de férias; para a semana falamos)

quinta-feira, julho 14, 2011




Vamos então esclarecer os meus queridos e as minhas queridas leitores das coisas que o Pre, para os amigos e amigas Prezinho e para todos, com estima e amizade, PreDatado, aqui fala no blog. Em cima podem ver o meu lindo gato Schubert, companheiro indispensável no Lunch Time Blog e em outras andanças, nomedamente na caça às borboletas. Mais abaixo um civilizado senhor que, depois de ter apanhado o produto defecado pelo seu fiel companheiro e o ter colocado no respetivo contentor lhe limpou o cuzinho não vá o bichinho sentar-se em algum lugar que não lhe seja reservado e o conspurcar indevidamente. Finalmente as dores nos buchos das pernas tinham razão de ser. No seu escritoriozinho (o inho é apropriado) onde o Pre bagunça secretárias e não dispensa um galhardete do Glorioso, pode ver-se ao fundo a sua mais recente obra. Se não quiserem mandar nenhum livro para o apartado que já conhecem, não se macem porque rapidamente as prateleiras se encherão. E olhem que se o Pre não leu uns 80% (excluindo dicionários, enciclopédias e livros de medicina e curandices) por lá anda. 

(se quiserem ver melhor, cliquem nas fotos)

1576. Quem atua?

Uma vez que moro na fronteira dos Concelhos de Almada e do Seixal é natural que seja por estas duas cidades que mais passeie. O que não estou disposto é que as minhas caminhadas sejam gincanas entre os cagalhões que povoam os passeios destas aldeias de prédios altos. Quem atua?

terça-feira, julho 12, 2011

1575. Incidente

O armário tinha as portas entreabertas. Olhei para ele desconfiado e pensei que eu ou a Zé nos teríamos esquecido de o fechar. Fui ver o que era, empurrando uma das portas. Ah, não há problema é só algo mal arrumado que entalou as portas. Abri-as para ver o que era. Ato contínuo uma catadupa de chávenas, canecas, pires, açucareiros, taças de sobremesa, pratos e pirexes deram em fugir do armário. Enfim libertos. Acabaram a fuga todos partidinhos. Água oxigenada e um penso rápido foi quanto bastou para estancar o sangue numa das pernas.

segunda-feira, julho 11, 2011

1574. Ocupadíssimo

Entre fazer uma estante nova para o seu escritório, festas e passeios, o Pre anda cansadíssimo. Até lhe doem os buchinhos das pernas.

sexta-feira, julho 08, 2011

1573. Mensageiros

A mensagem é má, mata-se o mensageiro. Ah grande Alberto João. Parecem se coisas de bokassas, mas não.

quarta-feira, julho 06, 2011

1572. Cada um é para o que nasce

Hoje estive a assistir ao vivo a uns ensaios de um grupo de fadistas. Numa das pausas do refrão em que é pressuposto o público trautear eu também ensaiei uma estrofe. Olharam-me com uns olhos de quem vai fazer um abaixo-assinado.

terça-feira, julho 05, 2011

1571. Lunch Time Blog

O meu almoço hoje foi bacalhau à Brás. Não é o prato que mais aprecio, embora goste, no entanto a confeção é rápida, o que dá mais trabalho ainda é fazer a batata palha, mas nem vale a pena falar-vos de receita porque viver em Portugal e não conhecer o bacalhau à Brás é o mesmo que acender a televisão e não ver o Alberto João Jardim, ou ir a Roma e não visitar o Coliseu. O que teve de particular o meu almoço de hoje foram dois fatos (que também se pode escrever factos, já que o AO permite a dupla grafia) bastante relevantes. O primeiro foi que o Benfica vendeu o Fábio Coentrão, disse à CMVM que por 30 milhões, mas cheira-me que enfiou o barrete de comprar o Garay, quiçá por um preço igual ao do Roberto se não mais. Em contrapartida, recebe-se essa massa toda, gasta-se em jogadores de segunda ou terceira categoria, à vontade de Jesus, amén e, mais uma vez, adeus campeonato. O segundo (bolas, quase me perdia no primeiro) é que a minha vizinha das traseiras, enquanto almocei, não andou a estender roupa em cuecas. E perguntam-me vocês, amigas leitoras e amigos leitores porque é que, apesar dos dois factos (ou fatos) que nem foram tão do teu agrado, escreveste um Lunch Time Blog? E eu respondo: - por causa do PS.

PS. O meu gato Schubert não me acompanha no bacalhau à Brás. Não porque seja amante de bacalhau, que não o é, mas porque, fundamentalmente, não gosta de ovos. O que o meu gato Schubert não deixou passar em branco, e isso viu-se pela atenção que estava para a televisão, foi o Estado ter mandado às urtigas as golden shares. Ele diz, que nem precisamos de ter governo. Para isto chamávamos os alemães e eles que mandassem. Ainda se poupava alguma gaita em ministros, que nem o pagamento da portagem na 25 de Abril em  Agosto compensa. E depois digam que o meu gato Schubert não está atento.

1570. Do contra

Para contrariar a tendência dos portugueses de não fazerem férias fora de casa, já comprei duas cadeiras de encosto para pormos na varanda. E mánada!

1569. Linguajar

Ontem ao assistir a um jogo de futebol reparei que Acassiete jogava pela seleção do Perú e não pelo PC como muitos ainda nos querem fazer querer.

O comentador disse por duas vezes - pede-se uma mão dentro da área - e eu percebi pede-se o mamão dentro da área. No meu tempo de miúdo dizia-se que o gajo que não saía da área para receber a bola e marcar golos, estava à mama. Era portanto o mamão. Ou seria que o comentador acha que, como aquilo se joga nos países onde no futebol se distribui fruta a toda a hora que era preciso começar por algum lado?

Não é só nos países tropicais que se distribui fruta quando há futebol. Consta que determinado clube em Portugal também  faz o mesmo.

Hoje é só linguajar.

domingo, julho 03, 2011

1568. Apontamentos

Todos os dias acordo numa ansiedade de ler os jornais desportivos e ver se há mais algum jogador apontado ao Benfica. Esta época ainda só vai em 132.

sábado, julho 02, 2011

1567. Normalidades

Num dos corredores de um centro comercial, uma senhora para de repente para conferir a conta do supermercado. Um casal, mais atrás, em passo acelerado conversava animado. O homem do casal caminhava a olhar para o lado e acabou a dar um valente encontrão à senhora que tinha travado. Esta ficou com cara de estúpida sem perceber porque é que estava a ser abalroada. O tipo ficou com cara de estúpido a pedir desculpa, com um sorriso meu parvo, sem perceber como é que tinha chocado com a outra. E eu fiquei com cara de estúpido a interrogar-me se tudo isto seria normal.

1566. Declaração

Declaro por minha honra (e assumo as minhas responsabilidades, tal como dizem os políticos) de que não cortarei metade do subsídio de Natal à minha empregada doméstica. Pode ficar descansada, D. Fátima.

sexta-feira, julho 01, 2011

1565. Recomeço e não só.



A última vez que comprei carro corria o mês de Março de 2002. É um utilitário familiar de gama média, está muito mas muto longe mesmo de ter as performances dos carros oficiais dos senhores ministros. Mandei fazer uma casita na terra, já lá vão mais de 15 anos e está todinha paga, graças a Deus. O apartamento onde vivo estreei-o em 1980, comprei-o com empréstimo bancário, consegui pagar todas as prestações, também já está paga. Sim, fui viajar ao estrangeiro. Fui a um país com a minha mulher para ela fazer um tratamento que em Portugal não lhe facultam. Fui também ao estrangeiro, visitar o meu filho que teve de emigrar porque se arriscava a ser mais um dos 3000 licenciados que ainda hoje, dia em que estou a escrever e a publicar esta nota, foram mandados para o desemprego. Fui também várias vezes a Espanha, que fica ali mesmo ao lado da terrinha, para encher o depósito para a volta, já que é muito mais barata do que cá no burgo. E fui a outro país, com a viagem paga com dinheirinho na mão, porque acho que tenho direito. Compro de três em três anos um par de sapatos e nos últimos dez anos comprei dois fatos, um dos quais para o casamento da minha filha. Não devo dinheiro aos bancos, nem fiz nenhum crédito pessoal à Cofidis, Onix, Barclays ou outra dessas empresas que oferecem o dinheiro que você quiser. É verdade que tenho cartão de crédito, mas como o demo pode-se esconder atrás da porta, pelo sim, pelo não, assinei um contrato de débito direto pela totalidade no final de cada mês. Acham que isto é viver acima das minhas possibilidades? Não votei no PSD (aliás, pelo que tenho ouvido por aí, ninguém votou), nem no CDS, nem no PS pelo que não me sinto moralmente vinculado ao acordo com a troika. Porque é que hei-de ficar sem o subsídio de Natal?

PS. Uma pequena desgraça abateu-se sobre o blog PreDatado. O seu autor já não está acostumado a estas coisas e fez o chamado grande disparate. Pensava que estava a testar layouts e alterou o layout. Perdeu todos os links, perdeu as estatísticas e perdeu os comentários. Como este blog tem mais de 8 anos, o Pre nem sabe já sequer qual era o sistema de comentários e nem se lembra sequer do user / password do sistema de contagens e estatísticas. Tenho alguma pena mas como disse acima é apenas uma pequena desgraça. Fica assim, paciência… Entretanto como não há mal que sempre dure, o Pre vai recomeçar a publicar. Vamos ver até quando…


quarta-feira, dezembro 08, 2010

1564. O Ómega

Existu uma fase, não sei se depois veio uma segunda ou uma terceira vaga, em que vai não vai se discutia o porquê de ter um blog. Normalmente, alheei-me desse(s) debate(s), eu tinha um blog porque sim. Se no início o blog serviu-me para coisas, mais tarde foi-me servindo para mais coisas. Houve contos e poemas, reflexões e intervenções, sabores e aromas, piadas e cores, brincadeiras e intimidades e partilhas q.b. porque o blog é meu não é da Joana. Teve também uma função catalizadora, se não mobilizadora, da minha vontade de escrever ou da minha vontade de dizer algo. Foi também um divulgador e um desabafador mas nunca um muro de lamentações. Não lamento ter criado este blog e muito menos lamentarei acabá-lo. E da discussão dos porquês de ter um blog, é o de gostar de ser lido. Não vale a pena negá-lo seria até desonesto, ou melhor, intelectualmente desonesto não o admitir. Isto é, se fosse só para mim, seria privado, serviria de bloco de apontamentos e ponto final. Se o abri ao público é porque, obviamente, gosto de ser lido. Só que isso, há muito que não acontece, salvo os poucos, a quem agradeço publicamente e mais uma vez, que têm o prazer de aqui vir dar uma espiadela quase diária. Tenho muitissima consideração por eles mas este pequeno membro blogosférico murcha hoje. Eu ando por aí e vou dizendo umas e ameaçando outras no facebook. Sete anos e tal por aqui, blá, blá, blá... ósculos e amplexos para todas as minhas amigas leitoras e todos os meus amigos leitores.

PS. o Schubert miou, deu meia volta e voltou a adormecer.

terça-feira, dezembro 07, 2010

1563. Quando o frio passar


Cheira-me a âmbar e jasmim,
fragâncias que emanam do teu corpo.
És a minha primavera.



Foto e texto PreDatado

sexta-feira, dezembro 03, 2010

1562. Fumos

Tirou o último cigarro do maço e deve ter exclamado, bolas. Provavelmente por não ter mais cigarros ou, talvez, zangado com ele próprio por estar já a esvaziar o segundo maço do dia. Mas era noite e não tinha onde comprar mais. Iria fumar apenas metade e deixar o resto para quando lhe fizesse mais falta. De resto o livro estava à beira do fim, este seria um best-seller, ele já o imaginava nos escaparates com o um dístico redondo com o número 1. Foram mais de dois meses de escrita e de algumas pesquisas, poucas porque, a verdade seja dita, era rapaz de muita cultura e, se a uma personagem lhe queria dar um corpo de um Modigliani ele sabia exactamente como o descrever ou se outro tocava trombone então era um potencial Glenn Miller. Para não falar que era quase formado em botânica. Daria umas boas 350 páginas em Sabon/12 A5, a editora iria ficar satisfeita. A Rosália sorriu, um pobre e desmaiado sorriso quando a imagem de Jaime lhe veio à memória. E de tantos anos de mágoa apenas uma a fustigava naquele momento. Nunca ter dormido em lençois de linho. Levantou-se e foi espevitar o lume que, àquela hora, já morria na lareira. Ponto final, estava pronto. Retirou a folha da máquina, ajeitou a resma e foi para a janela olhar a estrelas. Deu duas baforadas na outra metade do cigarro.

Foto e texto PreDatado 2010

quarta-feira, dezembro 01, 2010

1561. Ciúme






Por razões editoriais o poema foi retirado do blog e figurará na coletânea Palavras Nossas, Esfera do Caos, a editar em Novembro de 2012.
Vítor Fernandes (aka PreDatado)


segunda-feira, novembro 29, 2010

1560. Como eu gostaria de ser poeta

Ritmo e som. Ah sim, ritmo e som. Sobe Luísa, Luísa sobe, sobe que sobe sobe a calçada. Ritmo e som. Teu nome antes mesmo do caderno teu nome na negra lousa eu escrevi eu o escrevi e apaguei e se perdeu e renasceu. Ritmo e som, sonoridade e fonética, alma e coração, faísca que se acende ou água que se espelha entre os corpos. Ai Gedeão, Ai Alegre, ai Urbano, ai Pessoa como eu gostaria de ter este ritmo, como eu gostaria de acender a faísca, como simularia a dor que deveras sinto, como eu subiria a calçada. E escreveria, por toda a parte eu escreveria o nome dela.

Foto e texto PreDatado 2010

sexta-feira, novembro 26, 2010

1559. Outonos

Era matemático! Àquela hora, lá estava ele, de livro debaixo do braço, sobretudo e chapéu se fosse inverno, mangas de camisa, usava sempre camisas de manga comprida e boné, pois claro, se fosse verão. Conheciam-no como o homém dos mil chapéus. Era coisa que não dispensava fosse por moda, por cultura ou por habituação. E também não falhava nenhum dia da semana, a sua chegada era pontual. De um rigor matemático. Tinha até um chapéu especial para os domingos, não lhe sei dizer o nome mas era assim a modos como que uma cartola. A garotada gostava de se sentar ao lado dele e disfrutar dos caramelos espanhois que sempre trazia no bolso. A senhora que passava a empurrar o carrinho de bebé (devem ter sido muitas, pois uma delas lembro-me de a ter visto, mais tarde, passar com o pequenote pela mão e, mais tarde ainda, ter visto o garoto aos pontapés numa bola e, se a memória me não falha, vi-o mesmo passar com a sacola da escola), em troca de um sorriso recebia uma vénia de chapéu na mão e de corpo, alguns anos depois, já curvado. A moça do vestido às flores sentava-se ao lado dele e passavam largos minutos a conversarem. Não eram poucas as vezes em que se ouviam sonoras gargalhadas. A moça deixou de vestir vestidos com flores e os cabelos começaram a ficar mais curtos mas, ainda assim, se sentava ao lado do velho fazendo reluzir uma aliança de ouro. Já não soltava tão grandes gargalhadas mas ainda se ouvia rir. Os miúdos cresceram, não lhe pediam mais rebuçados. Àquela hora, todos os dias, o homem dos mil chapéus, o último que se lhe viu era um chapéu de coco que não lhe assentava particularmente bem com a gabardinha beje, chegava com um livro na mão e sentava-ve à espera de alguém a quem tirar o chapéu. Quando deixou de apararecer soube-se que todos os dias, rigorosamente à mesma hora, recebia sobre a campa uma flor. Flores de mil cores, como os seus mil chapéus chegavam-lhe à mesma hora. Era matemático.

Foto e texto PreDatado 2010

quarta-feira, novembro 24, 2010

1558. Introspecção



Coloco os auscultadores nos ouvidos. Hoje não estou cá. Estou longe de tudo e de todos mas pior do que isso sou eu que quero estar longe de tudo e de todos. Tenho dias assim, quero ficar comigo só, mas não é mau, não é mau ficarmos só conosco nem que seja por umas horas, por uns minutos, por ligeiros momentos. Nestes momentos passam-nos tantos anos pela cabeça, passam-nos tantos minutos pela cabeça, passam-nos até alguns instantes pela cabeça. Um encontrão aqui, outro ali e, de repente, abro os olhos entretanto semi-cerrados e fico a pensar que um valium me ajudará a passar esta pancada. E depois digo eih meu, vai dar uma voltinha, vai. Retiro os ascultadores dos ouvidos e desligo o Lou Reed da minha cabeça.

Foto e texto PreDatado 2010

segunda-feira, novembro 22, 2010

1557. Doces e outras iguarias

Hoje foi dia de saborear. Bem sei que te empenhaste, puseste tudo o que é teu de sabedoria culinária só para me agradares e eu fico feliz quando estás com a colher de pau em riste e com um sorriso nos lábios. Sei que algo de muito delicioso me vai ser presenteado, sei que os sabores dos nosso avós, mesmo se já não nos lembramos deles, nos vão ser servidos à mesa. Sabes como sou bom de mesa, um bom garfo como me costumas dizer. Tiveste até o cuidado de ires à minha garrafeira particular e escolher o vinho, Não é que sejas uma enófila nata mas, provavelmente, porque confias na minha garrafeira particular. Mas sabes também que eu, por mais maravilhosos que sejam os teus cozinhados, por mais cheirosos que sejam os teus temperos e por mais subtileza que tenhas em escolher um dos meus tintos preferidos só fico feliz quando te tenho por sobremesa. Tu, sim, és a minha verdadeira mousse de chocolate.

Foto e texto PreDatado 2010

sábado, novembro 20, 2010

1556. Estados de alma

Estou alegre hoje. Quando estou alegre gosto de escrever. Mas tenho de ter cuidado pois se começo para aqui a debitar frases atrás de frases ou nunca mais paro ou quem me veja escrever acha que estou numa de digito-suicidio. Por isso vou-me conter, vou dar uma sonora gargalhada, vou tomar um abafadinho, vou ver um desenho animado do bip-bip e do coyote, vou ler um bocadinho do Mário Zambujal, vou ouvir cantar uma desgarrada brejeira, depois vejo um tube (ou dois) dos Monty Phyton. Saio para a varanda, respiro uma lufada deste ar fresco que o outono manda e dou, sim dou, ofereço, partilho, sem querer nada em troca, uma sonora gargalhada.

Foto e texto PreDatado 2010

sexta-feira, novembro 19, 2010

1555. A minha cimeira

Um a um fui-os alinhando à minha frente. Fiz um risco no chão, o mais direito que fui capaz com a ponta de uma cana apanhada ali mesmo, no valado. Depois joguei fora a cana (não me lembro bem desta parte, se a joguei fora ou se a pus de lado). Continuei a alinhá-los, todos da mesma cor, camisa azul e calça cinzenta. Peguei na cana de novo (já sei, não a tinha jogado fora pois voltei a usá-la) e fiz um risco em frente ao outro. Mais tarde aprendi que se chamava paralelo. E alinhei os outros. As camisas eram vermelhas, tinham umas correias cruzadas em diagonal, brancas, sobre as camisas vermelhas. Alinhei-os em frente aos azuis. Todos tinham uma arma, alguns em riste, outros alinhada paralelamente, cá está, paralelamente, ao corpo. Mentira, não eram todos, um deles tinha um tamborzinho e outro, com umas bochechas gordas, tocava uma corneta. Atrás de cada fila alinhei os que montavam a cavalo. Também tinha cavaleiros com camisas vermelhas e outros com camisas azuis. Só que os que andavam a cavalo tinham espadas, não eram como os que andavam a pé. Da outra caixa tirei os canhões. Eram quatro e pu-los em cada uma das pontas das filas da frente. Não sei se eram aqueles os lugares deles mas também não me importei. Deixei ali mesmo os soldadinhos de chumbo e fui jogar à bola. Não gosto de guerra.

Foto e texto PreDatado 2010

quinta-feira, novembro 18, 2010

1554. Outono






Por razões editoriais o poema foi retirado do blog e figurará na coletânea Palavras Nossas, Esfera do Caos, a editar em Novembro de 2012.
Vítor Fernandes (aka PreDatado)

quarta-feira, novembro 17, 2010

1553. Propriedade

Pediste-me para te fazer um poema e eu respondi-te que não se faz um poema sem acreditar no que o Eugéneo disse uma vez. A mão certeira, a intimidade, o coração. Pareceu-me, quando me viraste as costas, ter visto uma lágrima correr no teu rosto. Não te menti apenas acho que não me entendeste. Não posso escrever um poema se não estou certo que o que escrevo é o que é quero escrever, se a mão me treme. Não posso escrever se não te vejo cúmplice dele, se não és a terra que a água precisa de regar e muito menos se não és o coração em que me empenho. Os meus poemas são propriedade privada e ela sabe-o.

Foto e texto PreDatado 2010

terça-feira, novembro 16, 2010

1552. Vagueando nos teus sonhos

Sorris, vejo-te sorrir e tu nem imaginas que te estou a ver sorrir. Ou talvez imagines pois, mesmo sem esperar que nos vigiam, ficamos de alerta. E tu mais do que eu. És mulher, dizem que tens um sexto sentido. E sorris. Gosto de te ver sorrir. E eu sorrio também. E sem sairmos deste poema de sorrisos, viras-me as costas e eu abraço-te. Oiço-te murmurar mas não quero perturbar-te o sono. Nem o sonho. Continua a sorrir.

Texto e Foto de PreDatado - 2010

segunda-feira, novembro 15, 2010

1551. Liberdades


Sobre a almofada, entre o sono e o madrugar oiço uma música de fundo que me perturba e que ao mesmo tempo me comove. Sons de outros tempos e de outros lugares e sons que me soam tão actuais. Quero ficar assim no limbo apesar do sol teimar em invadir-me pela frincha da janela. Os partigiani estão lá longe, e as pálpebras essas continuam teimosamente a não se querer abrir. Não, não há invasores é só o Sol. Bella ciao, bella ciao, bella ciao, ciao, ciao. Cobri o rosto com os rubros lençois de cambraia. E abracei-te como se fosses a minha bandiera rossa, a minha liberdade.

Foto e Texto PreDatado 2010

sábado, novembro 13, 2010

1550. Nú

E ali estava eu, nu, sem muito bem saber o que fazer, sem muito bem saber se ir se ficar. Mas é assim que eu gosto de estar, despido de obrigações e à margem dos mandamentos da vida e da sociedade. Sozinho com os meus pensamentos e nem com os botões para partilhar. E ali sim, monto no cavalo da fantasia, o meu pégaso mais-que-tgv e deixo o pensamento tomar as rédeas da liberdade. Não sei se divago se me afago em deliciosos momentos. Que são meus.

Foto e texto de Vítor Fernandes a.k.a. PreDatado

quarta-feira, novembro 10, 2010

1549. Viagem dos Sentidos









Por razões editoriais o poema foi retirado do blog e figurará na coletânea Palavras Nossas, Esfera do Caos, a editar em Novembro de 2012.
Vítor Fernandes (aka PreDatado)

sexta-feira, novembro 05, 2010

1548. Este país não é para quem?

Era uma festa. Contavam-se quase os dias e os minutos, anunciava-se antes, avisavam-se os amigos. Preparava-se a data com um texto, uma foto, um poema. Tudo era especial nesse dia. O blog fazia anos, xiribitátátá, urra, urra, urra. Foi assim durante vários anos em muitos blogs, alguns chamados de culto e outros de gente famosa e de intervenção pública mediática. Foi assim também neste modesto blog e noutros blogs que se quiseram projectar como simples e modestos mas que, tinham ou têm por detrás gente de elevada estatura intelectual, moral e sobretudo humana alguns dos quais, autores, me concerderam o previlégio de vir a ser seu amigo. Escrevo isto porque se foi questionando sempre, ao longo da já mediana vida da blogosfera, para que serve um blog. E entre as mais vastas discussões de todos os carizes o blog, não digo que por unanimidade mas até imagino que alguns dos que não o faziam tinham uma pontinha de ciúme, dizia eu, o blog servia também para festejar o seu próprio aniversário. Com muitos parabéns a você e muitos beijinhos nas caixas de comentários. Bem sei que já não tenho 150 leitores diários, mas pelo menos os 10 que religiosamente vêm cá espreitar se tenho novidades, teriam merecido que eu fizesse referência ao 7º aniversário do PreDatado. Foi no passado dia 29 e mando eu agora ósculos e amplexos para todas e todos vós amigas e amigos leitores.

Mas afinal para que serve um blog, principalmente um blog como este que não é actualizado mais do que uma ou duas vezes por mês, deixou de contar piadas, de publicar as fotografias que o seu autor tira pror aqui e ali, que há quase um ano não publica um poema inédito do prezinho (ainda se lembram que eu sou o prezinho, não lembram?), que não fala mal do Sócrates, que não festejas vitórias ou chora as derrotas do seu Benfica, que não emite opinião político-financeira sobre os mercados, que não deixa aqui receitas das belas comezainas que se entretem a fazer ou a inventar na cozinha, que não conta as peripécias do gato Schubert, que não escreve episódios de contos com palavras que até o Aurélio lhe custa enunciar, que deixou mesmo de ser bispo da sua própria igreja?

Eu não sei a resposta completa a tão vasta pergunta e, mesmo que a soubesse, seria complicado detalhar tin-tin por tin-tin. Mas uma coisa é certa e essa eu sei. Seve para dizer que escrevi um e-mail à EDP na passada segunda feira e ainda não recebi resposta. Este país está na mesma e portanto... o blog ressente-se.


Foto: PreDatado, tirada no Pulo do Lobo

quinta-feira, outubro 21, 2010

1547. Egas Moniz

No próximo mês de Novembro terá lugar uma greve geral que se prevê venha a ter uma adesão nunca vista neste canto da Europa. O IVA subiu para 23% e o leite enriquecido com cálcio passou a ser considerado um produto dispensável passando, por isso, dos antigos 6% de IVA para 23% (pelo menos, quem tem osteoporose pode gabar-se de ter uma doença de luxo). Nunca a palavra responsabilidade foi tão bastas vezes dita e redita pelos nossos políticos. Por acaso eu acho uma patetice e diria mais que isso, um logro. Não acredito que nenhum deles alguma vez coloque a corda no pescoço como o fez o velho Egas Moniz, para pagar os erros de governação. Isso sim seria assumir as responsabilidades e o resto é treta. Os salários dos funcionários públicos vão ser cortados em valores que chegam a atingir os 10%, numa medida inédita e que, dizem os economistas sérios, terá graves consequências na nossa economia, enquanto qualquer secretariozeco de estado se passeia em automóvel topo de gama. Estão todos muito empenhados em salvar Portugal, destruindo os portugueses. Provavelmente transformar isto num baldio que não serve para nada. Portugal não é um conceito, Portugal são os portugueses.

Quero eu dizer na minha que com tudo isto e mais algumas coisas o futebol não é tudo na vida, nem tão pouco o mais importante. Mas o Benfica é o meu clube e eu tenho também o direito de saber o que se passa por aquelas bandas. Apenas saíram dois jogadores da época passada e a equipa desmoronou-se. E não é só por culpa dos olegários benquerenças. Ontem em Lyon, como antes em Gelsenkirchen e em mais outra mão cheia de estádios não se encontram o Javi, o Maxi, o David Luiz, o Saviola, o Cardozo que brilhavam no ano passado, nem os novos Jara ou Sálvio parecem ter estofo para se aguentar à bronca, para já não falar nos sempre lesionados Fábio Faria e Ruben Amorim. Nem, tão pouco, já Jesus salta no banco. Está na hora do presidente do Benfica começar a olhar para o futebol tout court e deixar os pintos da costa em paz. É que a nós benfiquistas, apesar da crise, apesar dos sócrates e dos teixeiras dos santos do nosso descontentamento, ainda gostamos de ganhar. E se este estado de coisas continua, senhor presidente, alguém lhe vai pedir, também, as suas responsabilidades, quem sabe exigindo-lhe que se comporte como o velhinho Egas Moniz.

domingo, outubro 03, 2010

1546. Como é que se faz para explicar a um tipo que a PIDE já acabou?

De repente, na net e sem darmos por isso arranjamos um inimigo de estimação. Estava eu muito descansadinho no Facebook, que tenho ultimamente como passatempo, quando achando engraçada uma foto que alguém na minha lista de “amigos” lá colocou, a comentei com todo o prazer. Eis senão quando, passados alguns minutos, sob a mesma foto existia um comentário, entretanto apagado pelo autor da foto, que dizia mais ou menos assim (cito de cor) “mais uma vez tive de apagar um comentário de uma pessoa que é cúmplice de uma mentira a qual eu estou farto de denunciar, bla bla bla,” e cocluia no comentário que eu o teria desmentido. Ora o comentário apagado na foto do gato e da garrafa de vinho era o meu. Entrei depois em diálogo com esse “amigo”, em primeiro lugar para saber de que página eu era cúmplice e em segundo afirmando-lhe que fosse qual fosse o assunto eu, que apenas o conhecia da blogosfera, não me sentia com autoridade para desmenti-lo publicamente.

Sem mais delongas vou concluir. O senhor Vitorino censura-me porque eu aderi (na altura da adesão, convictamente) a uma página que apelava ao não pagamento pela utilização do Facebook. Depois dos desmentidos sucessivos no próprio Facebook feitos pelo senhor Vitorino (a quem eu deveria, publicamente, dar créditos ou elogiar) como eu não anulei a adesão á respectiva página tornei-me um proscrito e alvo de censura. Felizmente que o senhor Vitorino não é coronel de lápis azul, nem governante, nem agente da autoridade. Tenho em crer que se o fosse, provavelmente mandar-me-ia prender. Ou então talvez eu tivesse tempo de me exilar, sem, claro está, poder levar comigo o meu notebook, o FB e a tal página a que estou coladinho com uma grude que não se desfaz nem com a prosápia do senhor Vitorino. Sabe o que eu tenho para lhe dizer? Passe muito bem senhor Vitorino e olhe que a PIDE já foi fechada há mais de 30 anos e que o muro de Berlim também já caiu. Ou não deu por isso?

PS. Aqui poderá comentar à vontade que pode ter a certeza, seja qual for conteúdo, não será censurado. Mas acredito que apesar de tudo seja elevado..

quarta-feira, setembro 15, 2010

1545. Um post com setes

Já lá vai o tempo em que eu fazia um passeio à arrentela, via um caniche a fazer o pino, tirava meia dúzia de fotografias à beira da baía do seixal e ao caniche também, chegava a casa, dava-me um “vaipe” e escrevia um tratado sobre pinos de caniches, um livro de visitas guiadas às ruas da arrentela e ainda elaborava um álbum de fotografias do rio Tejo com caniches e vinha a correr para o blog publicar isto tudo. Ora agora que há matéria para escrever à fartazana tipo, começaram as aulas para crianças que têm a escola primária mais próxima a 30 kms de distância, que o Benfica tem andado escandalosamente a ser roubado pelos árbitros, que o governo aumentou em cinquenta cêntimos o apoio social para manuais escolares, que já estamos bem lançados em setembro e apesar disso a temperatura do ar ainda se manda acima dos 35 graus, que comemorei o meu trigésimo aniversário de casamento no passado dia sete do corrente (corrente não, reserva ou garrafeira que fica mais a condizer), tinha eu tantos motivos para escrever, sei lá coisas como termos novas sete maravilhas naturais ainda não totalmente destruídas pelos incêndios, que já tivemos o orçamento com um queijo limiano saído da cartola e que agora vamos ter o orçamento com passos de magia ou seja passos de coelho sem cartola, isto é, troco um orçamento por uma razão legalmente atendível, ou se a inspiração fosse escassa podia até escrever sobre o despedimento do carlos queiroz ou da sentença casa pia, tanta coisa, tanta coisa e eu aqui paradinho, num blog que até me dá vergonha de dizer que falta pouco mais de mês e meio para fazer sete anos de existência, uma das sete maravilhas da blogosferas, digo eu, tal tem sido o desprezo a que, coitadinho, tem sido votado.

Pois hoje teria uma matéria muito mais interessante que, como já referi, daria para fazer um livro de visitas guiadas, não é que não existam outros mas este seria à moda do PreDatado assim tipo um musical da Broadway mas com cantores convidados porque o Pre não sabe cantar. Na realidade o Pre não foi à arrentela, desviou-se um bocadinho e esteve a passar uns sete maravilhosos dias de férias em nova Iorque, mas anda com tão pouca vontade de escrever ou então com falta de imaginação que para compensar os seus amigos leitores e as suas não menos amigas leitoras, que estão sempre ávidos e ávidas de novidades de tal modo que ainda aqui vêm uns sete visitantes por dia, para compensar dizia eu e não me alongo mais para não maçar as leitoras e as leitoras ficam aqui umas fotozitas. E bye bye que eu agora falo muito bem americano.

segunda-feira, agosto 23, 2010

1544. Remexendo no baú



Ninguém é perfeito, tenho a certeza que será o comentário, quiçá paternalista de muitos vós amigos leitores, quiçá de afecto com que vós costumais me brindar, queridas e amigas leitoras. Pois mesmo assim, sabendo que ninguém é perfeito, custa-me aceitar que da minha pobre garganta não saia um dó que não pareça um mi, um fá que não se assemelhe a um ré. Pronto, resumindo e concluindo entre algumas outras coisas (poucas, passe a imodéstia) para as quais não fui talhado está a arte de imitar canários e rouxinóis. Não sei cantar, é pena mas é verdade. Eu bem tento, quando alguém num grupo de amigos puxa de uma guitarra, eu bem tento, dizia, acompanhá-los mas, ou a corda se parte ou o músico perde a palheta, ou tem de ir comprar cigarros, a verdade é que não sou boa companhia canora. No carro os meus filhos pedem-me encarecidamente para que lhes proporcione uma viagem tranquila, sem poluição de qualidade nenhuma, sei eu porque sou perspicaz que eles se referem a poluição sonora e não poucas as vezes em que quando tento os primeiros acordes vocais logo oiço por perto uma sonora gargalhada e um assobiar para o ar tipo não fui eu que me comecei a rir (isto na vida há sempre engraçadinhos em todo o lado). A pior que já me aconteceu, acreditem ou não, eu se fosse a vós acreditava, foi eu ter ensaiado cantar um fado em pleno duche e acto contínuo ter faltado a água.
Mas nem sempre foi assim. As luzes apagavam-se na plateia e acendiam-se no palco. Seis aves canoras de tenra idade disputavam entre si, sacos de rebuçados, livros de pintar, caixas de lápis de cor. As claques, já que ainda não tinha sido inventado o televoto de valor acrescentado, encarregavam-se de escolher o melhor. O cronometrista contava os segundos, às vezes minutos em que os aplausos troavam pela sala e eis senão quando, este que vos escreve aqui com as pontinhas dos dedos que o chão há-de comer, verdade verdadinha ganhou o primeiro prémio. Uma fotografia dezoito por vinte e quatro e um bolo-rei. Não era o que ele mais queria, mas enfim, não se pode ser primeiro e ainda ter o direito a escolher uma caixa de 6 lápis de cor da Viarco.
A foto, está aí no post, o bolo-rei foi comido há uns 45 anos atrás e a letra era assim. “o ratinho foi ao baile / de cartola e jaquetão / sapato de bico fino / e um par de luvas na mão”. Bom, quem souber o resto da letra que cante que eu não tenho jeitinho nenhum. Antes que o computador crash, o melhor é ficarmos por aqui.

segunda-feira, julho 12, 2010

1543. Lunch Time Blog - Camarão à PreDatado (onde o Pre retoma o caminho da cozinha e inventa coisas que outros já inventaram antes)





Vocês sabem aqueles dias em que o que nos apetece mesmo são pimentos? Não sabem? Bom eu conto-vos, de repente, passam na loja das hortaliças e outros legumes e também de frutas, porque uma loja nunca é só especializada numa única coisa, passe o pleonasmo, por exemplo, eu já tenho ido a garrafeiras, escolher qual o tinto que vou levar para aquele convite para jantar, onde nunca chego a provar o vinho que levei, diga-se de passagem nem isso era pressuposto e, no entanto, essa loja que deveria ser especializada em vinhos, onde não é difícil encontrar os grands crus de Bordéus, lado a lado os Saint-Émilion, os Côtes du Rhon, os Chateau Lafite, mas também as melhores Reservas da Granja da Amareleja, o Syrah das Cortes de Cima, o Pêra Manca da Cartuxa ou um Artadi Pegos Viejos, o Calvario ou o Sierra Cantabria, estes últimos de la Rioja, bom eu acho que me estou a perder, porque o que eu queria dizer é que encontrei à venda nessas lojas, saca-rolhas e termómetros. Vêm agora vocês caríssimas leitoras e não menos caros leitores dizerem-me que faz parte. Pois faz, mas também faz parte venderem coentros onde se vendem melões, tomates e pimentos onde se vendem cerejas, rabanetes onde se vendem azeitonas, paios, chouriços caseiros e alheiras de caça. Faz parte, pois faz parte. Foi assim que me vi com três pimentos na mão, verde, vermelho e amarelo, assim num misto da bandeira portuguesa com a espanhola, em justa homenagem aos nuestros hermanos, um limão um raminho de coentros e uma cebola e, não na mão mas por baixo do boné, o meu subconsciente a incitar-me a misturar aquilo tudo, depois de cortar às rodelas a cebola e às tirinhas os pimentos, dizia eu misturar tudo aquilo numa frigideira onde picadinhos os coentros e raspado meio limão, lhe juntei 3 dentes de alhos esmagados, umas pitadas de sal e também um piri-piri. Refoguei aquele misto em azeite puro de oliveira juntei-lhe umas gotas do meio limão raspado anteriormente e, helas, o que dará nome a este prato, ou seja camarão à moda do Predatado, os camarões já descascados e sem cabeça nem rabo. Acompanhei com um branquinho da adega Cooperativa de Pegões porque o Sr. Engº Sócrates fez-me o favor de me levar no IRS deste mês os trocos que eu tinha reservado para comprar uma garrafinha de Grande Reserva Branco da Adega de Vila Real. E digo-vos que o pitéu que preparei bem o merecia.

PS. Vocês ainda se lembram do Schubert? Pois, esse mesmo, o meu gato. Sempre me acompanhou nos meus LTB só que desta vez, antes de eu me sentar à mesa, retirou-se de mansinho, não sem antes de me olhar olhos nos olhos como quem diz, olha lá rapaz, há gente que não gosta de comida picante. Esse piri-piri pode ser dispensado.

1542. Algumas notas tiradas nas férias (iii)


Resolvi seguir o exemplo do Expresso e adotei o acordo ortográfico. Para falar verdade, faz muito que tou nessa. Tenho amigos brasileiros de montão e teclo com eles e elas nos bate-papos da internet, por isso que estou acostumado demais com esse tal de acordo. Ainda nem se sonhava que iria haver essa bendita reforma e muito menos se pensava que a seleção do Brasil e a de Portugal íam voltar nas oitavas da copa e já eu escrevia ação, ato e seção nas minhas conversas cibernéticas. Aliás, posso até falar para vocês que apesar de eu ser ligado no facebook, tou também no orkut e deveria protestar contra a reforma por não introduzir a grafia orkutchi para ficar muito mais consonante com a dição. Outro dia, uma amiga minha falava para mim que eu não estava sendo justo com eles porque eles tinham acabado de ceder e perder também o trema. Aí eu falei para ela, Ora amiga se você perdeu o trema o pior que pode ter acontecido é que lhe venha a faltar a lingüiça, mas pode mandar vir de aqui um belo chouriço de trás dos montes que é terra de vovô. Quem não está muito de acordo com o acordo é minha esposa que não acha nada legal eu falar que sou espetador da TV. Ela fala que espetar nessa posição pode quebrar a espinha.

PS. (8/7) Estava a ouvir as notícias da manhã, creio que na RTP, quando a jornalista referiu que na volta à França, Rui Costa mantinha o trigésimo oitavo lugar e Sérgio Paulinho o cento e vinte e quatro. Fiquei com a dúvida se hoje em dia ainda ensinam os ordinais na escola. Se calhar só até ao centésimo.

Foto PreDatado - Moinho de Odeceixe

domingo, julho 11, 2010

1541. Algumas notas tiradas nas férias (ii)


Hoje (6 de Julho) foi dia de comprar jornais e de comer caracóis. E de ver o espetacular golo do Van Bronchorst que não sei se se escreve assim, mas sei que foi lindo. Hoje (naquele dia) foi dia de ficar a saber que o Cristiano Ronaldo é pai de um filho de mãe incógnita, ou incónita?, e que José Castelo Branco andou a ser papado por um jogador de futebol nos anos 80. Como se isto tivesse algum interesse ainda venho eu para aqui encher chouriços e a fazer-vos perder tempo, isto é presunção minha como se alguém ainda lesse o meu blog, mas adiante, continuemos para bingo. Há também uma telenovela nos jornais e nas televisões chamada Vivo, vamos a ver quem é que vai abandonar quem no altar. Ops, isto era a capa de uma outra revista, de outras telenovelas. A sardinhada estava espetacular. O que é prometido é de vidro, às vezes quebra-se, mas desta vez eu saltei mesmo para os grelhados, quer dizer, depois de uma breve passagem pelas bifanas, pecado meu. Quem eu não consigo entender muito bem é o dr Jekyll de Sousa Tavares nem o sr Hyde de Sousa Tavares. Como é que escreve com a qualidade que evidencia no Expresso, raiando por vezes o brilhantismo e escreve em A Bola, coisas que, pelo menos a mim, chegam a ir ao vómito, talvez sejam dois diferentes, não sei, adiante que hoje foi dia de caracóis e de mines e de golos, e de golos nas mines, está claro. As águas da costa vicentina estão fresquinhas, como as mines, mas a noite está um show, show de bola. Hoje houve caracóis e jornais e lá estava, num deles, ou em mais do que um, o dr. Marinho Pinto, se não estava pareceu-me que estava, a rezar para que o processo Casa Pia prescreva. Eu não percebo nada de advogados, mas de caracóis…

Foto PreDatado, Zambujeira do Mar

PS. No ano passado, por esta altura, o meu blog atingia quase as 3 dezenas de comentários. Acho que está a ficar moribundo. Vamos lá a ver quanto tempo mais dura.

sábado, julho 10, 2010

1540. Algumas notas tiradas nas férias (i)


Na ementa, vinho branco à pressão. Pergunto ao empregado de mesa, De onde é o vinho, e ele, Não sei, aquilo vem sem rótulo. O empregado não sabe de onde é o vinho. Deu-me vontade de rir, mas não me deu sequer vontade de provar. Será que nunca ninguém lhe perguntou antes? Bem sei que me tinha prometido a mim mesmo que neste verão só comeria grelhados e saladas e, vá lá, condescenderia num ou noutro prato cozido, tipo umas belas caras de bacalhau com hortaliça. Comecei com feijoada de búzios. Prometo que vou recuperar.

Foto PreDatado - Praia de Odeceixe

segunda-feira, junho 28, 2010

1539 . Alugo apartamento



Características:

Alugo apartamento mobilado a estudantes, professores ou profissionais de saúde. O apartamento tem 3 quartos mobilados, cozinha, casa de banho, hall e duas despensas. Todos os quartos têm roupeiro, uma secretária com cadeira e um pequeno sofá. A cozinha está equipada com loiças e acessórios, mesa e cadeiras e, ainda, com máquina de lavar roupa, frigorífico, micro-ondas, fogão e esquentador. Na despensa há aspirador, tábua e ferro de engomar, cestos de roupa e um estendal móvel. No hall existe um sofá e uma televisão. Há possibilidade de se instalar TV por cabo e internet a combinar na altura. O apartamento que está preparado para alojar 3 residentes não será alugado em quartos mas sim como um todo.



Localização:

Localizado no Bairro do Matadouro, Pragal em Almada é contíguo ao Hospital Garcia de Orta e fica muito próximo do Instituto Piaget (menos de 5 minutos de carro). A pé, está a 10 minutos da estação de comboios (ligações a Lisboa e outras regiões) e do Metro Sul do Tejo (ligações a Almada e Universidade Nova – FCT, Monte da Caparica). De carro demora-se cerca de 5 minutos à FCT da Universidade Nova ou à Escola Superior de Saúde Egas Moniz, no Monte de Caparica. É servido também pela rede de autocarros da TST com carreiras para Cacilhas (Almada), Monte da Caparica (Universidades), Costa da Caparica (praias). Além desta rede tem as carreiras da Fertagus para ligações à rede ferroviária.



Contactos:

Posso ser contactado pelo e-mail afixado no cabeçalho do Blog. Será colocado anúncio similar nas escolas referidas Piaget, FCT e Egas Moniz com números de telefones disponíveis.




Divulgação:

Se algum dos meus amigos ou das minhas amigas leitoras tiver conhecimento de procura nesta área, agradeço que informem os vossos amigos deste anúncio. Obrigado.


terça-feira, junho 15, 2010

1528. Emoções

Ele há dias em que as emoções tomam-nos conta do corpo e da mente e por mais que a gente pense o que vai fazer (neste caso escrever) as pontas dos dedos apresentam-se-nos tolhidas, parece até que a caneta emperra ou as teclas queimam, Outros há em que as mesmas emoções se colam à flor da pele e são elas que comandam a mente e libertam o físico e somos capazes de correr como se tivéssemos asas ou voássemos como se fossemos peixes, E ainda outros dias mais ou menos controlados e controláveis pelas ditas emoções, que fazem o papel de racionais o que contraditoriamente não são nada emotivas ou se o foram já foram antes. Em mim, as emoções actuam das três maneiras descritas e se há mais perdoem-me as leitoras e os leitores mas não as consegui caracterizar e, tão depressa me prendem os movimentos como me mandam sentar rapidamente e em força em frente do teclado e ordenam-me que desabafe, que conte, que conte a rir, que ria a chorar, que ria e que chore e que deixe soltar a gargalhada, quando de gargalhada o motivo é e até mesmo que morda um lábio por que é o que está mais perto dos dentes, já que a fazê-lo à língua seria, pressupostamente mais doloroso. Pois é inundado de emoções que hoje vos digo que acabei de assistir ao mais recente (provavelmente amanhã haverá outro) doutoramento no Instituto Superior Técnico. E a doutorada é a minha filha Ana, de quem vos falo amiúde neste blog e que, juntamente com o meu filho João são o orgulho da minha existência. E não me digam que não é para viver as emoções desta maneira, com uma lágrima no olho mas com um sorriso a desenhar-me no rosto um traço de orelha a orelha. E logo a mim que até tenho umas orelhas muito sui generis.